Vilagarcía: presentación de Atila no Grove, de Antón Mascato
Compostela: presentación de Ioga GZ, de Pablo Orza
Mondoñedo: conferencia “Álvaro Cunqueiro e José Lezama Lima”, por César Cunqueiro
Compostela: presentación de Ceos galegos 2020. Calendario astronómico
Betanzos: presentación de Luzbell. O demo bombilla, con Xosé Tomás
Ramón Villares e Paco Martín, Premio ex aequo Otero Pedrayo 2019
Desde
a Real Academia Galega:
“O xurado do Premio Otero Pedrayo 2019 acordou por unanimidade na xuntanza mantida a semana pasada conceder o galardón ex aequo a Ramón Villares e a Paco Martín. O académico e o escritor recibirán o galardón nun acto que se celebrará na Deputación de Lugo.
O Premio Otero Pedrayo foi instaurado no ano 1977 e na actualidade é promovido polas catro deputacións provinciais galegas e a Xunta de Galicia. A Deputación de Lugo encárgase este ano da organización do galardón, que recoñece a dúas figuras da cultura galega con raíces nesta provincia. (…)”
A Coruña: recital de Baldo Ramos e Maram al-Masri no Ciclo Poetas Di(n)versos
A
segunda
feira 16 de decembro, ás 20:30 horas, no Auditorio do Centro Ágora (Rúa Ágora, s/n) da Coruña, terá lugar unha nova edición do Ciclo Poetas Di(n)versos, coordinado por Yolanda Castaño e promovido polo Concello da Coruña, cun recital de obra propia nun man a man de Baldo Ramos e a poeta siria Maram Al-Masri. Máis información aquí: Folleto Poetas Di(n)versos decembro 2019.
Celia Díaz Núñez: “Este libro adícoo á memoria de meu pai, que era xastre”
Entrevista
a Celia Díaz Núñez en La Región:
“(…) – La Región (LR): Que ten en común coser e escribir?
– Celia Díaz Núñez (CDN): Escribir é un oficio que require moita dedicación. García Márquez comentaba que a tarefa de escritor era moi parecida á de carpinteiro, porque había que poñer moitos cravos. Como son filla de xastre, fixen as similitudes coa costura: para facer traxe necesitas unha tea bonita, na literatura un argumento interesante. O xastre utiliza moitas puntadas e o escritor é un artesán das palabras. A palabra relato ten moito que ver con retallo. Pequeniños textos, pequeniños detalles. Este libro [Corte e confección] adícoo á memoria de meu pai, que era xastre.
– LR: Son relatos de temas cotiáns?
– CDN: Son relatos de temas moi variados e actuais: violencia de xénero, explotación sexual das mulleres, soidade dos anciáns, abandono do rural, a beleza da paisaxe rural fronte á carencia de servizos…
– LR: É un libro pausado, de buscar as palabras exactas?
– CDN: Eu é que son moi lenta escribindo! Procuro traballar moito as palabras. As puntadas. Son relatos fáciles de ler, algúns deles moi curtos. É a primeira vez que publico relatos, sempre escribín novela ou teatro.
– LR: Sendo docente, inflúe tocar os temas actuais que menciona?
– CDN: Cando escribo para rapaces escribo de temas interesantes para eles. O último que escribín é un libro sobre os nenos migrantes, teñen que estar informados. Nos anteriores libros, temas máis fantásticos. Agora interésanme os temas dos que falas con eles en clase, coma estes, dos que teñen a súa opinión. (…)”
Tiago Alves Costa: “Espero que este livro seja acima de tudo uma proposta de revolução”
Entrevista
de Daniel Amarelo a Tiago Alves Costa no Portal Galego da Língua:
“(…) – Portal Galego da Língua (PGL): Ao longo de todo o livro [Žižek vai ao ginásio] parece que a forma ganha a batalha contra o conteúdo. Lemos e importamo-nos mais com como se sente e como se passam as cousas do que com o que se sente e o que se passa. Achas que nestes tempos de desmaterialização – do trabalho, dos relacionamentos, até do corpo – a poesia vai sair prejudicada ou fortalecida? Qual o papel da poesia na nossa contemporaneidade?
– Tiago Alves Costa (TAC): A poesia será sempre um meio de revigorar uma época, seja ela qual for. Neste momento e mais que nunca a poesia é uma urgência. Sob o limiar da falência das palavras, neste espetáculo diário de humilhação, expostos aos olhares dos outros à procura da melhor pose, a poesia é uma linha de fuga contra o delírio dos nossos dias. Ainda sem distinguir se somos personagens ou pessoas – nós somos os protagonistas, dizem os lemas publicitários – a poesia surge como um elemento transfigurador deste tempo narcísico, onde o Eu se assume numa clara posição de centralidade não dando espaço ao “outro”, aos outros, à diferença, ao estranho; daí surgem também os discursos xenófobos, que aliás, já pendem sob as nossas cabeças.
– PGL: Qualquer leitora deste livro terá reparado, no fim, em que é até certo ponto uma obra meta-literária, que brinca com muito humor com o próprio papel do poeta, o seu lugar no mundo, o seu habitus. Que relação tens com o poema? Como surgiram estes aqui presentes, que conformam o Žižek?
– TAC: Tenho uma relação com o poema que vai do desejo à rejeição. A maioria das vezes não nos damos bem, ou, talvez, façamos de conta que não nos conhecemos, como se fossemos duas pessoas que se cruzam na rua e se olham, conheço-te de algum lado. Eu fico a olhar para ele, ele fica a olhar para mim, há uma tentativa de aproximação, imaginamos que qualquer coisa de singular poderá acontecer, e, de repente, afastamo-nos. Os poemas de Žižek vai ao ginásio seguem um fio condutor de Mecanismo de Emergência, são fruto da investigação que tenho desenvolvido nos últimos cinco anos e que se traduziram nestes dois livros que a Através Editora teve a enorme coragem de publicar; é um processo que passa por escavar na própria imprevisibilidade das coisas, no quotidiano, nos fenómenos comuns, farejando a vida numa tentativa de demolir-me a mim mesmo e revolucionar silenciosamente o meu modo de ver o mundo. (…)
– PGL: Aquilo que se impõe à (imagem de) liberdade parece percorrer sibilinamente o corpo deste livro-sistema nervoso. Qual é o fundamento político último desta tua obra?
– TAC: Gosto muito dessa tua definição de livro-sistema-nervoso. Quanto a esta questão, a Agustina Bessa-Luís tinha uma frase que me tem acompanhado ultimamente: Um país fabricado em miséria, é um país condenado à política. A poesia é uma forma de expressão cultural, sendo perfeitamente concebível o uso de uma estética poética para traduzir um conjunto de inquietudes políticas que invariavelmente marcam a minha obra. Espero que este livro seja acima de tudo uma proposta de revolução, ou até mesmo um último reduto de liberdade.
– PGL: Afirma-se no prólogo, após citar um dos poemas mais brilhantes do livro, que “as palavras contêm tudo: a denúncia e a citação, o relato e as suas feridas”. Escreve-se contra a linguagem, através da linguagem ou apesar da linguagem?
– TAC: Escreve-se sobretudo contra as amarras da linguagem. A própria leitura de poesia pode convocar um deliberado mal-entendido ou potenciar um conflito na linguagem ou mesmo ações que estourem com a domesticação da palavra que vive ao serviço do poder, seja ele qual for. Pensar a poesia também é mudar de posição relativamente à própria linguagem, ou como diria Gaston Bachelard, não olhar sempre da mesma maneira para as palavras; apesar da linguagem.”





