Compostela: palestra “Daniel Castelao/Virxinia Pereira”, con Montse Fajardo e Xoán Carlos Garrido Couceiro, o 14 de abril


“Por mor da situación sanitaria do momento, as prazas son limitadas polo que se prega que enviedes a solicitude de inscrición ao correo electrónico comunicacion@ogalo.gal antes das 24:00 horas do luns 12 de abril de 2021, sendo total e absolutamente imprescindíbel que cada persoa que se anote indique nese apuntamento: nome, dous apelidos, número do DNI e teléfono, por mor das normas Covid.”

A Real Academia Galega lamenta o pasamento do expresidente Xosé Ramón Barreiro Fernández

Desde Nós Diario:
“O presidente da RAG, Víctor F. Freixanes, manifesta en nome da institución o fondo pesar pola perda do profesor Barreiro. “Foi un compañeiro activo e comprometido coa institución, á que dedicou moito esforzo e moito tempo. Botarémolo moito de menos”, expresa. Xosé R. Barreiro asumiu como presidente, entre decembro de 2001 e decembro de 2009, “unha etapa moi importante de renovación e modernización da Academia, que se iniciara no período como presidente de Francisco Fernández del Riego, con quen foi tesoureiro”. Víctor F. Freixanes salienta tamén o seu papel como historiador dentro e fóra da RAG. “Foi un membro destacado da xeración de historiadores que anovaron o estudo desta ciencia en Galicia a partir de década dos 80. Prestou especial atención a capítulos importantes da historia contemporánea de Galicia e da súa cultura, e á preservación da memoria da Academia, con achegas tan relevantes como a biografía do primeiro presidente da RAG, Manuel Murguía”.
A vinculación de Xosé Ramón Barreiro Fernández coa Real Academia Galega remóntase ao ano 1971, cando foi nomeado membro correspondente da institución. O 14 de febreiro de 1997 converteuse en académico de número, a proposta de Antonio Fraguas, Xosé Filgueira Valverde e Antonio Meijide Pardo, coa lectura do discurso O liberalismo coruñés: a segunda xeración (1823-1846). Tras ser tesoureiro da institución entre 1997 e 2001, durante a presidencia de Francisco Fernández del Riego, asumiu a presidencia entre 2001 e 2009, período no que se iniciaron os procesos de dixitalización de fondos e informatización dos recursos da Academia.
Como especialista na figura de Manuel Murguía, foi ademais coeditor do seu epistolario, as máis de 1600 cartas conservadas no arquivo da Real Academia Galega. O historiador exerceu tamén dende a Academia un papel destacado na divulgación da figura de Emilia Pardo Bazán como director do grupo de investigación La Tribuna da Casa- Museo Emilia Pardo Bazán, autora sobre a que escribiu diversos artigos.

Xosé Ramón Barreiro Fernández ingresou no seminario de San Martiño Pinario e proseguiu os estudos de Dereito Canónico na Universidade Gregoriana de Roma, onde se licenciou en 1963. Dous anos despois doutorouse na mesma universidade coa tese A perpetuidade subxectiva do beneficio eclesiástico, pola que recibiu a cualificación de Summa cum laude e a medalla de ouro da universidade. De regresou a Galicia, foi profesor no seminario e en 1974 rematou os estudos de Filosofía e Letras (Sección Historia) pola Universidade de Santiago de Compostela coa memoria de licenciatura La Ilustración en la Universidade de Santiago de Compostela, que acadou o premio extraordinario. Doutorouse en 1979 coa tese El campesinado gallego en la historia contemporánea. (…)”

Entrevista a Raúl Gómez Pato, arredor das súas traducións de Heródoto

Entrevista a Raúl Gómez Pato no Diario Cultural da Radio Galega:
“Raul Gómez Pato traduce ao galego, a través da editorial Rinoceronte as Historias I e II de Heródoto, o historiador grego. Estas obras constitúen a primeira organización intencionadamente racional e con ánimo de perdurar no tempo dunha obra histórica, para evitar que as grandes fazañas humanas queden relegadas ao esquecemento. A entrevista pode escoitarse aquí.”

Susana Arins: “A família é um dos piares dos regimes fascistas”

Entrevista a Susana Sanches Arins en Nós Diario:
“- Nós Diario (ND): Que queres dizer quando afirmas que “Manuel García Sampayo é exemplo de como a família, em quanto instituição, é a primeira célula de controlo e repressão no sistema franquista”?
– Susana Sanches Arins (SA): Pois exatamente isso. A família um dos piares dos regimes fascistas (família, deus, pátria). Reproduz no doméstico a estrutura do estado, com um patriarca que acusa, julga, premia e condena. Em muitas ocasiões, como no da minha família, não é preciso que intervenha a autoridade civil ou militar, porque já o senhor da casa se encarrega de tomar as medidas que sejam precisas. É especial o controlo sobre mulheres e sobre qualquer desvio da norma que se dê. Numa situação como a da pós-guerra, de pobreza sobrevida, ser expulsa da família era um risco que muitas não podiam correr, por simples supervivência.
– ND: Quando falas de que “O tio Manuel era falangista, dos maus, e nisso a família diferenciava-o do tio Ramón (García Sampayo), que era falangista dos bons”. Como se explica essa diferenciação e em que se fundamenta. Até que ponto o “falangista bom” não legitima um fascismo que em si não será mau nem bom, mas que dependeria do uso que se fizese dele?
– SA: A justificação familiar é clara: ao tio Manuel se lhe apõem mortes (assassinatos) e torturas. Ao tio Ramón não. Mas é justificação familiar, não minha. Na minha obra questiono essa diferenciação. Há um trecho, que pessoalmente adoro, em que levo a comparação com o regime escravagista, onde havia grandes proprietários que não maltratavam a sua servidume. Dão a ver que não é mau o sistema mas os elementos que abusam dele e do seu poder. E a realidade não é essa. O tio Ramóm ajudou alguma gente. Mas a outra não. E essa arbitrariedade, o não saber se vás ser beneficiário ou prejudicado, faz parte do sistema de terror imposto trás o golpe. As pessoas ignoravam se iam ser atacadas por um ou salvadas por outro. Um precisava do outro para manter a sua autoridade. (…)
– ND: O relato literário permitiu-che contar cousas que não permite o ensaio histórico [seique]? Como vês as diferentes linguages?
– SA: Acho que a estrutura narrativa permite dar entrada a emoções e reflexões que ficariam fora de um ensaio histórico. Acho que a voz narrativa, neste caso a da geração das netas, coloca uma distância emocional necessária para construir um discurso respeitoso com as vítimas ao tempo que introduz a reflexão sobre a transmissão da memória da guerra e como isso marcou as famílias. Eu achava de menos, noutras narrativas sobre o golpe e a repressão, dar espaço ao silêncios, aos tabus, às reviravoltas na construção da memória para manter a respeitabilidade das famílias e ocultar feitos indignos. Contar desde dentro complementa a visão ensaística, que é um contar desde fora, também essencial. (…)
– ND: Analisa uma dimensão difícil de quantificar e visibilizar que é a repressão das mulheres coa sua dimensão específica. Como vês estas dificuldades por tirar luz destes casos?
– SA: Há um problema básico: o silêncio já irremediável sobre esse tipo de repressão. As agressões sexuais não foram habitualmente verbalizadas. Estende-se sobre elas o tabu e mesmo um sentido respeito pela dignidade das vítimas. Não contar por não marcá-las mais. Conto com uma gravação de uma senhora de Meis, Mercedes Abal, que quando narra as agressões a uma vizinha, Manuela Abal “A Facheira”, só acerta a pronunciar a frase “ai, o que lhe fizeram!” repetidamente. A nós só nos fica essa pista. E agora é tarde. Quem podia contar morreu. Só podemos intuir, deduzir, supor. Saber o que aconteceu em verdade já não é possível. Mas conhecendo o uso das agressões sexuais como arma de guerra noutros conflitos bélicos, não é difícil imaginar que terão feito com esta e outras mulheres.”