Desde Radiofusión:
““Hai unha densidade aquí tan grande como en Inglaterra, porque o noso pobo foi moi maltratado pola historia e as reviravoltas eran en moitas ocasións unha arma de defensa diante dos impostos abusivos e de tanto atropelo”. “Eu mesmo teño máis humor do que aparento, e admiro moito aos humoristas, xente moi intelixente, que ven os calcetíns do revés e nos revelan todo”. Os animais non rin, ou cando menos, nós cremos que non rin, pero o ser humano ten que fuxir do humor cruel, ácido e terrible. Gústame o humor á inglesa e á galega: “Por un lado xa ves e polo outro que queres que che diga” é toda unha declaración de principios, unha demostración de cintura. O humor non é máis que unha mistura de cultura e de intelixencia, indicaba Ramón de la Serna.
Un editor ten que ser moi valorado, porque del ven a nosa cultura e o mundo tipográfico é onde se asenta a cultura colectiva dun pais, apunta Xavier Seoane. Un libro difícil de clasificar canto a xénero, onde se mistura a poesía, o ensaio e moitas outras cousas. A Arcadio López Casanova parécelle un volume transversal. “E un mosaico con moitas teselas que en composición amosan a imaxe do pais”. “Utilicei a ironía e o humor para falar o que me petaba, de calquera palabra, dos tópicos de Galicia” indica o escritor. “Este é o libro galego máis orixinal e atractivo dos publicados o pasado ano” afirma o editor Manuel Bragado. “Palabras que, como as pedras no medio dun regato, serven para atravesar ese caudal de vida que é Galicia, e nomeadamente, a súa cultura”. Fala así Ramón Rozas no xornal El Progreso do Dicionario irreal para un país imposible” de Xavier Seoane publicado por Xerais. Falamos no clube de lectura de Radio Fene Radiofusión deste libro. Participaron Esther Val, Antonio Tizón, Henrique Sanfiz e Xavier Seoane.”
Pode escoitarse aquí.
Arquivo da categoría: Ensaio
Santa Comba: presentación de Os mundos de agora, de Lois Oreiro
Compostela: presentación de A construción mediática do conflito, de Helena Domínguez
Vigo: presentación de Soldados forzosos, de Francisco J. Leira-Castiñeira
“Conversas con Manuel Gago”
Rianxo: actos destacados na Feira do Libro 2021 para o 23 de xullo
O 23 de xullo continúa a Feira do Libro de Rianxo (na Praza Castelao, con horario de 12:00 a 14:00 horas, e de 18:30 a 22:30 h.), organizada pola Federación de Librarías de Galicia, cos seguintes actos literarios destacados para este día:
– 12:00 h. Fon asina Gazafellos, publicado por Aira Editorial.
– 19:30 h. Patricia Torrado asina Don Carlos e o misterio dos lucecús, publicado por Baía.
– 20:30 h. Lois Oreiro asina Os mundos de agora, publicado por Galaxia.
Vigo: presentación de Galiza e feminismo en Emilia Pardo Bazán, de Pilar García Negro
Paula Carballeira: “Somos umha sociedade que fala muito, narra pouco e escuta menos”
Entrevista de Lara Rozados a Paula Carballeira no Portal Galego da Língua:
“Paula Carballeira é umha das mais ativas narradoras orais da Galiza na atualidade. Além disso, é poeta, romancista, dramaturga, atriz e membro desde a sua formaçom da companhia Berrobambán. Recentemente publicou na Através Editora o seu ensaio, tam certeiro para os tempos em que vivemos, E continuaremos a contar. A narrativa oral como ato de visibilidade e sobrevivência. Sobre ele falamos nesta conversa.
– Portal Galego da Língua (PGL): De que doenças pode curar-nos continuarmos a contar? Da falta de escuta, por exemplo?
– Paula Carballeira (PC): A doença fundamental que cura continuar contando é o esquecimento. Para mim, umha das doenças mais perigosas. O esquecimento apaga a identidade, as lembranças, o aprendido, as alegrias e as tristezas. Contar oferece-nos um espaço de liberdade para que se ouça o que temos a dizer, as ficçons que criamos sobre a realidade que nos rodeia, o nosso ponto de vista, único e individual, umha ponte com a comunidade, com o imaginário coletivo. Contar afasta a soidade.
A escuta é um ato de rebeldia contra um ritmo marcado, o ritmo do consumo rápido do tempo, com a produtividade mal compreendida. Quando alguém ouve umha história, pára o relógio, rompe os limites, tam delimitados, das possibilidades que som factíveis apenas por imaginá-las. A escuta dá valor a quem fala, a quem cria, a quem brinca com as palavras, faz-nos sentir responsáveis polo que dizemos e para quem o dizemos. Ouvir demonstra respeito.
– PGL: Como é contar em tempos de pandemia? Quais som os grandes reptos?
– PC: Contar em tempos de pandemia é recuperar um espaço intangível, seguro e confortável onde esconjurar os medos. A comunicaçom direta, a presença da narradora ou narrador que cria umha história olhando nos olhos do público, fai-nos recuperar a capacidade de evocar, a ilusom. Cada vez que fago umha sessom de contos, recebo um enorme agradecimento, em voz alta ou no sentir.
As máscaras cobrem o rosto, escondem esses matizes gestuais que ajudam a conformar a informaçom de se a história é bem recebida, se há algumha interferência. Da perspetiva da narradora ou narrador, o “feedback”, a resposta, fica um pouco mais escura. A distância pode-se salvar amplificando a voz, favorecendo umha boa visibilidade. O poder sugestivo dos contos vence sem problemas os dois metros ou três da distância de segurança e as palavras tocam igual, com a sutileza de um sopro de ar. Porém, quando se conta com máscara, empobrece-se a transmissom oral. O facto de nom ver os lábios dificulta a compreensom e duplica o esforço de quem narra. É fundamental poder jogar com as pausas, os silêncios, os volumes, os gestos.
– PGL: Há algum conto / história / personagem que seja para ti como um talismam, que sintas que traz sorte? Ou “palavras mágicas”?
– PC: Os contos tradicionais tenhem para mim um forte componente simbólico. Uso-os para poder recriá-los segundo os meus interesses. Por diversos motivos, o conto do Capuchinho Vermelho acompanhou toda a minha vida e a história de Barbazul, nas suas diferentes versons, representa para mim o triunfo da inteligência sobre a brutalidade. As palavras mágicas só as uso em sessons com público infantil ou familiar, para expressar a importância dessa entrada no mundo das possibilidades infinitas.
– PGL: “É importante poder transmitir ficçons que nos resgatem da nossa luta contra os medos”, dis. Necessitamos contar para fazermos frente a todos estes discursos de medo em que vivemos na atualidade? E o discurso do esquecimento, também…
– PC: Acho que nesta sociedade em que vivemos o medo está a ganhar força, precisamente porque nom nos atrevemos a falar, a contar, a dar-lhe forma.
A partir do momento em que assumimos discursos alheios, nos quais nom nos fazemos perguntas, nos que simplesmente assentimos com a cabeça e procuramos proteger-nos sem saber de quê, adotamos umha postura defensiva. Do meu ponto de vista, a narraçom oral oferece umha postura construtiva. Distanciamo-nos dos medos, pomos-lhe nome e assim volvem-se abarcáveis.
Procurar as nossas palavras para os medos resgata-nos do anonimato e, ao mesmo tempo, oferece-nos respostas para as grandes perguntas, prováveis e improváveis.
Contando recriamos. Contando fazemos-nos ouvir, damos valor à nossa voz, nom deixamos que ninguém nos silencie. Contando procuramos um caminho alternativo.
– PGL: Somos umha sociedade que escuta?
– PC: Somos umha sociedade que fala muito, narra pouco e escuta menos.”




