Vítor Vaqueiro: “A normativa oficial do galego é um dispositivo de espanholização”

Entrevista a Vítor Vaqueiro en Nós Diario:
“Vítor Vaqueiro recebe amanhã a Letra E, de escritor, que outorga a AELG (Asociación de Escritoras e Escritores en Lingua Galega). É esta uma homenagem na sua terra, Santiago de Compostela, na vigésima sexta edição dum ato que converte o autor em membro de honra da entidade.
Vítor Vaqueiro recebe com “alegria e agradecimento” a Letra E da AELG (Asociación de Escritoras e Escritores en Lingua Galega). Também o assalta uma certa sensação de volta ao passado. “Eu devo ser agora dos primeiros números, porque quando se fundou eu tinha o 25 e muitas das pessoas que me precederam já não estão”, diz.
– Nós Diario (ND): Embora estudar química e exercer como professor de matemáticas, decidiu dedicar-se à fotografia. Que o atraiu da imagem?
– Vítor Vaqueiro (VV): Foi uma série de fatores, alguns casuais. Caiu nas minhas mãos um livro de Susan Sontag sobre o tema e logo outro de Barthes, A câmara clara. Dalguma maneira, abriu-me um horizonte diferente. Recebi um encargo fotográfico duma modista, Maria Moreira, e comecei a trabalhar em moda.
Não me interessava esse mundo, mas si o feito fotográfico. Tirava imagens e, sobre tudo, lia. Fez uma exposição em 1983 e, anos depois, vim para a facultade de Santiago a fazer a tesse.
– ND: Também foi professor de matérias associadas à fotografia em Ciências da Comunicação. Acha que numa sociedade como a atual, com um peso tão grande da imagem, se lhe outorga o suficiente espaço no estudo?
– VV: Eu acho que há algo de verdade incompreensível, quer no nosso país quer no Estado espanhol, numa sociedade, como ti acabas de apontar, absolutamente atravessada pela imagem. Hoje todo o mundo já e fotógrafo, porque todos temos um telemóvel. Neste contexto, parece-me extraordinário que não exista a possibilidade de estudar fotografia, já não digo em lugares como Alemanha ou Reino Unido, onde existe a própria carreira. Estou a falar desse centro no que, se não me falhar a memória, eu fui o último professor da matéria que houve no departamento de Comunicação.
Uma pessoa pode rematar os estudos sem saber quem é Cindy Sherman ou Andreas Gursky. E alunado que rematou o grau não tinha possibilidade de continuar a formar-se no país, tinha que ir embora, a Catalunya, por exemplo. É incrível, passa o tempo e não avança. Um projeto como o Centro Galego de Fotografia, de Vigo, foi totalmente desprezado e hoje está ocupado por dependências administrativas.
– ND: Do confinamento saiu o livro Tres poetas en estado de alarma, junto a Carlos Negro e Xosé María Álvarez Cáccamo, no que você escreve “Quarentena”, uma lúcida reflexão que parte do concreto para analisar aspectos muito mais profundos da sociedade. Como nascem os poemas desta série?
– VV: Como dizia Beckett, “escrevo porque provavelmente não sirvo para outra coisa”, ainda que no meu caso diria também para cozinhar, que com humildade após 50 anos acho que o faço bem. Se uma pessoa com essas características não puder sair da casa, é lógico que escreva.
E vês diariamente uma série de questões que levam a pensar, como por uma parte se aplaude pontualmente ao pessoal sanitário enquanto há um enorme ataque ao sector. Aliás, todo isto era previsível no senso de que há uma constante agressão à natureza, vimos como doenças passam aos animais, já de velho, como a Sida.
– ND: Nesses momentos limite aparece a necessidade de deitar fora certos pensamentos, imagino.
– VV: Claro, por exemplo, quando vim essas conferências diárias de sanidade, nas que as responsáveis compareciam com três militares detrás. Lembrou-me a esse 11 de setembro de 1973, ao golpe de Estado de Chile. Perguntaste onde estás a viver, por que precisamos a presença das forças armadas. A quarentena serviu-nos, ou devia servir, para conectar a situação presente com outras do passado.
– ND: Outro dos seus interesses é a mitologia galega. Por que acha importante a reivindicação ou dignificação destes temas, que em último termo outorgam um valor negado à cultura popular?
– VV: Acostumo dizer que lhe devo tudo ao país. Acho que há duas ou três coisas de natureza universal que me movem, como a justiça, a igualdade ou a dignidade. E depois está o meu país, a sua língua ameaçada, a cultura e o território, as suas gentes. Nesse senso, a mitologia significa reivindicar o nosso.
Há coisas incríveis, como uma mulher que tem um filho sem relação sexual previa, que nos parecem o mais normal do mundo. Mas quando nos falam da Santa Companha, dizemos que é uma parvada. Essa cultura não é uma tontaria, as lendas explicam o mundo. E a diferença entre uma religião e uma mitologia é a mesma que existe entre um idioma e um dialeto, normalmente um idioma que não tem poder social.
– ND: Falando dessa situação linguística, em 2013, num artigo publicado em Sermos Galiza, manifesta a sua decisão de adotar o padrão reintegracionista. Pode lembrar-nos quais são as causas?
– VV: Eu verdadeiramente sempre fui reintegracionista. Publiquei nos anos 80 no acordo de mínimos, que era a normativa que pode ser hoje da Academia, com mais léxico e a acentuação e o traço português. Depois abandono isso como moita gente e escrevo dentro dos máximos que permitia a norma oficial, coa introdução de muito léxico que não considero português. Houve um momento em que me resulta muito difícil seguir enganando-me a mim próprio.
Um dia presento um texto e desde a editora faz-me por volta de 300 correções. Como sou de ciências e gosto de botar contas, vejo que em 86% mudam a palavra galega por outra espanhola. Isto é um dispositivo de espanholização.
— ND: Em Da identidade à norma já definia o fundamentalmente político e não filológico dessa opção.
– VV: Claro. Um linguista muito reconhecido, Miquel Siguán, admite que uma norma se decide por motivos extralinguísticos. É algo convencional. Não sei por que se escolhe uma fórmula como “man” fronte a “mão” quando a segunda é absolutamente maioritária.
Há uma tendência a pôr barreiras artificiais ao achegamento ao português. Eu non falo como uma pessoa de Valença do Minho ou de Coimbra. Há que reivindicar o léxico galego, e depois todo aquilo que exista já em português não temos por que o inventar. Sei que isto traz umas consequências tremendas, porque a editorial na que esteve durante 45 anos nega-me que possa publicar.
Até há uma sentença do Tribunal Superior de Justiça da Galiza dos anos 90 que diz que ninguém pode ser descriminado pela sua forma de escrever, um pleito da universidade de Vigo coa Xunta, que impugna os estatutos desta nos que se admite qualquer grafia. Editoras, prémios, concursos… seguem a ignorar isso.
– ND: Acha que o movimento reintegracionista está a experimentar um pulo nos últimos anos?
– VV: Sim, mas quero matizar que o amor pelo teu país é independente do número de pessoas. Se não defendermos isto, que porvir lhe aguarda, por exemplo, ao euskera? Mas a quantidade no prestígio influi muito. A outra variedade do galego que se fala no Brasil, Angola ou Moçambique chega a 50 milhões de pessoas, para alguns é a quinta língua do mundo.
Ainda que não gostemos do argumento, o número conta decisivamente. Dito isto, se fossemos poucos habitantes, devíamos defende-lo igual, mais tendo esta oportunidade, desperdiçá-la… Durante 200 ou 300 anos galego e português foram o mesmo idioma, e dalguma maneira o galego é pai do português.
Há tempo, dizia-me um catalão: “Estão totalmente tolos”. Já vês o pragmatismo, se el tivesse uma língua que cumas poucas mudanças se convertesse na quinta ou sexta mais falada, o acordo faz-se em quatro horas. Há que lançar-se! Tudo isto num contexto no que um editor de primeira magnitude me disse: “estamos num lio do que há que sair”. E mesmo uma pessoa da Académia [não diz quem] admite: “Eu penso que o reintegracionismo tem razão”. Vê-o tudo o mundo, mas parece que resulta difícil ceder.”

Antonio Reigosa: “Na sección [Micromitos] tratarei de que haxa un panorama amplo no que estean os seres míticos principais”

Entrevista a Antonio Reigosa en Nós Diario:
“- Nós Diario (ND): En que vai consistir Micromitos?
– Antonio Reigosa (AR): Chámolle micro porque se trata dun espazo breve, non pola importancia do mito, claro. No tempo que dure falarei un pouquiño de todo: mitos, chamémoslle cultos, mitos relixiosos, lendario asociado ás fontes, ás covas… Hai un amplísimo catálogo. Tratarei que sexa ameno e tamén divulgativo, que se entenda que simboloxía hai detrás e se ten algunha conexión con algunha literatura culta.
– ND: Como imos ver na sección que é a mitoloxía popular?
– AR: Enténdoa como algo que é fundamental na cultura, básico, simbolicamente é a súa expresión máxima posíbel e sobre todo se nos referimos a ela desde o popular. É como o oxíxeno, que nos é común a todas as galegas e os galegos. Na sección tratarei de que haxa un panorama amplo no que estean os seres míticos principais pero cunha casuística, por exemplo, que se saiba quen son as mouras pero ao tempo, dentro do mundo moura hai unha variedade enorme de arquetipos: a moura nova, a moura caníbal… O propósito é poñer a lectora e o lector nun panorama que á volta dun tempo lle permita percibir unha mitoloxía popular como é, coherente, simbolicamente moi potente e que ademais é unha axuda para coñecer a contorna.
– ND: Onde radica para vostede a importancia do mito ou da lenda, por exemplo?
– AR: Estamos a falar de imaxinario, non é un ben material patrimonial, aquí decatarse da singularidade é moito máis complicado e a xente tamén percibe que houbo e aínda hai certo prexuízo fronte á mitoloxía popular en boa parte debido á doutrina da igrexa. Pero aínda así, e aí radica a súa importancia, a inmensa maioría da xente ten algunha referencia ou algunha curiosidade sobre a mitoloxía popular. Toda vida humana ten tres cuestións chave: quere saber de onde vén, quen había antes e que pasará despois, e de aí a mitoloxía da morte tan importante na Galiza. Trátase de algo exclusivamente imaxinario pero é posíbel porque colectivamente creamos unha serie de figuras, de seres, de medos… que lle dan unidade á cultura popular. Hai unha coincidencia que determina os imaxinarios.
– ND: Cal é a situación da nosa mitoloxía? É propia ou universal?
– AR: O substracto sobre o que se constrúen as mitoloxías é universal porque responde a esas preocupacións básicas de todos ser humano, en todo tempo e en todo lugar. Logo veñen as peculiaridades culturais, por exemplo, non ten a mesma forza a mitoloxía da morte no que foi secularmente un cabo do mundo, unha Fisterra, que noutros territorios nos que non hai esa proximidade física a un finisterre. A mitoloxía da morte na Galiza ten unha forza que non ten noutras partes e que a iguala a toda a beira atlántica, máis alá doutras cuestións históricas as culturas celtoatlánticas teñen esa conexión unhas coas outras que non teñen igual, por exemplo, con África aínda que nos preocupe o mesmo.
– ND: Como conservamos ese patrimonio?
– AR: Sempre, o que forma parte da cultura popular, mantense mentres ten función, sentido para a xente. Evidentemente hai un conflito entre o mundo académico ou presuntamente culto e o popular, no primeiro a mitoloxía é menos importante ou non é transcendente pero, sen dúbida, dino sen darse conta de que precisamos espazos imaxinarios para vivir, sexan de tipo relixioso, ou mitolóxicos, ou froito dunha longa tradición, ou creados polo cine ou a televisión. Os intereses cambian en función das circunstancias persoais ou do grupo social pero a mitoloxía popular existiu e segue a existir. Se deixa de existir un castro esquecerase todo o que se sabía na contorna sobre as mouras, os tesouros… pero noutros lugares haberá unha mitoloxía popular asociada a esa contorna.”

A AELG prepara un Libro Branco do Escritor e da Escritora

Reportaxe de Montse Dopico en Nós Diario:
““Canto tempo adoita dedicar habitualmente á escrita? Actualmente compaxina o seu traballo como escritor/a con algún outro traballo ou actividade profesional? Ten ou tivo nalgún momento un/unha axente literario/a? Algunha vez tivo que reclamar a sinatura dun contrato á súa editorial? Dos seus ingresos totais no último ano, que porcentaxe procedeu da autoría das súas obras?”. Son algunhas das preguntas que a Asociación de Escritoras e Escritores en Lingua Galega (AELG) propón aos seus 470 socios e socias na enquisa que lles fixo chegar como parte do traballo de campo a partir do que elaborará o primeiro Libro Branco do sector literario galego.
Este estudo, aínda en fase inicial, servirá para que os autores e autoras do país, o “elo máis fráxil” da cadea produtiva e distributiva do libro, teñan unha “voz colectiva” coa que facer valer os seus dereitos, segundo explica o presidente da AELG, Cesáreo Sánchez. “Precisamos saber cal é a situación real na que se atopan os escritores e escritoras para coñecer as carencias e fortalezas do sector”, indica Sánchez, que cita como exemplo o Libro Blanco del Escritor da Asociación Colexial de Escritores de España. Este documento contou co testemuño dalgúns autores e autoras galegos mais, tal como lembra o presidente da AELG, “nós temos un sistema literario autónomo, coas súas propias dinámicas”, cunha lingua non normalizada, polo que dificilmente o retrato que tira vai ser representativo da realidade galega.
Se a ocasión para afrontar este proxecto do Libro Branco parecía propicia ao cumprirse os 40 anos de andaina da AELG, a crise xerada pola pandemia do coronavirus evidenciou máis a situación de precariedade na que se atopan moitos autores e autoras do país, sobre todo os máis novos. “Na miña xeración ser profesor de galego e escritor era algo moi habitual. Agora non o é tanto”, indica Sánchez en declaracións a Nós Diario. Parte dos escritores e escritoras teñen, así, subliña, na escrita e nas actividades que esta xera -como visitas a centros escolares- unha das súas principais fontes de ingresos. E o problema que subxace, precisamente, é a falta de profesionalización.

Reivindicar a profesionalización
O estudo realizado pola Asociación Colexial de Escritores de España, que recolle datos de 2018, revelou que só 16% dos asociados vivía da escrita, mentres que 77% ingresaba menos de 1.000 euros ao ano en concepto de dereitos de autoría. “Somos profesionais, aínda que non vivamos da escrita”, salienta Cesáreo Sánchez. Cómpre, ao respecto -sinala- unha mudanza de mentalidade que supoña un recoñecemento da “dignidade e respecto” para o traballo do escritor e da escritora, pois non parece xusto que sexa “o único profesional que non cobra” nun evento cultural, por exemplo.
Segundo o Consello da Cultura Galega, o confinamento derivado da actual pandemia afectou moito ao emprego cultural, que descendeu nun 5,5%, é dicir, 2,3 puntos porcentuais máis que o conxunto do mercado laboral no mes de marzo. Aínda que a do libro non parece en termos relativos ser unha das ramas de actividade máis afectadas, tampouco se reflectiría seguramente nos datos, no caso dos autores e autoras. “Os datos terémolos cando os nosos socios e socias respondan a enquisa”, indica Sánchez. O cal podería servir, tamén, para desterrar tópicos sobre o perfil das persoas dedicadas á escrita na Galiza. A AELG agarda publicar os resultados para antes da fin deste ano. O cuestionario que os autores e autoras están a responder neste momento será complementado, ademais, con entrevistas máis personalizadas para afinar a diagnose da situación.

“Voz colectiva”
Contar cunha “voz colectiva” e unha proposta de actuación fundamentada en datos é especialmente relevante ademais, segundo Sánchez, nun contexto coma o galego, pois “temos as institucións que temos”. Non é, por exemplo, o caso catalán, remarca, no que as asociacións do sector contan con servizos xurídicos para apoiar os seus asociados e ademais existe a Institució de les Lletres Catalanes, entidade autónoma do Departamento de Cultura da Generalitat dedicada a velar pola literatura e o fomento da lectura, con funcións non só consultivas.
Ao respecto, Sánchez amosa a preocupación da AELG pola orientación tomada polo Plan de reactivación do sector cultural fronte aos efectos da Covid-19 presentado pola Xunta, xa que, ademais de non contemplar axudas específicas para os autores a autoras, “expropia as creadoras e creadores dos seus dereitos persoais e patrimoniais sobre a súa obra” ao propoñer axudas a proxectos “cunha cesión de dereitos sen límite de tempo, espazo xeográfico, medio de explotación ou lingua”, desprotexendo na práctica a creación en galego. “Non podemos caer” -afirma Sánchez- “nun empobrecemento da cultura galega”, de maneira que o Xacobeo -pois o Plan de reactivación ten un enfoque máis turístico que cultural- acabe sendo “como o decreto de plurilingüismo no ensino”.”

Isaac Xubín: “Ser un intruso fíxome observar a identidade como algo moito máis consciente do que a xente cre”

Entrevista de Irene Pin a Isaac Xubín en Nós Diario:
“(…) – Nós Diario (ND): “O poeta é un intruso”, afírmase no reverso do libro [Xenealoxía dun intruso]. Ten realmente esta concepción do oficio?
– Isaac Xubín (IX): É algo máis a nivel da miña vida. Ao ter morado en tantos lugares desde cativo teño esa sensación, por exemplo, de non ter amigos da infancia, de afacerme cada catro ou cinco anos a un colexio e unha sociedade nova. E cando marchei da casa, comecei coa mesma dinámica. Por iso teño a impresión de ser sempre un intruso, alguén que está fóra, e ao tempo tamén de disimular para non parecelo. Traduzo e escribo desde esa perspectiva.
Aínda que eu me identifico como galego, non vivín na Galiza até os 10 anos. Os meus pais eran galegos e leváronme nacer á Galiza para que fose “galego completo”. Porén, se boto contas, seguro que vivín máis tempo fóra. Logo, a lingua galega é algo que adoptei eu, porque na casa non me falaban galego. O feito de ser un intruso penso que me facilitou observar a identidade como algo moito máis consciente do que a xente cre. Cando falamos dela parece que nos referimos a cousas que nos veñen dadas e son inmutábeis, que non temos marxe para modificar. Pero somos o que somos non porque queiramos, senón porque nos vén de atrás. E non é así, é moi voluntario. No meu caso, o nacemento non foi un accidente: leváronme a nacer para que nos meus documentos houbese un topónimo galego e poder dicir que son galego. (…)
– ND: Neste senso, volvendo ao libro, hai unha chamada á acción en versos como “alguén debería comezar a tirar / do gatillo dunha vez por todas”.
– IX: Nese poema hai ademais varias referencias a cancións vascas, que enlazan co que che comentaba da calidade. Todo o que está pasando alí está funcionando porque a cultura vasca, desde hai 40 anos, ten unha calidade brutal, desde Chillida a Fermín Muguruza. É moi fácil sentirte adherido a esa cultura. Por iso puideron saír fóra das fronteiras grupos como Kortatu, con tan mala prensa como tiñan. Non saían nas emisoras de radio, pero vendían moitos máis discos fóra que grupos de moda nos 40 Principales. E o importante non é o que dicían, senón que eran bos.
Pero volvendo á pregunta, a identidade pódese construír, as cousas non son tan inmutábeis como nos fan crer. E todo se resolve con acción. Algo que me saca moito da miña tranquilidade cando falamos dos galegos é o autoodio. En Euskal Herria ou Irlanda tamén había. Pero algunhas culturas saben xestionalo, revolverse e mudalo, mentres outras parece que estamos co San Benito de sermos así. Non nos audoodiamos porque sexamos así, senón porque había (e hai) unha situación social que nos convida a facelo. Hai que pórse mans á obra para mudalo, como fixeron os vascos.
Sempre comento o caso de Argala, que vivía na casa coa súa avoa, pero como seus pais non lle falaban en euskera, en toda a súa vida apenas intercambiou “ola”, “boas noites” e pouco máis. Alí tamén había autoodio, pero conseguiron cambialo. Cadaquén ten a súa maneira de superar os seus demos e as súas pantasmas. (…)”

Entrevista de X. C. Garrido a Manuel Cabada Castro

Desde Sermos Galiza, suplemento de Nós Diario:
“- Sermos Galiza (SG): Lembra cando tomou conciencia de ser galego, co que iso supoñía de pertenza a unha identidade negada e de disonancia coa identidade asignada, e como o experimentou ao longo da súa vida lonxe da terra, e mesmo á volta a esta?
– Manuel Cabada Castro (MCC): Coido que para min esa conciencia comezou a alborexar fóra da Galiza e sobre todo estando por primeira vez durante unha longa tempada (catro anos consecutivos de 1961 a 1964) estudando a licenciatura en Teoloxía na capital do Tirol, en Innsbruck (Austria). Daquela era eu un mozo entre os 26 e 30. Eramos alí de moitos sitios. Non só había alemáns ou austríacos, norteamericanos ou suramericanos, algúns ingleses, senón tamén compañeiros pertencentes ao propio Estado español pero de diferentes lugares, cataláns e sobre todo vascos que por distintas razóns (tamén políticas) foran enviados polos seus responsábeis relixiosos a diversos lugares de América do Sur. Entre eles estaba, por exemplo, Ignacio Ellacuría, que –como é ben sabido– tras os seus estudos en Innsbruck volveu a terras americanas e foi eliminado alí ignominiosamente xunto con outros compañeiros (como Segundo Montes, do que fun estrito compañeiro de curso e tamén de fútbol universitario, como así mesmo no tranquilo e sosegado xogo de dominó…). De vascos había un bo grupiño e acabei por entenderme ben con eles, naturalmente non na súa lingua, mais si co seu modo franco e amigábel de eles se comportaren. Tiñan amor á súa lingua e gustábame como se expresaban nela ou entoaban afervoadamente os seus cantos. Eu era consciente de que pola miña parte dispuña tamén dunha lingua propia, mais descoñecía o porqué da súa situación subalterna e dos seus sobresaltos e violencias históricas que só bastante despois chegaría a coñecer (naquela época ao franquismo aínda lle quedaban anos por diante…). Cando tras o período austríaco fun doutorarme de 1967 a 1969 en Filosofía a Múnic a miña ferida galega continuaba a precisar de atencións e alí tiven a sorte (ben lonxe da patria na que tal lingua xurdira) de me poder dedicar, como libre complemento dos meus estudos filosóficos, a asistir a unhas clases que levaban como título “galego-portugués” na mesma universidade da capital de Baviera onde estaba a realizar o meu doutoramento. Por iso, ao comezar no outono de 1969 a miña docencia filosófica na universidade Comillas de Madrid e algúns anos despois tamén na Complutense, o tema galego permanecía quizais algo aletargado, mais presente. En realidade a miña estadía en Madrid foi ben longa (arredor de corenta anos) e a Galiza, a miña patria, non estaba normalmente en realidade debaixo dos meus pés senón a varios centos de quilómetros de distancia. Á miña volta de Alemaña cheguei ademais a saber e non sen dificultade (pois a sombra do silencio sobre acontecementos máis ou menos próximos á guerra civil española era moi alongada e tal silencio era norma non escrita pero ben real) que un irmán do meu pai, o que sen o ter coñecido chamabamos familiarmente “tío Pepe”, fora ademais de poeta en lingua galega, un dos fundadores do Partido Galeguista a finais de 1931. Esta circunstancia levaríame a investigar e a publicar despois dous libros e outros escritos que para min (e tamén seguramente para outros) foron en boa medida verdadeiros descubrimentos. Algo similar ocorrería coa historia e os documentos pertinentes relacionados cunha festa tan popular como a Rapa das Bestas da miña parroquia natal de Sabucedo (A Estrada). Pois cumpría revestir de dignidade un acontecemento popular que, como tantos outros existentes en Galiza, pertencen á propia comprensión do país e tamén, polo tanto, de nós mesmos. De non ser así, o seu descoñecemento afondaría aínda máis no noso subconsciente autodesprezo. E non é xa preciso engadir que tales traballos debían ser escritos e publicados na lingua propia do país en que tales acontecementos ocorreran ou aínda ocorren. (…)”

Os premios Ínsua dos Poetas recoñecen Pilar García Negro, Sés e o persoal sanitario

Desde Nós Diario:
“A XII edición da Festa da Palabra conmemorará este domingo no Carballiño o centenario da revista Nós (1920-2020). “Será un acto para pór en valor o legado de persoas como Vicente Risco, Florentino López Cuevillas, Otero Pedrayo e outros destacados intelectuais ourensáns daquela época”, dixo o presidente da Fundación “Insua dos Poetas”, Luís González Tosar.
Os premios “Insua dos Poetas” recoñecerán entre outras a traxectoria investigadora, ensaística, docente da profesora Pilar García Negro; o compromiso coa lingua da cantautora María Xosé Silvar, Sés, o presentador Xosé Manuel Piñeiro; así como Regina Jallas, que leva a cabo un importante labor de coidado e atención a anciáns galegos en Rio de Janeiro.
A nivel de colectivos, os galardóns premiarán o Cine Club Carballiño, fundado en 1969; a asociación pola liberdade afectiva e sexual Alas da Coruña, que desenvolve un importante labor social e cultural no colectivo LGTB dende o compromiso co galego e a Festa da palabra tamén recoñecerá aos traballadores sanitarios da residencia dos Milagros, en Baños de Molgas, polo esforzo, na súa loita en primeira liña contra a pandemia da COVID-19.”

Volve a Mostra Internacional de Teatro de Ribadavia máis “diversa e paritaria”

Desde Nós Diario:
“A Alameda de Ribadavia, fronte ao Castelo dos Sarmiento, foi o lugar escollido pola organización para presentar a trixésimo sexta edición da histórica Mostra Internacional de Teatro de Ribadavia (MIT).
O certame, que se desenvolverá entre os días 17 e 27 do vindeiro mes de xullo, acollerá 24 espectáculos diferentes entre representacións, estreas, coproducións, presentacións e obradoiros, todo ao aire libre en lugares como a praza da Igrexa de San Xoán, a Igrexa de Sampaio, a Praza do Cruceiriño de Francelos, San Cristovo ou a praza Maior.
“Ribadavia enteira está aberta á recuperación cultural e económica, ao turismo sostíbel, á responsabilidade sanitaria e ao compromiso co público e co noso tecido cultural”, destacan desde a organización.
Este ano, a MIT desenvolverá a edición “máis contemporánea, diversa e paritaria” da súa historia, presentando espectáculos que van do drama á comedia, pasando por pezas híbridas e mesmo danza, que, como explica Roberto Pascual, director da Mostra Internacional de Teatro, “será a linguaxe empregada para ofrecernos desde a visión da migración por parte da compañía de Kirenia Martínez Acosta até a beleza do ámbito agrícola con Nova Galega de Danza e Rosa Cedrón pasando por pezas non exclusivamente danzadas, como o traballo de Rut Balvís en Liberto, o da coreógrafa Laida Azkona en Tierras del Sud, o de Amaya Galeote en Hoy puede ser mi gran noche”.
Incidindo na creación actual, a MIT tamén porá de relevo a forza da dramaturxia contemporánea, con espectáculos que así o demostran e que serven de retrospectiva a nomes aínda pouco coñecidos na Galiza, como Pablo Remón, dobremente presente na MIT 2020, coa versión libre de Doña Rosita, anotada, a partir do texto de Lorca.
Os encontros co público e actividades de mediación seguirán evolucionando na MIT, que nesta ocasión contará coa Revista Galega de Teatro para levar a cabo unha palestra arredor do teatro documento e a presentación do seu número 99, que conta coa edición do texto Resaca, creación colectiva de Il Maquinario, con dramaturxia de Tito Asorey e Ana Carreira.
Finalmente, outra das liñas que de actuación que nesta edición se ve fortalecida é o programa Ruadavia. Todos os días haberá, como mínimo, un espectáculo gratuíto na rúa, con asento preasignado e baixo recollida de convite, tal e como estipula a normativa en materia de prevención sanitaria contra a COVID-19.”

Susana González Lago, ‘Galemán’: “Decateime de que falaba mellor unha lingua allea que a miña propia e sentín vergoña”

Desde Nós Diario:
“Emigrar non significa esquecer. Susana González Lago, nada en Ponteareas e criada en Salceda de Caselas, non esqueceu desde Suíza as súas raíces. Hai uns anos descubriu a poesía galega e iniciou a bitácora en internet Galemán, na que publica traducións ao galego de autoras como Tamara Andrés, Emma Pedreira ou Antía Otero. A experiencia nace do desexo de crear un vínculo poético galego-alemán e poder ter intercambios interesantes e construtivos. Ela mesma realiza moitas das fotografías que ilustran o seu blogue ou escolle outras de autoras significativas.
– Nós Diario (ND): Como chega a Suíza e ao alemán?
– Susana González Lago (SGL): Nacín e crieime na Galiza. Emigrei nos anos oitenta, sendo adolescente, xunto con miña nai e miña irmá. Meu pai levaba oito anos de temporeiro en Suíza e despois dese período concedéronlle o permiso para emigrar tamén nós. Non podendo mellorar a súa situación financeira na Galiza, decidiron que para estar mal, polo menos que fose estando xuntos. Aquí comecei a escola nunha clase de integración lingüística e cultural para estranxeiros. Aprendín alemán e francés. Despois incorporeime a unha clase regular que me acolleu con moito agarimo e axudoume moito. É a historia da maioría das que emigramos sendo nenas.
– ND: En que momento comeza o seu interese pola literatura galega en xeral e pola nosa poesía en particular?
– SGL: Hai uns anos un amigo que retornou a Galiza contactoume. Escribíame nun fermosísimo galego normativo que espertou en min moita curiosidade. Deime conta de que falaba mellor unha lingua allea que a miña propia e sentín vergoña. Compartíamos literatura e poesía. Esta correspondencia impulsoume a mellorar o galego e a consumir literatura galega.
– ND: Cal é a razón de abrir unha bitácora en internet con traducións de poemas galegos?
– SGL: A poesía pasou a ser parte da miña vida e decidín anotarme a un curso de escrita online, no cal podo afondar o galego, a literatura e a poesía. Comecei a traducir por curiosidade ao ver os versos escritos en alemán e saber como soan. Traducir reláxame enormemente e converteuse nun pasatempo. Publico o que fago co desexo de compartir experiencias con xente interesada polas linguas e a poesía. (…)”

“É a escrita un oficio que se aprende? Desde Tecedeiras ensinan a contar historias”

Artigo de Irene Pin en Nós Diario:
“Aínda que non tende a considerarse de tal maneira, a arte de escribir é un oficio que tamén cómpre aprender. Ou esa é a crenza, fronte á convencional mitificación do talento, coa que nace a iniciativa Tecedeiras, un grupo que ofrece obradoiros de escrita creativa online da man de profesionais vencelladas á literatura desde distintos eidos, ademais do de autoras literarias: Eduardo Estévez, Lorena Souto e Mario Regueira.
As tres compañeiras xa traballaran xuntas nalgúns obradoiros ou noutros proxectos. Durante o confinamento, descubriron o dixital tamén como un bo espazo para desenvolver estas funcións, malia as reticencias iniciais que confesa Souto. Todo veu de man de Estévez, que impartía un curso nas Pontes que se seguiu reunindo por videoconferencia desde o encerro, partillando opinións sobre os textos sen o coordinador, que de entrada quixo fuxir destas fórmulas de virtualidade crecente. Mais un día uniuse e ficou abraiado co ben que funcionaba. Daquela, convidou a Souto e Regueira para que visen como acontecía.
Aínda que as Tecedeiras son defensoras do contacto directo, a tecnoloxía ten certos puntos a favor. Permite, por exemplo, que acceda calquera persoa, sen restrición xeográfica e con máis flexibilidade horaria. Con todo, segundo se vaian dando as circunstancias non descartan puxar tamén polo modelo presencial, con máximo de 15 persoas.
Os obradoiros, explica Souto, consisten en “aprender facendo”, a través da reflexión sobre as estratexias que funcionan a nivel literario. Neste senso, é moi importante a discusión dos textos en conxunto, pois danse “lecturas razoadas que permiten identificar eses mecanismos”, afirma a poeta. Segundo di Estévez, funcionan coa premisa “os textos primeiro”. “Nós non damos teoría”, asegura, senón que promoven accións reflexivas. A escrita como “proceso solitario” atopa neste formato a compaña e o feedback de quen opina intentando “entender como funciona o texto”, acrecenta, nunca ficando no “gosto / non gosto”.
Para Souto trátase de “fomentar o razoamento a través da escrita”, algo especialmente viábel con ese “lectorado emocionado” que partilla a paixón pola palabra, co que a pesar da gran disparidade de perfís se crea un “ambiente de confianza”. De tal maneira, constrúese un espazo que permite “contrastar o texto”, explica Estévez. “Canta máis diversidade, máis puntos de vista”, o que enriquece enormemente a discusión porque “non hai unha reacción unívoca”, argumenta Souto. “Ademais dáse unha escoita entre xeracións moi atenta, algo que non acontece noutros espazos”, engade Estévez. Así, “máis alá do literario, é un proceso social”, asevera o escritor.
A profesión de escritor ou escritora non é, cando menos para elas, unha cuestión de talento, ter tempo e sentarse diante do folio en branco ou do procesador de textos. É tamén unha disciplina que se pode aprender, idea que se atopa moito máis asentada noutros países, que mesmo incorporan a escrita creativa con frecuencia nos plans de estudos, algo que Souto viu de primeira man no Reino Unido. Igualmente, na Arxentina, onde naceu Estévez, estes formatos son máis habituais e estiveron de facto nas súas orixes no mundo literario, nas reunións informais na casa do coordinador do grupo que constituían un “espazo de resistencia durante a ditadura”.
Así, Estévez acredita firmemente que “o escritor non nace, faise”, consciente de que a este aforismo non responde á percepción maioritaria na sociedade. “É curioso, porque non llo exiximos a outras artes como a pintura. Non te vas converter sen máis en Shakespeare ou Chus Pato, nesa mitificación esquécese a aprendizaxe”, di Souto.
Por que se desenvolven estas dinámicas é unha cuestión sobre a que só se atreven a elucubrar. “Parece que ao escritor, especialmente nun sistema como o noso, se lle presume un compromiso que parte da militancia”, reflexiona Estévez. Así, mencionan anécdotas de recitais musicados nos que a persoa intérprete cobra pero a poeta non, porque se entende ese “halo de vocación”, que nunha disciplina moi vencellada á autoexpresión “parece emanar dun talento interior”, comenta Souto.
Coa diversidade instaurada como bandeira, afirman as Tecedeiras que cando imparten os obradoiros nunca están de acordo en nada, e iso, para alén de causar divertimento entre as participantes, tamén resulta enriquecedor. “Non hai verdades absolutas, senón lecturas. E estratexias e recursos”, insiste Souto. E logo, cada lector é un mundo. Por iso, o importante é ter ferramentas para avanzar nunha aprendizaxe continua.”

Marcos Abalde gaña o Johán Carballeira de Poesía con Alcatrán

Desde Nós Diario:
“Marcos Abalde Covelo resultou gañador do XXIII Premio Johán Carballeira de Poesía convocado polo Concello de Bueu co poemario titulado Alcatrán. O xurado, conformado por Arancha Nogueira, poeta e gañadora da pasada edición, Mercedes Queixas, escritora e mestra de lingua galega, e Lara Dopazo, poeta marinense, salientou que se trata dun poemario “cun gran traballo léxico, que canaliza as historias persoais coa colectiva, e que dignifica o local”.
Así mesmo, salienta que os versos destacan pola súa concisión, e por unha unión perfecta entre fondo e forma. Na acta, o xurado quixo mencionar tamén outra obra, Invernía, que chegou ata o final e que consideran tamén de gran calidade.
O poemario erixiuse gañador de entre os preto de sesenta traballos presentados ao certame nesta modalidade, polo que o autor farase cun premio de 1.500 euros e a publicación da man da editorial Xerais.”