Alba Tomé, escritora: “Das nosas bisavoas escoitamos por primeira vez o consello de ser independentes e defendernos”

Entrevista de Sergio Casal a Alba Tomé en Nós Diario:
“(…) – Nós Diario (ND): As humidades sitúanos nun fogar atravesado pola violencia. Que lle interesaba explorar a través dos diferentes personaxes?
– Alba Tomé (AT): A violencia dun pai agresor que exerce un control a través do seu poder contra a súa familia, principalmente a súa filla, que é a única que decide rebelarse contra el. Ela entende que a violencia forma parte do xogo e vea como a única maneira de sobrevivir nesa familia. Para iso contará coa axuda da súa avoa, a señora Azucena, que a guía nesa guerra que se abre contra seu pai. Interesábame explorar o papel das mulleres que actúan fronte á violencia. Que nun sistema de autoridade tomasen acción fuxindo tanto da visión vitimista como de heroínas.
– ND: Hai unha alianza silenciosa entre a avoa e as nenas. Que papel xoga esa rede cómplice fronte á violencia?
– AT: É a pura supervivencia. É o apoio sen igual que parte do amor. Son mulleres que están sufrindo a mesma violencia e saben que a autodefensa colectiva sempre é mellor que a individual. Esa relación das nenas coa avoa –que realmente é súa bisavoa– plasma perfectamente as mulleres que nos regalaron por primeira vez consellos feministas sen nomealos así.
Das nosas bisavoas escoitamos por primeira vez o consello de ser independentes, de estudar e de defendernos. Gustábame plasmar isto na novela. (…)”

Moncho do Fidalgo, numerário da AGLP com 57 anos de consciência reintegracionista: “é um movimento lento, mas seguro! Não há outra saída”

Entrevista a Moncho de Fidalgo na Academia Galega da Língua Portuguesa:
“(…) – Academia Galega da Língua Portuguesa (AGLP): Apresenta-se A menina da Ribeira como “um romance realista e em parte histórica”: como é isso, que se deve entender por “realismo” e “romance histórico” nesta altura do século XXI?
– Moncho de Fidalgo (MF): Bom, afirmar o realismo do século XXI é o que foca na representação objetiva da realidade. Crua e honesta, destacando questões sociais, desigualdade e vida atuais. O romance histórico, caracterizar-se-á por uma documentação ou fatos históricos, mesmo para mudar conceitos e revisar acontecimentos. A menina da Ribeira enquadra-se nestas duas visões. (…)
– AGLP: Outra surpresa é o recurso cervantino de ler uma referência ao processo de composição da narrativa que estamos a ler, fala-se do livro de A menina da Ribeira no próprio livro. E também cita Cervantes, mesmo como possível produtor de ascendência galega, nas suas obras. Reconhece este autor, que é o centro do cânone literário espanhol, como uma das suas influências centrais?
– MF: Cervantes Saavedra, apelidos galegos, tem influído em muitos escritores sem eles saberem. Os primeiros livros que os alunos leem é o Quixote, mas no meu caso acho que não tem influído. Sim Eça de Queirós no Primo Basílio ou Miguel Torga com a Vindima e Contos da montanha.
– AGLP: O tratamento que dá à personagem da menina da Ribeira é muito diferente a outras personagens femininas da sua anterior produção, como a de Colensa de Seguindo o caminho do vento, ponhamos por caso. É esta uma mudança muito significativa, a que a atribui?
– MF: A Colensa faz parte de um romance e de uma ficção, A menina da Ribeira é uma pessoa real. Levamos mais de vinte anos casados.
– AGLP: O professor Francesco Traficante põe em destaque num estudo que você foi o primeiro narrador em galego-português, com O Sereno, um guerrilheiro em Estalinegrado, editado em 1983 (2ª ed. em 1990). A menina da Ribeira é o seu oitavo título de narrativa: Como valoriza esta trajetória no campo literário galego nestes já quase 43 anos?
– MF: Há uma realidade na Galiza, enquanto alguns vivemos para o galego, nosso idioma internacional, outros vivem do galego. Os autores que escrevemos em galego-português fazemo-lo em condições muito diferentes, não publicamos nas editoras do “regime”, não gozamos das ajudas do governo galego nem dos meios oficiais. Eu estou feliz de ter atingido uma meta considerável, dada a situação do mundo editorial na nossa nação. (…)”

‘Nakba’, o poemario de Patricia Torrado que narra a catástrofe que se vive en Gaza

Entrevista a Patricia Torrado Queiruga na Televisión de Galicia:
“O título expresa a alma deste libro construído con nostalxia, resistencia, violencia, pero tamén con esperanza. Nakba gañou o premio Concello de Vilalba. A entrevista pode verse aquí.”