

Desde a Academia Galega da Língua Portuguesa (AGLP):
“António Gil Hernández, professor, escritor e sociolinguista, com uma ampla produção sobre a língua e a literatura da Galiza realizada nas últimas quatro décadas, é o novo presidente da Academia Galega da Língua Portuguesa (AGLP).
Numa reunião extraordinária do Pleno da instituição, celebrada em Compostela, foi eleita a nova Comissão Executiva da AGLP para os próximos quatro anos. Está conformada pelas seguintes pessoas:
Presidência: António Gil Hernández
Vice-Presidência 1ª: Concha Rousia
Vice-Presidência 2ª: Rudesindo Soutelo
Tesouraria: Ângelo Cristóvão Angueira
Secretaria: Pedro Emilio Casteleiro López
Vice-Secretaria: Maria Seoane Dovigo
Arquivo e Biblioteca: Joám Trilho Pérez
Vogais: Antia Cortizas Leira e Mário Herrero Valeiro. (…)”
Entrevista de Víctor Giadás a António Gil Hernández no Portal Galego da Língua:
“(…) – Portal Galego da Língua (PGL): O livro recolhe as ideias de V/Biqueira em diversos âmbitos. Fica hoje algo de V/Biqueira no pensamento atual galego?
– António Gil Hernández (AGH): Para o comum das pessoas e mesmo das associações, acho que as ideias biqueiranas ficam esquecidas, se nalgum momento foram conhecidas, e ignoradas. Porém, há pessoas, como José L. Dopico Orjais, que se preocuparam com o conhecimento e expansão da pessoa e ideias de Biqueira, também e mesmo familiar, através, por exemplo, da esposa Jacinta Landa e familiares, hoje mexicanos. Aí está o volume e CD que recolhe as canções (galegas, portuguesas e extremeñas) que Jacinta manteve vivas na memória.
Tempos atrás, estudiosos do krausismo (Ángel Porto Ucha e Purificación Mayobre) também se preocuparam com o conhecimento de Biqueira como protótipo do krausismo na Galiza e Portugal.
– PGL: Para quem deveria ser uma leitura imprescindível?
– AGH: Depende dos textos, dos artigos. Cumpre dizer que bastantes dos artigos ou série de artigos que Biqueira escreveu são consultáveis na rede, mormente no Boletim da Institución Libre de Enseñanza. Eu tenho recolhidos no volume Obra Seleta todos os artigos publicados em ANT. Neste de Através, Poemas e Ensaios, retomo alguns deles.
Interessantes para os especialistas são os textos, abundantes em proporção aos anos que Biqueira viveu, sobre psicologia, pedagogia e mesmo filosofia; transcrevo alguns traduzidos para português (galego) neste mesmo volume, Poemas e Ensaios.
– PGL: Estamos no centenário da morte de Viqueira e, ligando com a pergunta anterior, achas que ainda importa a sua figura 100 anos depois?
– AGH: Sem dúvida. Por exemplo, a sua proposta, esclarecida, da criação de uma faculdade ou, antes, universidade galega, verdadeiramente galega, em que a cultivação do idioma “próprio” seja primordial. Ou a criação de estabelecimentos educativos de “formação profissional” adequados às necessidades da sociedade galega. Ou apenas (?), referida aos processos comunicativos na Galiza, a prática do idioma coerente com a meta que Biqueira resumiu: “Viver no português é viver no mundo”, enquanto se afastar do português equivale a morrer como idioma e como comunidade singelamente humana. Esta é ideia forte que Castelão explicou generosamente no Sempre em Galiza. (Não paradoxalmente esta “bíblia do nacionalismo galego” pode ser considerada expansão das ideias e escritos de Biqueira sobre o Galego e a Galiza. (…)”
Entrevista de Valentim Fagim a Victorino Pérez Prieto no Portal Galego da Língua:
“(…) – Portal Galego da Língua (PGL): O teu processo para te tornares galego-falante está vinculado ao bacharelato e, sobretudo, com a tua decisão de te tornares sacerdote.
– Victorino Pérez Prieto (VP): Aos dez anos fui a Compostela para fazer o Bacharelato no seminário de Belvis. Ali vivi menos essa repressão do galego na escola; fui aprendendo-o mais, escutando os amigos fora das aulas e lendo os primeiros textos na nossa língua. Ao concluir, depois dum entusiasmante COU experimental, onde comecei a tomar gosto ao estudo, fui a Valladolid para estudar Arquitetura, onde o galego estivo totalmente ausente. Pero num verão, após uma profunda conversão religiosa, deixei esses estudos e entrei no Seminário de San Martinho Pinario, para fazer os estudos eclesiásticos de Filosofia e Teologia.
De novo em Compostela, mudou a minha perspetiva. Deixei a minha vida burguesa, e, no compromisso com a causa libertadora de Jesus de Nazaré e do Evangelho, cheguei à realidade da Galiza como um povo com uma língua e uma identidade própria. Compreendi que, se eu queria servir esse povo, tinha que defender a sua língua e a sua identidade e comprometer-me no seu desenvolvimento sociopolítico. Por isso, desde o começo tomei a decisão de falar sempre em galego, sobretudo em publico. Era uma postura fundamentalmente ética; e nela fui mais consequente e radical que mesmo os meus companheiros que falavam galego de nascimento. Esta postura alimentou-se com a leitura de Castelao, Otero Pedrayo e outros velhos galeguistas; e ao mesmo tempo com os meus contactos com o nacionalismo, sobretudo com os estudantes da ERGA. (…)
– PGL: Na hora de criar textos em galego, o português servia como referente? Em geral, que relação havia com a sociedade portuguesa e com o português nos movimentos cristãos mais galeguistas?
– VP: Nos começos não, os textos para a liturgia que fazíamos e as revistas em que publicávamos –o semanário Irimia, da qual fui doze anos diretor, e a revista bimensal Encrucillada– fazíamo-lo no galego normativo, como as colaborações que tinha noutras publicações como o semanário A Nosa Terra e outros, e diários como El Progreso.
Os textos para a liturgia começaram a fazer-se em galego-português com Martinho Montero Santalha, companheiro na diocese de Mondonhedo-Ferrol; foi uma opção que não muitos compreenderam, sobretudo pela dificuldade para ler que supunha para as pessoas. A relação dos cristãos galeguistas com o reitegracionismo era, em geral, escassa e tirante; alguns amigos temos debatido arduamente sobre isto em Encrucillada defendendo publicar textos em reintegrado e mesmo em português. No meu livro Galegos e cristiáns (Vigo 1995) falei de Martinho e do que chamei carinhosamente “O outro galeguismo cristián”: Isaac Alonso Estraviz (que já publicara nessa ortografia o livro dos Salmos e outros textos), Joám Trilho, Antom Gil Hernández, Maria do Carmo Henríquez Salido, Joam José Santamaria, etc. Com eles começamos a relação com o português, ainda que eu já tivera relação com a Igreja portuguesa em encontros anos atrás. (…)”