Homenaxe O Escritor na súa Terra 2020: Resposta á laudatio, por Vítor Vaqueiro

A resposta á laudatio pode ser descargada aquí, ou ben ser lida a continuación:

“Depois das generosas (e exageradas) palavras de Xabier Paz fica-me, penso eu, pouco por dizer. Portanto, dedicarei este breve tempo à lembrança de algumas circunstâncias que deitarom como resultado final nos acharmos hoje neste lugar à beira do Sarela, onde há cinquenta anos eu passeava pola Corredoura do Espinho, chamada daquela, se a memória não me atraiçoa, Corredera del Espino, ao pé do meu exagerado louvador, que ao longo de mais de meio século me acompanhou na política, na literatura, no cristão paganismo —por dizê-lo com palavras de Bouza Brey—, no amor polo cinema ou na confidência pessoal e a quem tenho a obriga de agradecer publicamente ter-me resgatado para a poesia, que eu começara a exercitar aos quinze anos, com um soneto amoroso, tão afervoado como abominável, e que abandonara por circunstâncias familiares que não é preciso espalhar.

Afirma Xabier que eu tenho pendor a aquilatar, contar, medir. Se calhar esta tendência quantitativa, real, foi uma das causas, entre outras, da nossa amizade. Um dia do século passado, Xabier, que caminhava ao pé de mim numa de tantas marchas reivindicativas, ao passarmos diante da galeria de Sargadelos desta mesma cidade, laiava-se de não termos levado conta de todas e cada uma das manifestações às que assistíramos mediante a redação duma breve ficha, na que concretizarmos data, motivo da convocatória, condições climáticas, número aproximado de assistentes, intervenção policial, se for o caso, incidências variadas e outras circunstâncias que converteriam esse bloco documental num magnífico registro duma parte das nossas existências. Quero dizer com isso que à hora de quantificar há para todo o mundo.

Alguém poderá perguntar-me —e, com efeito, alguma já o tem feito—porque foi este lugar o escolhido por mim para esteato e não os que apareceriam mais previsíveis na minha conjuntura vital, Salceda de Caselas —a minha pátria da infância, também linguística, convertida em Ferreira do Condado— ou Vigo —onde nasci e vivo—. Para além de circunstâncias que não conviriam aos meus interesses serem conhecidas, direi que na velha Compostela de Gelmírez, Miguel Solís e o mitim das arengas, produziu-se, como já tenho dito, a minha grande inflexão vital. Efetivamente, foi nesta cidade onde olhei de perto aspetos que haveriam mudar aminha vida: a admiração pola pedra sem limites do convento de São Paio de Antealtares, a descoberta das grandes figuras literárias ou políticas, a amizade desinteressada e solidária, o amor, e também o abandono, a presença da morte no antigo cemitério de Bonaval, o terror em noites intermináveis do franquismo, a desmesura etílica, a detenção pola B.P.S., vulgarmente “a social”, a brutalidade dos métodos da ditadura, cujos executores, infelizmente, seguem a passear, desavergonhados, polas nossas cidades, insultando-nos a diário com a sua presença. E, por riba de tudo, os feitos de 1968, um Acontecimento ao que um dia prometi fidelidade e cujos princípios, penso, segui a respeitar até o dia de hoje, porque os acho de justiça e porque não me perdoariam o seu esquecimento Henrique Caruncho Bergantinhos, o meu tio avó brutalmente assassinado polo Horror franquista, e Vítor Foxo, o meu avó, cuja vida, desde que um dia de julho de 1936 na sala de oficiais da Base Naval de Ríos pronunciou a frase “o general Franco é um rebelde” até a sua morte em 1969, a sua vida, dizia, ficou marcada pola angústia e por uma dignidade que o converteu num referente ético para mim. Alguns dos princípios que acabo de sinalar estão analisados literariamente no livro 1968, publicado quando se cumpriam cinquenta anos desta data e do que se recolhem umas breves frases no monólito que há à nossa beira.

Esta cidade ensinou-me igualmente a existência dum país infinito cujo conhecimento principiou aqui, na rua de Pitelos, em Rapa da Folha, na Carreira do Conde, com pequenas excursões iniciais ao Pico Sacro, às torres de Altamira, a Íria Flávia, para se ir alastrando ao barroco de Oseira ou às augas infindas de Fisterra. Aqui nasceu em mim a consciência de que só se ama aquilo que se conhece e, com isso, o desejo de percorrer as terras que vão da Devesa de Rogueira e os tesos cumes do Courel que louvou Novoneyra à marinha sutil de Caldebarcos, onde, assegura-se, moravam homes com luzes no seu peito; da raia seca, na que sobranceia a anta das Maus de Salas, até o estarrecente pre-románico de São Martinho de Mondonhedo. Com o percurso dos anos só precisei aprofundar nesse costume até percorrer e fotografar os (agora) 313 concelhos do país, sem esquecer jamais que foi em Compostela onde iniciei essa imensa viagem à minha terra, que hoje continua porque como dissera Risco, a Galiza é um mundo. Esse mundo, impossível de abranger, doou-se-me com generosidade e às suas paisagens, às suas criações, às suas gentes devo-lhe tudo o que hoje sou. No entanto, eu só lhe di ao país alguns versos, uns poucos relatos, umas fotografias, se quadra certas reflexões sobre a história da sua fotografia. Por isso penso, desde a mais profunda sinceridade, que é o país quem deveria receber esta homenagem, não eu.

Finalizo. Ao longo de décadas, são incontáveis as pessoas que me tenhem emprestado o seu apoio, doado a sua amizade, agasalhado com a sua solidariedade isenta de egoísmo. Algumas delas estão aqui presentes; a outras foi-lhes impossível assistir; outras, desgraçadamente, já não se acham entre nós. Não vou dizer os seus nomes, porque cada uma elas sabe o lugar que ocupa nos meus sentimentos e porque o equívoco e o mal-entendido ficam à espreita sempre, como uma alimária peçonhenta. Mas há um nome que devo sinalar, Merce Caeiro, que, nos últimos trinta e seis anos, precedidos doutros oito de escrupulosa amizade, converteu-se na principal razão da minha vida. Ela, junto com a nação que ambos partilhamos, que constitui um esteio central nas nossas vidas.

Vítor Vaqueiro
Parque de Galeras
Santiago de Compostela, 19 de Setembro de 2020

Homenaxe O Escritor na súa Terra a Vítor Vaqueiro: Laudatio, por Xabier Paz

A laudatio pode ser descargada aquí, ou ben ser lida a continuación:

LAUDATIO DE VÍTOR VAQUEIRO, ESCRITOR.

As palabras sólidas. O creador da identidade mítica.

I Lembranza biográfica.
Autoridades, xente das artes e das letras, amigos todos, vimos celebrar a Vítor Vaqueiro como escritor. Por tanto, imos abeirar outras facetas súas como fotógrafo, ensaísta, divulgador ou profesor universitario. Vítor cursou Ciencias Químicas e logo dun período de práctica docente, encarreirouse na fotografía e na escrita quer creativa quer divulgativa, logo combinada coa docencia até a súa xubilación. É conferencista, crítico e historiador de fotografía, con artigos en publicacións galegas e de fóra do país, publicou máis de vinte libros de etnografía, fotografía, narrativa, poesía e divulgación. Un percurso multíplice. Porén, aquí honramos o seu traballo de creación literaria. Hoxe non se trata de expoñer o seu percorrido vital nin de inventariar o seu catálogo bibliográfico. Abonda con lembrar o recoñecemento recibido coma poeta e coma divulgador: 2º Premio do Concurso Nacional de Poesía O Facho no 1978; Premio Esquío de poesía no 1981, por Camiño de Antioquía; Premio da Crítica Española de poesía no 1984, por A fraga prateada. Premio da Irmandade do Libro no 2012, por Mitoloxía de Galiza.
Falar de Vítor Vaqueiro, considerar a súa obra e facelo en público ante tan escollida concorrencia, ten para min, antes de todo, unha forte palpitación fraterna. Celebrar a Vítor creador é traer á luz a xenealoxía dunha relación, acaso infrecuente. E facelo no berce e escenario dese arraigar afectivo, alarga esta emoción xa ben adulta, poñamos unha amizade de cincuenta anos cumpridos. Vodas de ouro meus! O tempo inicial da nosa amizade, tempo compostelán, talvez fose o período crucial da nosa formación cívica, estética e literaria, do madurecer da nosa sensibilidade. Foi neses anos nos que a nosa condición moza, ceiba das rutinas familiares, viuse confrontada co vivir xa autónomo, ben que subvencionado. Neses anos o franquismo, co seu esmagamento nacional-católico de prohibicións dogmáticas, xunto co ambiente universitario, sexa isto o que for, moldearon a arxila aínda fresca da nosa sensibilidade xuvenil. As conversas inacabábeis, as heteróclitas e incesábeis lecturas, as máis delas apenas asimiladas, as músicas rebeldes, algunhas perdurábeis, e as actividades prohibidas dentro e fóra das aulas, enfornaron e coceron esa conciencia, elemento constituínte de por vida do noso ser social e estético, logo matizado pola idade.
Daquela, nin nos momentos máis tensos e perigosos, abandonamos a lectura, a música e, sobre todo, a compaña, ese noso conversar arreo verbo de calquera tema imaxinábel. Aforrarei a nómina de autores quer antropólogos, quer científicos ou artistas visitados por nós con fruición moza. Claro que a actividade, de nome común política, e para nós militancia, consumía boa parte das nosas enerxías mozas. Iamos, cativos protagonistas, no ronsel do 68. Un 68 que xa ten o seu fito poético na obra lírica de Vítor.
Foi nesta cidade, epítome da historia e da cultura de noso, verdadeiro estado de ánimo complexo, entre remansado e insurxente, onde forxamos o noso sermos. Aquí recibimos os sacramentos laicos e, acaso, as meirandes revelacións das nosas vidas. Misterios e achados, as máis das veces enchoupados, non os misterios senón nós mesmos, na purrela ruín, tan dourada e avolta coma insincera, sempre amparada baixo o nobre topónimo de Ribeiro. Disipados os vapores, ficaban algunhas certezas: non había un alma inmortal, o ser formaba a conciencia, emanación matérica; a Humanidade era unha e a dignidade de cada persoa idéntica; as desigualdades non eran eternas, podían ser encaradas e mesmo abolidas; existía un país de noso sostido pola lingua propia, obra e alicerce comunal. Con estes axiomas medrounos a compaixón polos desposuídos e o apego patriótico pola lingua. Con esta bagaxe Vítor comezou a súa andaina escritural xunguida a unha conciencia social, doída pola ocupación lingüística e a esmagadura cultural colectiva. Así vai, arrufado resistente, logo de cincuenta anos, movido pola vontade que enxergo mestura de lucidez e compaixón.
Quixo Vítor xuntarnos en Compostela, lugar de revelación, inda que, na súa formación coma persoa e coma artista, haxa outros lugares ben importantes, quer Salceda de Caselas quer Vigo. El mesmo di: Esse pendor de infância foi-se misturando, segundo passavam os anos, com a mitologia tradicional galega que aprendi em Salceda de Caselas, a minha particular Ferreira do Condado… O narrativo permitiu-me aprofundar com uma maior extensão nos aspetos autobiográficos da infância e adolescência, e na definição literária quer de Vigo, quer de Ferreira do Condado.
Aquí declaramos Compostela como lugar senlleiro, templo órfico no que practicamos as nosas actividades iniciáticas e conspiradoras durante cinco anos consecutivos con tanto fervor como, talvez, ineficacia. Secasí, rematado o periplo compostelán renacemos outros, galegos de nación e rebeldes de por vida. Certas palabras tornaran actitudes, encarnáranse para sempre.

II O escritor de carácter.
Hai quen, dado a taxonomía, define a xeración do 68 a composta por: Manuel Vilanova, Fermín Bouza, Xosé María Álvarez Cáccamo, Vicente Araguas e o propio Vítor. Quen sabe! Eu nunca o vin membro de nada, tan diferente me parece a súa obra da de calquera outro contemporáneo. Da súa filoxenia e xenealoxía literarias, aquí non falaremos. Escuso fatigarme e fatigarvos coa nómina profusa de escritoras, de científicos, ensaístas, fotógrafos, cineastas, de músicas e doutras artistas autóctonas e foráneas, contemporáneas e clásicas que Vítor visitou e visita. Permitídeme trasladarvos, a xeito de resumo orientador, algunhas querenzas confesadas polo noso compatriota. Na prosa e por orde alfabética -citando só os mortos, para non ofender os vivos-: Bernhard, Borges, Cunqueiro, Faulkner, Sebald, Valle-Inclán. Na poesía co mesmo criterio: Hölderlin, Pessoa, Rosalía, Valente, Vallejo. E como libros sinalados: A morte de Virgílio, de Hermann Broch; Tirano Banderas, de Valle-Inclán. De momento abondan estas escollidas referencias. Queda para as xentes pescudadoras, de mentalidade inquisitiva, a realización dos necesarios e agardados traballos académicos, o rastrexo das pegadas, conspicuas e agachadas, da morea de artistas, non exclusivamente da tribo literaria, inspiradores da obra de Vítor. Nada extraordinario. Omnis cellula e cellula e, igualmente, toda obra de arte provén de outras obras de arte.
Nin sempre é doado revelar o temperamento dun artista, porén é unha das chaves para analizar e interpretar a obra creativa. Con Vítor non hai caso, Vítor é un meticuloso acérrimo, un perfeccionista implacábel. Na seguinte encarnación véxoo coma pulidor de lentes, perseguidor durativo da perfección imposíbel. El dirá, cando menos asintótica coa perfección ideal. A el cómprelle pensar e aquilatar canto acontece antes de obrar. No seu quefacer diario non deixa de contar, medir e logo ordenar. A súa ollada ideolóxica e estética sostida por poucos e rigorosos principios sólidos, constitúe o metro de platino iridiado, o seu padrón. Nada queda sen medir e pesar para poder ser comparado e, logo de analizado, ser ordenado, quer dicir fabricado primeiro na súa mente e logo na súa obra. Pouco importa que sexan os quilómetros andados cada día, o tempo de cocción dun legume, o lugar dos libros nos andeis, as imaxes tomadas ou as sílabas escritas. Vítor sabe cantos quilómetros anda cada día, pon alarma para comprobar o tempo exacto de cocción de cada ingrediente cociñado, é consciente de cantas liñas escribe -sempre poucas- de media cada día…

III O artista construtor.
Como illar o asunto escrito e descrito do xeito de facelo? Cabe distinguir o tema da forma? Sabemos que non e, no entanto, debemos procuralo. Falemos pois algo da estrutura, tan fundamental no seu quefacer.
Partamos dunha constatación ideolóxica: Para as grandes escritoras a linguaxe non é algo dado, nin máxico, nin moito menos neutro. A linguaxe é un escenario de conflito, o campo de xogo dos significados, o campo de batalla das ideoloxías. E no noso país, coa lingua ameazada, é dobremente certo. Por iso Vítor centra os esforzos na construción dunha nova linguaxe literaria. Por iso semella arduo o seu estilo a quen non se persiste ante os seus textos. Dito xa de vez: A escrita de Vítor non é caseña e consoladora, corroborante das rutinas dominadoras, é un desafío, unha posta en cuestión dos nosos valores tradicionais, incluídos os estéticos. Afrontar calquera desafío non trivial esixe certo esforzo.
Polo xa dito, podemos cavilar na imaxe dun Vítor pitagórico, persuadido de que o ser humano pode ter acceso ao coñecemento e á orde polos números, pola cuantificación das cousas e das súas relacións, vale dicir pola experimentación; un autor defensor dun Cosmos matemático, en tanto que se pode ter acceso racional ao seu funcionamento pola Ciencia. Grande contador, primeiro enumera para si e logo conta -narra- para os demais. O contador que conta ou o enumerador que narra.
Para Vítor toda creación artística, e desde logo a literaria, resulta construción consciente e, xa que logo, elaborada. O noso escritor, coma todos os creadores, parte dun impulso, dunha idea, de querer tratar e dicir algo non redutíbel ao siloxismo. Algo que escapa ao razoamento formal e que deberá aparecer, ser creado coas súas propias leis, coma cousa única resistente ao tempo. A partir de aí a peculiaridade de Vítor é que traballa sobre a estrutura que deberá amosar esa idea e xa sabemos que é minucioso no seu quefacer. Deste xeito, até que non teña o proxecto rematado, e saiba como debe ser a estrutura do resultado, non comezará a obra propiamente dita.
No proceso de creación de Vítor, na demorada construción dos seus textos, a palabra e os seus compoñentes (letras, sílabas, fonemas) convértense en algo material, pezas sólidas coas que traballar artisticamente, e constrúe esas obras que comparecen coma algo denso e resistente. Para el, o proceso creador é tal o dun músico compositor, dun escultor ou o dun arquitecto. Primeiro traballar a partitura ou o proxecto do vulto, cavilar nas dimensións aproximadas, estimar as proporcións relativas, o perfil da obra e das súas partes e, logo, elixir os materiais e as pezas, o tipo de verso mormente e, finalmente, cada palabra. Falamos dun quefacer híbrido entre a música, a escultura e a arquitectura, pois o resultado sempre é algo sonoro, denso e habitábel.
O noso autor acomete cada proxecto coma se fose iniciar unha obra, non xa que conteña o mellor del mesmo, senón coa intención de facer algo que o ultrapase tanto a el mesmo coma a todos os seus contemporáneos, algo tan extraordinario que non teña termo de comparanza. E para atinxir tal despropósito pon en xogo toda a súa meticulosidade, é dicir todas a súa capacidade e paciencia para aquilatar, sen importar o tempo nin o esforzo. Naturalmente algo dese esforzo minucioso transluce a súa escrita.
A obra como resistencia ao fluír do ser. Insistindo, a obra fabricada, artefacto contra a entropía; a arte, a literatura como baluarte conscientemente erguido contra a desorde, contra o caos. A obra como acto de coñecemento ante o esquezo e a morte.
Conforme a propia confesión escrita (Do endecasílabo ao autorretrato), o noso autor perpetrou -di el- sendo adolescente o seu primeiro poema baixo a forma de soneto. Marcante estrea coa forma arquetípica da lírica occidental. Nos manuais concédeselle a Petrarca a honra de xeneralizar este ríxido e perdurábel deseño de canon formal privilexiado. Porén, o soneto é ben máis antigo que o amante de Laura; xa fora coñecido por trobadores e trobeiros, e non falta quen remonta a orixe desta combinación apolínea até as filigranas da poesía árabe.
Ese soneto primordial do Vítor resulta sintomático dabondo como indicador dun dos trazos estruturais da súa escrita lírica: a estrita definición métrica e rítmica da todas as súas composicións.
A sonoridade e o ritmo seráns trazos distinguíbeis da súa escrita quer en verso quer en prosa. Na súa escrita, cada palabra (illada ou colocada na arquitectura mesma dun paragrafo), ten un valor de seu, non só semántico. Sempre hai unha procurada eufonía na minuciosa construción rítmica e sonora da frase.
Na súa obra lírica a utilización dos versos heptasílabo, hendecasílabo e alexandrino; a alternancia de estruturas de verso e “prosa”; o gusto pola cita e o encabalgamento de versos, o paralelismo e a enumeración, son trazos formais ben significativos. Unha obra poética de índole narrativa e, a miúdo, épica.
Para Vítor non hai un abismo estilístico entre poesía e prosa. Atrévome e dicir que considera certa continuidade entre elas. De feito, abundan os exemplos de mestura na súa obra.
Nabokov diría que toda novela de calado debe incluír unha combinación entre a precisión poética e a instrución científica, e ben antes, por volta de 1850, Flaubert escribira: “Unha frase en verdadeira prosa debe ser como un verso logrado en poesía, algo que non se pode cambiar, e igual de rítmico e sonoro.” Creo que o noso autor subscribiría ambos pensamentos e traballa, afiuzado e ferreño, por alcanzar ese desiderátum.

IV. Escritura “ideogramática”.
Imos tratar, sen citas nin referencias, da escritura ideogramática como mostra aclaratoria do traballo versificador de Vítor. Podería dicir da súa relación e diferenzas con Ezra Pound. Refírome, ao cabo, á construción de conceptos complexos que podemos denominar “non visibles”, a partir da relación entre dous ou máis conceptos concretos, o que suxire outra relación máis profunda e fundamental entre eles. Conforme esta idea, o ideograma chinés que representa “brillar”, mei ou ming, é un sol e unha lúa xuntos, e pola súa xustaposición, tamén é a acción que eles dous executan (brillar), do mesmo xeito que o adxectivo “brillante” ou o substantivo “brillo”.
O ideograma elimina as cortinas de fume do siloxismo: permite o acceso directo ao obxecto non presente. Dúas ou máis palabras, dous o máis bloques de ideas postos en presenza simultánea, sondándose reciprocamente, precipitan un xogo de relacións cunha intensidade e inminencia que o discurso lóxico no sería quen sequera de evocar.
Polo tanto, un só signo, de dúas ou máis compoñentes, tórnase verbo, substantivo e adxectivo á vez. O uso de imaxes materiais -ou non- para suxerir relacións inmateriais é o principio metafórico que permite a construción de conceptos máis frondosos, se queremos, máis abstractos.
O “método ideogramático”, neste sentido, sería un modo de pensamento baseado na xustaposición de “detalles luminosos” particularmente significativos cuxa montaxe permite producir intuicións máis certeiras que as derivadas dun desenvolvemento argumental lóxico e sistemático. Este “método ideogramático” combina feitos, imaxes, frases, relatos e observacións da realidade social ou cultural, para producir un sentido de conxunto máis complexo do que cada unha ou a suma delas. Un procedemento que podería asimilarse ao da montaxe cinematográfica. Eisenstein cavilaba na montaxe cinematográfica en diálogo cos ideogramas a partir do seu estudo do chinés nos anos vinte. No caso de Pound a montaxe de unidades discretas non directamente relacionadas, remiten a una constelación histórica e cultural sen límites precisos.
Na escrita de Vítor, a procura da dimensión mítica é atinxido polo manexo de conceptos, toponimias, feitos, personaxes,… que, xustapostos, resultan desprazados e xuntos producen unha relación, un novo artefacto de efecto trans-histórico e atemporal, quer dicir mítico. A acumulación de referencias persegue deslocar cada unha delas, facelas anacrónicas e atópicas. A súa xustaposición ou enumeración e as relacións faltas de lóxica formal fai que ningunha peza (personaxe, topónimo, feito,…) pertenza dentro do poema a unhas coordenadas espazo-temporais concretas. As pezas reunidas xeran a emoción intuitiva dun artefacto invariante, de cousa estrutural e permanente. Insistindo: mítica. A opresión ou a resistencia dos oprimidos, por exemplo, son evocados polas sucesivas encarnacións quer sincrónicas quer diacrónicas, e na lectura cada unha perde a súa identidade para participar na construción do mito, poñamos por caso de Espartaco.

V. Temas recorrentes na prosa e no verso de Vítor Vaqueiro son a Morte e o Tempo, a Xustiza, a Liberdade. Como ten escrito el mesmo: “…podería sinalar que son a lembranza e o exercicio vagaroso da memoria, a maxia e os territorios lendarios, a xeometría -e unha das súas operacións básicas, a simetría-, o desprezo e a xenreira cara ao franquismo e calquera outra forma de réxime autoritario os eixos esenciais da miña escrita e, tamén, das miñas fotografías.
E engade:.. “a palabra “morte” aparece n’O soño dirixido 53 veces e n’Os nomes da morte -que outro porvir podemos esperar dun título como este?- 179.
Se tivese que dicilo de maneira xeométrica, unha forma axeitada sería postular que os meus primeiros anos se situaron no ortocentro dun triángulo no que os vértices ficaban ocupados pola relixión, a mitoloxía (Eliade ou Malinowski axudáronme máis tarde a identificar ambas as dúas nocións) e o ateísmo. A primeira procedía da contorna escolar, entre rezos e cánticos piedosos -perdoa o teu pobo, Señor-; a segunda, de narracións fermosas dos pobos indostánicos e árabes, aztecas e algonquinos; finalmente, a terceira fincaba as súas raíces (o leitor sorrateiro albisca a procedencia) en Vítor Foxo. Acredito na superioridade dos modelos científicos sobre outros na explicación dos fenómenos que se oferecen ás vistas dos humanos.
A creación, escribe tamén Vítor, estas actividades son máis ben procesos de ordenación e estruturación da materia, encamiñados á comprensión da nosa contorna, xa que os dados veñen fornecidos directamente pola realidade material, categoría na que inclúo a outra realidade, a imaxinada. Neste sentido, como en tantas outras cousas, non estou lonxe do Valente que defendía que a poesía (eu ampliaría á literatura e, en xeral, a calquera actividade intelectual) constitúe un medio de coñecemento da realidade, dotado, de certo, dun amplo marco de ambigüidade e un estatuto de seu. Alain Badiou dío con outras palabras: produción de verdades.
E prosegue: os marcos que constitúen os pontos fulcrados da miña actividade que, como unha corrente submariña, atravesan os últimos trinta anos de traballo, xurdindo ás veces e esvaíndose outras. Son eles, en resumo, a práctica da autobiografía-autorretrato, a pescuda do coñecemento, a devoción pola simetría, a loita contra a idea das dúas culturas, a presenza da morte -inducida polo pavor que en min xera a desaparición definitiva-, o intento de recuperación -incansábel e deficiente- da memoria, a análise do mito non como superstición, mais como maneira precientífica de comprensión da contorna, o compromiso ético co país, a escrita e os desfavorecidos, a Historia e os seus aspectos paradoxais, o combate na procura da xustiza e a defensa da verdade.
A min resúltame revelador que defina o proceso creador como actividades que son máis ben procesos de ordenación e estruturación da materia. Non di da palabra nin da imaxe, senón da materia, pois, xa quedou dito, materia son para el as palabras.
Quero resaltar o distinguíbel e próximo vínculo entre filosofía e literatura na obra de Vítor. A inquietude polo ser, a temporalidade, a morte, a existencia, o posíbel, a realidade, o azar e a condición do universo entre outros, son temas permanentes ao longo da súa obra. Ao tratar interrogantes de carácter filosófico que interesaron ao ser humano desde tempos remotos, constrúe o perfil universal da súa literatura, e faino revelándonos literariamente os mitos que os aluden.
O resultado sempre é, dá igual que sexa prosa ou verso, unha escrita identificábel e sempre fiel a si mesma, cun estilo que se ergue notábel sobre o concerto contemporáneo de voces. Nada hai improvisado ou ocorrente; nada de torrencial nin irregular. Acaso un anaco máis impetuoso, unha enumeración, tamén medida, ao servizo do propósito xeral. Cada palabra ten sido medida e pesada para encaixar no plan xa definido, todo serve ao proxecto global que se vai erguendo harmonioso até a súa culminación. Tal algúns escritores sempre identificábeis polo seu estilo inimitábel, pensemos no español de Valle-Inclán, por exemplo, a escrita de Vítor aparece refulxente, amosando un galego que semella nado recentemente. Unha lingua literaria fermosa e nova, sen idade nin desgaste: un idioma dentro doutro idioma. A súa novidade produce un aquel de estrañeza, que algúns chaman dificultade para aforrar o esforzo do achegamento, e para os teimosos resulta un raro pracer literario, estético e un alustro moral. Insisto non é unha mera escolla léxica o que define a súa escrita. É a idea, un deseño quen manda e cada escolla é subordinada ao trazado conxunto deseñado polo azo artístico, é dicir, ético.
Ao cabo, ler calquera texto de Vítor Vaqueiro obríganos a abalar entre a intuición reflexiva e a reflexión intuitiva. Ler, cavilar, enxergar; reler, ventar, repensar. E sempre percibir un desfechar de horizontes onde a vivencia, a emoción e a cultura son mestura balsámica dos proídos da vida.
Vítor está convencido de que pode haber outras vías para crear, resistir e contraatacar no noso anaco de mundo, para desenvolver a loita ideolóxica, pois diso se trata, pero tamén está convencido de el non ten outra que esta que eu intentei demarcar. E desa convición nace a perseveranza no seu estilo sempre identificábel na súa escrita. Un estilo, está dito, matérico, onde as sílabas e as palabras son tratadas coma cousa sólida, pezas para construír, e acadan no texto consistencia case física, cun significado engadido pola función ocupada nas súas fermosas e sólidas construcións.
Sospeito que Vítor co seu traballo non procura organizar e compartir realidades e experiencias concernentes aos seus coetáneos, e comprensíbeis para eles senón que tenta alcanzar un novo horizonte de sensibilidade atinxíbel a calquera ser humano non insolidario nin embrutecido. Chantado no presente, fala para alén do noso marco estético e temporal. Creo que tenta explorar os carreiros da escrita para crear mundos novos, míticos. Iso sinto cando leo os seus textos: un poderoso e espléndido alento humano e fraternal.
Moitas grazas.

Xabier Paz
Vigo, febreiro-setembro 2020
Texto lido no Parque de Galeras
Santiago de Compostela, 19 de setembro de 2020

O Escritor na súa Terra: Vítor Vaqueiro. Santiago de Compostela, 2020

O Escritor na súa Terra: Vítor Vaqueiro. Santiago de Compostela, 2020

Esta actividade conta co apoio do Concello de Santiago de Compostela, CEDRO, Xunta de Galicia e Deputación da Coruña.

A Homenaxe O/A Escritor/a na súa Terra, impulsada pola Asociación de Escritoras e Escritores en Lingua Galega (AELG), chega este ano á súa XXVI edición recaendo, por decisión unánime da súa Asemblea de Socios e Socias, na figura de Vítor Vaqueiro, que será homenaxeado en Santiago de Compostela.
Esta iniciativa anual conforma xa unha tradición na traxectoria da Asociación, e tense constituído ao longo de máis de dúas décadas como unha celebración na que a terra de acollida do/a homenaxeado/a ten unha presenza fundamental. É vontade da AELG honrar escritores/as procurando o contacto directo co autor/a e a súa implicación persoal na xornada de homenaxe.
Unha celebración múltiple e popular en que se vén recoñecendo a entidade literaria de insignes figuras das nosas letras, a través dunha serie de eventos como a entrega do galardón Letra E de escritor (unha peza escultórica de Soledad Penalta), a plantación dunha árbore simbólica (un carballo elixido polo propio autor) e a colocación dun monólito conmemorativo.

PROGRAMA DE ACTOS

SÁBADO 19 DE SETEMBRO

11:30 Parque de Galeras (Santiago)
Descubrimento do Monólito conmemorativo e plantación do carballo (árbore simbólico do escritor).

Acto de entrega da “Letra E”
– Lectura da acta de concesión, Anna R. Figueiredo, vicepresidenta da AELG en funcións.
– Intervención do presidente da AELG, Cesáreo Sánchez Iglesias.
Xabier Paz: Laudatio.
– Entrega da peza escultórica da artista Soledad Penalta.
– Intervención do homenaxeado: Resposta á laudatio por parte de Vítor Vaqueiro.
– Intervención do Alcalde de Santiago de Compostela, ou persoa en quen delegue.

Pode descargarse o programa completo aquí.

Para adaptarse da mellor maneira posíbel á excepcional situación sanitaria que estamos vivindo, os dous actos terán lugar finalmente no mesmo espazo, o Parque de Galeras, correctamente acondicionado para este evento.

Pregamos a aquelas persoas que vaian asistir que nolo comuniquen no correo oficina@aelg.org antes do 18 de setembro, indicando o seu nome, apelidos e teléfono, de acordo coa normativa sanitaria vixente para este tipo de eventos.

Neste 2020, o xantar de confraternidade suspéndese pola situación sanitaria xerada pola Covid-19.

No desenvolvemento desta actividade aplicaranse os protocolos sanitarios vixentes en cada momento.

Compostela: III Festival de Poesía Alguén que respira!

Máis información aquí.

Dez voces para Luz Pozo Garza

Desde o Consello da Cultura Galega:
“A prestixiosa publicación Asymptote -unha das principais revistas literarias online mundiais que conta xa con traballos de 121 países e 103 idiomas nos ámbitos da poesía, ficción, non ficción, drama e entrevistas a persoas da creación literaria e tradución- faise eco da poesía galega contemporánea. Así, vén de publicar unha escolma de poemas de 8 poetas galegos coas súas traducións verquidas ao inglés. Podes ler os versos de Manuel Rivas, Chus Pato, Gonzalo Hermo, Eva Veiga, Luz Pozo, Alba Cid, Lara Dopazo e Ismael Ramos e as súas versións inglesas realizadas por Jacob Rogers, Jonathan Dunne, Lorna Shaughnessy, Kathleen March, Laura Cesarco Eglin, Erin Moure, Neil Anderson, Harriet Cook e Patrick Loughnane. Moitos deles podes mesmo escoitalos nas súas propias voces. Non é o caso de Luz Pozo Garza, a quen a morte veu visitar antes da publicación desta revista. Mais non quixemos deixala sen voz. Nove voces amigas len a súa escolma poética en galego e a tradutora fai o propio coas traducións ao inglés publicadas na revista. Pepe Cáccamo, Yolanda Castaño, Xavier Seoane, Gonzalo Vázquez Pozo, Olivia Rodríguez, Eva Veiga, Cesáreo Sánchez Iglesias, Xesús Alonso Montero, Carme Blanco e Kathleen March conforman estes dez raios de Luz para unha memoria solar. Ao fío da saída de Asymptote e con este especial, o Consello da Cultura Galega quere homenaxear a Luz Pozo Garza, unha poeta xa canónica da literatura galega de todos os tempos. Os seus versos servirán para alumear este verán de nubes e claros.”
Pode accederse aquí.