A diversa importancia do feminismo de Emilia Pardo Bazán na Galiza

Desde Nós Diario:
“(…) Arredor da súa calidade literaria non hai sombras; arredor do seu posicionameto feminista non hai dúbidas no Estado español, mais esta última cuestión confronta na Galiza distintas visións, recollidas por Nós Diario, que se extraen do posicionamento feminista e da figura política e social de Emilia Pardo Bazán no contexto galego. A autora, que se autodefiniu como feminista radical, como ben lembran a escritora Marilar Aleixandre e a filóloga Mónica Bar, tamén estivo marcada por un posicionamento “clasista” que “compromete gravemente o seu feminismo”, segundo a política e profesora María Pilar García Negro, ou que “ocupa as voces das traballadoras galegas cun efecto máis cómico que empoderador”, na voz da tamén filóloga Helena Miguélez-Carballeira. (…)
“Foi unha grande escritora sobre a emigración galega, e a súa calidade literaria está claro que é altísima mais na calidade política a tese que sosteño é que tratou literariamente cuestións relacionadas coa Galiza encadrándoa cara a un consumo literario madrileño”, analiza Miguélez-Carballeira. Algo no que incide García Negro, ao lembrar que en “personaxes galegas, en Los pazos de Ulloa, La madre naturaleza, Morriña ou Bucólica, o tratamento das personaxes campesiñas ou criadas non teñen o menor contraste que nos permita asistir a unha figura humana con pensamentos e sentimentos propios”.
Fronte a estes, o argumento de Mónica Bar precisa que “o que non atopaba Pardo Bazán era unha lingua estruturada a través dunha academia definida, ela era europeísta e iberista, defendía que Galiza e Portugal estaban separados por unha fronteira artificial”. E engade que “ela ofrece a súa casa para crear a Real Academia Galega, propiciou o inicio da RAG”. Sobre o cuestionamento de “por que non escribía en galego”, Bar recalca que non é un requerimento que se lle faga aos autores masculinos, cuestión na que coinciden as catro intelectuais, mais García Negro engade, “ela foi vítima de toda unha mesta base de misoxinia e sexismo que a afectou, como en xeral, a todas as escritoras galegas e españolas no século XIX”. (…)”

Lugo: Muralla de letras, do 11 ao 13 de decembro

Actividades da Semana do Libro de Compostela (SELIC) 2020

“Um livro reivindica a oratória de Carvalho”

Artigo de Irene Pin en Nós Diario:
“O Parlamento da Galiza une-se aos atos de homenagem a Ricardo Carvalho Calero com a publicação de Ricardo Carvalho Calero, orador. Discursos e leccións. A obra foi apresentada o 1 de outubro na sede da instituição, que acolhe também uma exposição da obra bibliográfica do autor, cuja biblioteca e legado foi depositado nessa entidade.
A filha do autor, María Victoria Carvalho-Calero Ramos, declarou que desde que o presidente da câmara, Miguel Santalices, lhe propôs a edição teve claro quem devia ser a pessoa encarregada da antologia: María Pilar García Negro. Foi ela, em qualidade de investigadora e coordenadora da exposição, a primeira em tomar a palavra no ato de apresentação. A representante da família, para além da escolma, agradeceu-lhe a contextualização da introdução e as notas a rodapé, “tão esclarecedoras como imprescindíveis”.
A professora explicou que Ricardo Carvalho Calero, orador. Discursos e leccións trata-se dum livro “singular” que “nasceu no inverno passado e invernou na primavera”. Assim, chega já no outono para reivindicar o “ora et labora incessante” que define a trajetória do ferrolão, num afão constante de outorgar-lhe significado à nossa língua e literatura.
Segundo explicava García Negro, era a dimensão “que o perfilava como orador” a que melhor acaía a esta achega. Do mesmo modo, insistiu Valentín García, secretário geral de Política Linguística, no rol central da palavra vencelhado ao labor que desenvolve a câmara, ideia que resumiu também Carvalho-Calero Ramos: “Se o Parlamento deve ser a casa da palavra, é lógico que se saliente esta faceta dum autor especialmente douto no eido”, resumiu.
García Negro debulhou também os critérios para a seleção dos contidos. Em primeiro lugar, desde um ponto de vista cronológico, vai de 1930 a 1988, “toda uma vida”, destacou. Desde uma perspetiva temática, o livro inclui a abordagem de figuras como Rosalía de Castro, Ramón Cabanillas ou Otero Pedrayo, a quem o catedrático dedicou ampla parte dos seus estudos. No estilístico, Negro salientou desde o carácter mais cuidado dos discursos a aqueles mais improvisados, ambos os dous como representação do domínio da oratória.
É esta antologia uma obra de “interesse histórico salferido de notas autobiográficas” que levaram a pessoa leitora a acompanhar Carvalho de Ribadávia a Londres, de Compostela a Cambados, ao longo das 16 peças que a compõem. Trata-se duma parte “muito pequena em número e muito grande em qualidade”, proclamou Negro.
Vítor Freixanes, presidente da Real Academia Galega, reconheceu que o livro está “muito bem editado, com a pulcritude que os contidos merecem” e celebrou a escolha duma fotografia que racha com a seriedade associada ao mestre, em favor dum “dom Ricardo pícaro, cheio de cumplicidade”, comentou. Igualmente, resumiu a enorme relevância dos discursos nas suas “achegas à crónica do século XX, uma viagem pelo galeguismo da época” que vai desde o entusiasmo à resistência em tempos escuros, por mor do devir histórico.
Contou García Negro que também um 1 de outubro, mas de 1930, no paraninfo da Universidade de Santiago, o próprio Carvalho inaugurava o curso proclamando com valentia: “Galiza existe”. Desde o anedótico lembrava o inegável compromisso ao longo duma brilhante carreira que se via truncada pelo estalido da Guerra Civil espanhola.
Com um repasso vital que se ergue na gabança das diversas façanhas de Calero numa biografia entregada à causa da Galiza, a investigadora chamou a não esquecermos o valor artístico da obra do homenageado, ainda em grande parte por estudar desde o mesmo rigor que el dedicou às achegas literárias de outras e outros. García Negro fez igualmente finca-pé no seu fundo labor em colaboração com o associacionismo, em múltiplas entidades como a Asociación Socio-Pedagóxica Galega (AS-PG), a Associaçom Galega da Língua (AGAL), a Aula Castelao ou a Mesa pola Normalización Lingüística, por tirar alguns exemplos. A antóloga concluiu com o presente de dous adjetivos bem escolhidos, ainda que semelhem em aparência contraditórios: “amor pelo sujeito estudado e objetividade no seu tratamento”.
Freixanes mencionou na sua intervenção que a RAG era ciente de estar a “abrir um debate” com a escolha de Carvalho Calero como homenageado em 2020, que pode continuar mesmo se o seu ano remata simbolicamente o 31 de dezembro. Parecia assim reconhecer que as próximas Letras Galegas se dedicarão a outra pessoa, em resposta ao comunicado feito pela Federación de Asociacións Culturais Galiza Cultura a passada quarta feira, que interpelava direitamente a RAG a alongar o reconhecimento durante 2021, dadas as especiais circunstâncias que marcaram este ano. “Mas as reflexões e o diálogo seguem abertos”, concluiu Freixanes.
Carvalho-Calero Ramos também fez especial lembrança do trabalho do seu pai a prol da presença do galego na “matriz do português”, que transformou a sua figura em bandeira pela sua constante insistência na aspiração de que “a fortuna histórica do galego mudasse ou fosse restaurada”.”

A Coruña: “Simposio Ricardo Carballo Calero 2020”, na Real Academia Galega