Bernardo Atxaga, Escritor Galego Universal

O Consello Directivo da Asociación de Escritoras e Escritores en Lingua Galega (AELG) acordou nomear Escritor Galego Universal ao autor vasco Bernardo Atxaga. Este recoñecemento sustentase en sólidos argumentos: polo seu compromiso ético coas causas da dignidade e en concreto do pobo vasco, e por ser creador dunha extensa e intensa obra, valorada tanto en Euskal Herría como nos máis diversos idiomas aos que foi traducida, na que o éuscaro é ferramenta de expresión da cultura de Euskal Herría e ocupa un lugar de centralidade. A súa obra, escrita e publicada en éuscaro abarca o conto, a novela, a poesía e máis o ensaio é un dos escritores en activo máis recoñecido das letras en éuscaro.
Con este nomeamento, Bernardo Atxaga súmase á lista de Escritores/as Galegos/as Universais conformada por Mahmoud Darwish, Pepetela, Nancy Morejón, Elena Poniatowska, Juan Gelman, Antonio Gamoneda, José Luis Sampedro e máis Lídia Jorge.
O premio será entregado na Gala das Letras, que se celebrará o primeiro sábado do mes de maio do vindeiro 2014 na cidade de Pontevedra.
(A fotografía que acompaña esta información foi obtida da Wikipedia).

Bernardo Atxaga
(Asteasu, Guipúscoa, 1951)
A súa obra abarca conto, novela, poesía e ensaio e foi escrita e publicada integramente en éuscaro. Traducido a numerosas outras linguas, é o escritor en éuscaro máis lido e traducido. Licenciouse en Ciencias Económicas pola Universidade de Bilbao e en Filosofía e Letras pola Universidade de Barcelona.
Membro de pleno dereito da Real Academia da Lingua Vasca desde 2006, en novembro de 2010 tamén foi nomeado membro da Academia das Ciencias, das Artes e das Letras.
Fillo de carpinteiro e mestra, marchou a Bilbao para cursar os seus estudos universitarios, logrando a licenciatura en Ciencias Económicas pola Universidade de Bilbao en 1973. Pouco antes, en 1972, escribira o seu primeiro texto en éuscaro: Borobila eta puntua, breve composición teatral integrada na antoloxía Euskal literatura 72. Os seus textos chegaron ao escritor bilbaíno Gabriel Aresti, quen xogaría un papel importante no mozo Atxaga, animándoo a escribir, augurándolle un gran futuro e aconsellándolle así mesmo a lectura dalgúns clásicos da literatura en éuscaro.
Traballou nun banco de Donostia, publicando en 1975 os seus primeiros textos na revista literaria Panpina Ustela, que publicou durante algún tempo xunto con Koldo Izagirre. A finais dos 70 regresou a Bilbao, traballando en numerosos oficios (instrutor de eúscaro, guionista para programas de radio, vendedor de libros, economista, etc.) que combinaba coa escritura. En 1976 viu a luz a súa primeira novela, de corte vangardista, Ziutateaz á que seguiría o poemario Etiopia (1978), obra fundamental na poesía vasca contemporánea e que pechaba a traxectoria vangardista do autor. Foi membro do grupo literario de vangarda Pott (1978-1983) xunto a Joseba Sarrionandia, Ruper Ordorika, Jon Juaristi e outros escritores.
A comezos dos 80, Atxaga decide dedicarse profesionalmente á literatura. Marchou a Barcelona, onde se licenciou en Filosofía e Letras. Tras publicar varios contos en diversas revistas literarias, aparece por primeira vez o universo Obaba, onde se localizan moitas das súas seguintes obras, entre elas novela Bi anai , que o devolveu á primeira liña da literatura vasca. Tras un silencio de tres anos, en 1988 publicou a súa obra máis exitosa, Obabakoak, un híbrido entre novela e antoloxía de contos que foi traducida a 26 idiomas e que gañou o Premio Nacional de Narrativa en 1989. Algunhas das narracións aparecidas na obra foron levadas ao cinema en 2005 por Montxo Armendáriz, co título de Obaba. Tras Obabakoak, en 1993 Atxaga deixou de lado a literatura baseada na fantasía para abrir un ciclo realista, sobre todo mediante as novelas Gizona bere bakardadean (1993), finalista no Premio Nacional de Narrativa e Zeru horiek (1995). En 1996 apareceu unha nova antoloxía de textos e poemas baixo o título Nova Etiopía, que inclúe un CD no que diversos cantantes e grupos vascos musican os seus poemas. Dous anos máis tarde apareceu o ensaio Groenlandiako lezioa (1998).
Xa no século XXI, publicou catro obras: en 2003 publicou na editorial Pamiela Soinujolearen semea , unha novela que trata sobre a desaparición do mundo de Obaba, “un mundo que deixou de existir”, segundo o propio autor. Finalizado o ciclo Obaba, publicou as obras Lekuak (2005) e Markak. Gernika 1937 (2007), no que recolle reflexións sobre o bombardeo desta vila. E no 2009 sae á luz a novela Zazpi etxe Frantzian, publicando ao mesmo tempo as versións en éuscaro, castelán, catalán e galego, sendo das primeiras veces que se publica un libro en todas as linguas oficiais de España.

Cesáreo Sánchez: “A nossa relação reintegradora com a Lusofonia permitirá-nos não ficar como náufragos no mar da espanholidade”

Entrevista a Cesáreo Sánchez no Portal Galego da Língua:
“Recentemente a Asociación de Escritoras e Escritores en Lingua Galega (AELG) distinguiu a escritora portuguesa Lídia Jorge como Escritora Galega Universal. No Portal quigemos entrevistar o presidente desta instituição, Cesáreo Sánchez Iglesias, que muito amavelmente respondeu as nossas perguntas.
– Portal Galego da Língua (PGL): Este ano coubo à escritora portuguesa Lídia Jorge recolher o prémio a escritora galega universal, evento patrocinado pola AELG. Poderias relatar-nos a experiência e a interação que se suscitou com a autora?
– Cesáreo Sánchez (CS): Nomear uma escritora portuguesa escritora galega universal foi para nós oferecer um abraço fraterno e é assim que foi recebido por ela. Fôrom uns dias cheios de comunicação emocionada. Foi um presente a conversa com Lídia Jorge, escritora cultíssima e sensível. É uma carícia para a alma a sua inteligência cheia de ternura, com um sentido ético do trabalho do escritor e dos caminhos polos quais tem que andar toda a sociedade para ser justa, que dá alento. Pola minha, banda pudem partilhar com ela e com o seu companheiro Carlos, tempos onde pessoas como o Zeca Afonso, ou Pedro Tamen nos fôrom e são tão próximas. Ao fim e ao cabo, somos de gerações comprometidas com os nossos presentes e com as nossas terras. Somos da geração dos que pensam que «o povo é quem mas ordena».
Estamos especialmente felizes, eu e mais os colegas e colegas da AELG, porque o prémio a comovesse e a fizesse feliz, que pudesse partilhar connosco um dia de celebração literária, apesar da situação tão dura que estamos a viver no nosso idioma e na nossa cultura.
Para nós, como o foi para ela, revelou-se muito importante a dimensão mediática que o nosso reconhecimento tivo em Portugal, em todas as televisões e na imprensa escrita. Neste momento tão destrutivo para a cultura e a sociedade portuguesa, fôrom conscientes de que as escritoras e os escritores galegos estamos a caminhar com eles, a cantarmos com eles também o Grândola Vila Morena.
– PGL: No passado tem sido o grande autor angolano, Pepetela, o escritor que recolheu o galardão. Estão Angola e a Galiza unidos pola língua?
– CS: Para a AELG foi abrir aos nossos compatriotas uma janela à Lusofonia mais desconhecida. Os estudantes que estivérom no auditório da Universidade de Compostela a escuitar a sua palestra ou colóquio, acho que nunca o esquecerão, como não o esquecerei eu. Para mim, também foi importante conhecer os processos das línguas nacionais que há na  Angola e os debates que está a haver.
Evidentemente, estamos unidos pola mesma língua, que dá a luz a realidades tão diversas como a angolana, moçambicana ou brasileira. É um tesouro que temos e não de passado, mas de futuro para a nossa língua. A nossa capacidade de manter cada vez mas forte a nossa relação reintegradora com a Lusofonia permitirá-nos não ficar como náufragos no mar da espanholidade. Vai-nos a vida como idioma e como povo ter capacidade para desenvolver cada vez mais um reintegracionismo normalizador.
– PGL: É habitual e muito antigo o discurso da “irmandade” entre a Galiza, o Brasil, Portugal… são tempos para passar dos discursos às práticas?
– CS: Acho que só se trabalhamos em mudar as escassas relações com a cultura em português, esta realidade mudará, para o nosso bem. Pessoalmente, mantivem desde sempre uma relação enriquecedora com a cultura portuguesa, com os seus poetas (como Carlos de Oliveira), que são alicerce da minha obra. Quando presidia A Nosa Terra ou Edicións A Nosa Terra, nunca nos esquecemos de olhar para os irmãos do sul. Na atualidade, e desde que esta equipa diretiva está à frente da AELG, há uma secção da Lusofonia que coordena Carlos Quiroga e com que levamos adiante jornadas importantíssimas como Letras na Raia, onde escritoras e escritores galegos e portugueses, fundamentalmente os mais novos, partilhávamos conhecimento e relações pessoais.
Acho que este é o caminho, e foi determinante o apoio de Carlos: ele abriu-os todos as portas com o seu conhecimento das suas literaturas e a sua relação com todos os escritores da Angola, Moçambique ou o Brasil. Julgo que se fizo muito, tendo em conta os poucos meios de que dispomos hoje.
Ali onde tenhamos alguma responsabilidade cultural ou literária, é importante que a exerçamos pensando que o galego não acaba no Minho, que só é uma fronteira simbólica que colocárom e continuam a colocar para nos afastar de nós próprios e assim nos negar a nós mesmos como povo e idioma.
– PGL: Na atualidade, não existe uma grande interação entre literatos e literatas da Galiza com os seus homólogos brasileiros, portugueses, angolanos… Que medidas se poderiam tomar para paliar este défice?
– CS: Certamente, existem poucas relações pessoais ou diminuírom muitíssimo as que havia. Para mudar isso é que fizemos diversas jornadas e encontros como os que citei antes. Sempre me guiou o pensamento de que não podia haver menos relações na atualidade das que havia aquando a minha geração tinha amizades com Eugénio de Andrade, com Ramos Rosa, com Pedro Tamen ou com Viale Moutinho, entre outros. Ramos Rosa seguiu sempre a poesia dos mas novos na Galiza, adorava a poesia de Eusebio Lorenzo Baleirón, por citar um caso.
Acho que é responsabilidade de todos, cada um no seu âmbito de trabalho, manter uma relação mais intensa com os nossos homólogos na Galeguia.
À falta das inexistentes relações institucionais, são necessárias as relações no âmbito da universidade, nas organizações políticas e sociais, em todas as plataformas culturais que tenham possibilidade de relação. E, se se me permitir a nível pessoal, eu aconselho visitar Portugal como mínimo uma vez ao ano, para curarmos a alma de tanta espanholidade que nos abafa e quer colonizar.”