Víctor Freixanes: “Carvalho Calero é a crónica do galeguismo do século XX”

Entrevista de Laura Ramos Cuba a Víctor Freixanes no Portal Galego da Língua:
“(…) – Portal Galego da Língua (PGL): Carvalho Calero acabou de ser escolhido como figura homenageada para as Letras Galegas de 2020. Esta era uma reivindacação contínua de diversos movimentos sociais que, anos depois, é satisfeita. Como avalias esta resolução por parte da Academia?
– Víctor Freixanes (VF): Há tempo que a Academia é ciente de que a figura de Carvalho Calero não podia ser adiada nem marginalizada. Não deixa de ser uma injustiça histórica que não se reconheça o compromisso, o trabalho e a vida que este homem dedicou à cultura, à literatura, à língua galega… Mesmo com obras como a História da Literatura ou como a sua própria significação como primeiro catedrático de Língua e Literatura Galega na USC em 1972. Foi professor de muitos de nós, a mim leccionou-me Língua e Literatura Galegas… É certo que havia uma história detrás de desencontros, digamos assim, entre uns setores da Academia e o próprio Carvalho Calero e as suas posições arredor da língua na última etapa da sua vida. Eu acho que a nova sensibilidade da Academia está em que isso é um capítulo que forma parte da história e da pluralidade democrática dum país. E, portanto, o currículo e a memória histórica de Carvalho Calero não a vamos discutir. Havia que encará-lo com clareza, com transparência, com naturalidade e, também, aproveitando, não o oculto, que esse ano se cumprem 110 anos do seu nascimento e 30 desde a sua morte. São esses números redondos que dão pé a dedicar-lhe o ano a Carvalho Calero, que ademais também coincide com a reclamação que fizemos já ao Concelho de Ferrol para que restaurem a sua casa, de quem já vimos boa disposição. É uma oportunidade, era algo que até eu tinha que assumir. (…)
– PGL: Que destaca da sua figura e da sua obra? Quer a nível individual quer como presidente da Academia, como vai ser abordado o ideário linguístico de Carvalho?
– VF: Bem, vamos ver… A Academia tem dous momentos, além doutro tipo de atividades como são o Portal das Palabras ou a Primavera das Letras, que está pensado para escolas de primária a iniciativa dos professores. Destes dous momentos um é a celebração do Dia das Letras, com a intervenção formal dos académicos ao redor da figura de Carvalho. Então escolheremos três académicos que abordem a figura de Carvalho Calero desde diferentes perspetivas. E depois, em segundo lugar, haverá um simpósio académico onde haverá distintas vozes sobre a sua figura e onde todas as vozes que tenham algo que dizer, podam dizê-lo. Se têm que estar três dias, serão três dias, mas todo o mundo com uma posição documentada e consistente, terá espaço para poder dizê-lo com a madurez que permite hoje uma sociedade, incluso uma sociedade galego-falante, que pode abordar estes temas com uma tranquilidade, documentação e conhecimentos que não existiam há trinta anos.
Então isso também vai permitir que a figura de Carvalho Calero seja abordada dessa perspetiva, mas não é a única perspetiva de Carvalho. E isso também é importante. A Academia não aborda Carvaho Calero pelo tema da proposta ortográfica, senão que homenageia a sua figura histórica. Carvalho Calero é, de forma semelhante a António Fráguas, a crónica do galeguismo do século XX. Carvalho Calero viveu desde o período pré-Guerra Civil e República, porque é um homem muito comprometido com a República, o galeguismo do momento, o Seminário de Estudos Galegos e o Partido Galeguista… participa inclusive com Lois Tobio na redação do anteprojeto do Estatuto de Autonomia que promove o Seminário… Quer dizer, há uma série de atividades objetivas de Carvalho. E depois, na guerra, ele é uma vítima da repressão, com todas as consequências. É uma situação muito grave que eu penso que o afetou emocional e psicologicamente, afetaria a qualquer pessoa.
Depois, é um homem do que chamaríamos o exílio interior. Pratica um bocado -como aconteceu ao próprio Antonio Fraguas e Fernández del Riego– a clandestinidade. Ele viveu exercendo de professor às escondidas para manter a sua família. Foi uma situação muito dura. Teve a sorte de ser acolhido por António Fernández no [instituto] Fingoi, e aí está atuando já o grupo Galaxia, os que foram os fundadores de Galaxia. E ele não pode exercer como professor e é contratado como gerente! Ali chegaram também para serem professores pessoas como Ferrín ou o próprio Bernardino Graña. E nesse momento começa a trabalhar com Fernández del Riego –porque eram amigos íntimos– na História da Literatura Galega Contemporánea. E nesse livro de correspondência entre os dous é impressionante ver como trabalham, com que constância, com que método, com que teimosia… É um retrato dos dous, como procuram os livros, como os vão pedir… Claro, porque agora tudo está na Internet e há umas bibliotecas muito boas, mas daquela não havia nada. Encontrar um original de Proezas de Galicia de Fernández Neira ou encontrar uns documentos do que podia ser o galego patriótico da guerra contra os franceses, ou os primeiros textos em língua galega dos Precursores… Aí também estava Penzol, que estava comprando muito livro e dotando o que depois seria a partir de 1963 a biblioteca da Associação Penzol, e todos estavam aí puxando e construindo…
Ou seja, sou consciente de que Carvalho era o historiador da literatura e o gramático, porque foi a quem lhe encarregaram a Gramática do Galego Comum, de Galáxia, porque antes não havia nada, era uma seleção. E com esse material, Carvalho é quem nos dá aulas a nós na faculdade. (…)”

5a Feira do Libro de Burela

“As Letras non poden transcorrer nunha liorta empobrecedora entre carballistas e carvalhistas”

Entrevista en Sermos Galiza:
“(…) – Sermos Galiza (SG): Xa está na rúa o libro Hei de entrar no meu povo. Como se xestou o traballo?
– Resposta (R): Dous dos coordinadores do volume, con moitas outras persoas, colaboramos hai corenta anos con Medulio (organizador en decembro de 1981 da primeira homenaxe da sociedade galega a Carvalho), e logo con Artábria, co Concello de Ferrol (nomeadamente no 1990 e no 2010) e outras entidades na reivindicación da súa figura, un dos grandes vultos, sen dúbida, da vida intelectual e cultural da Galiza do século XX, malia que algúns e algunhas pretendesen, e aínda pretendan, negalo. Nós os catro e media ducia máis que asinamos este libro envorcamos moito máis esforzo de 2013 en diante, con ciclos de divulgación da obra e figura de Ricardo Carvalho, mais certos protagonismos e o nulo éxito na RAG da demanda de Letras galegas para el (sempre apareceu algunha pexa absurda que lle opór) foron deixando xente polo camiño, de xeito que no 2017 ficamos só nós os catro, que de febreiro a maio do 2018 argallamos actividades para lembrar Carvalho. A tal obxecto decidimos editar un libro que recollese as actividades do 2018, especialmente o acto final (coordinado por Xosé Manuel Pazo e Vítor Santalha) e tres das ponencias desenvolvidas: o historiador Bernardo Máiz dá conta en “Carvalho Calero e a política (1926-1990)” de como, despois de 1936-1939 e do silencio obrigado para quen estaba en liberdade vixiada, Carvalho seguiu manifestándose politicamente até no último dos seus escritos e actitudes. En “Ricardo Carvalho Calero, o estudioso da literatura”, Henrique Dacosta afirma que “representou todo para as nossas letras: Nom houvo faceta que nom tivesse chegado a cultivar”; e o profesor Xosé María Dobarro Paz en “Lingüísta por mor dunha causa”, expón como Carvalho “desde mediados da década de 70 pasou a defender publicamente unha aproximación e reintegración da lingua galega na portuguesa”.
– SG: Hai varios colectivos, nomeadamente en Ferrol, a súa cidade natal, que levan moitos anos reivindicando un recoñecemento para Carvalho Calero. Como se sobrelevou o feito de que moitas das campañas organizadas para obter ese recoñecemento institucional -e tamén social- non acadasen os resultados propostos?
– R: Con Artábria tamén andaron en Ferrolterra nesta reivindicación Medulio, o Ateneo Ferrolán, o Toxos e Froles, a Sociedade Artística Ferrolana, a Coordenadora de Equipas de Normalización Lingüística e un longo etcétera; o Concello ferrolán tamén armou un congreso sobre Carvalho no 2010, e aí estivemos sempre nós. Porén, como sinalabamos antes, foi medrando o cansazo, a decepción e o desleixo. Con todo, seguiron pola súa conta algunhas entidades. Nós, con posturas lingüísticas e políticas próximas mais diferentes, mantivemos a unidade de acción. (…)
– SG: Que destacarían de Carvalho Calero? Que importancia ten para a lingua e a literatura galegas?
– R: A súa figura vai alén do debate normativo. Como escribimos no libro, don Ricardo foi un galeguista que, ao longo de case sete décadas, desenvolveu un inmenso labor poético, narrativo, ensaístico, xornalístico, investigador, académico, docente, político… Unha persoa de honestísima traxectoria vital e profesional, desenvolvida en circunstancias adversas, marcada sempre por un profundo e permanente amor á súa terra, ao seu idioma e á súa cultura. Asemade, da súa man moitas galegas, galegos e foráneos puideron por vez primeira achegarse ao coñecemento científico do idioma propio da Galiza e da súa literatura. (…)”

Viveiro: actividades destacadas na Feira do Libro 2019 para os 17 e 18 de agosto

O 18 de agosto finaliza a Feira do Libro de Viveiro (nos Xardíns de Noriega Varela), organizada pola Federación de Librarías de Galicia, cos seguintes actos literarios destacados para estes días:

Sábado 17
18:00 h. Esther López Castro asina María na busca da liña do horizonte na caseta da Libraría Cortizas.
19:00 h. Presentación de Talasonimia da Mariña Lucense, de Francisco Rivas, publicado por Edicións Embora.
20:00 h. Presentación de Matar o heroe, de Adolfo Caamaño, publicado por Galaxia. Con María Loureiro.

Domingo 18
13:00 h. Concerto-presentación de Cantamos, de Luís Vallecillo, publicado por Guindastre Edicións. Posterior sinatura na caseta de Secretaría.
20:00 h. Presentación de Á sombra de María Silgar. Carvalho Calero contra a historia única, de Xulio Pardo de Neyra, publicado por Embora.

Feira do Libro da Coruña 2019: actividades literarias destacadas do 8 de agosto

O 8 de agosto continúa a Feira do Libro da Coruña (nos Xardíns de Méndez Núñez, s/n.), organizada pola Federación de Librarías de Galicia, con horarios de 11:00 a 14:00 h. e de 18:00 a 22:00 h., cos seguintes actos literarios destacados dentro do seu programa para este día:

18:00 h. Presentación de Bergan, de José Lorenzo Tomé, publicado por Baía Edicións. Participan Xosé Manuel Fernández Costas e Belén López.
18:00 h. Presentación de Pelo de nube, de Dani Vieitez e Iria Iglesias, publicado por Embora.
19:00 h. Presentación de Sementes viaxeiras, de Yolanda Castaño e Xosé Tomás, publicado por Embora.
19:00 h. Conversa arredor de Todo isto antes era noite, de Lucía Aldao, publicado por Apiario. Con Dores Tembrás.
19:30 h. Anxo Tarrío e Ana Cristina Vasconcelos asinan O mundo en que vivín, publicado por Hércules de Edicións.
19:30 h. Eduardo Pérez Baamonde asina Cadernos de viaxe, na caseta de Lume.
19:45 h. Presentación de Hei de entrar no meu povo. Reivindicarmos Carvalho Calero, con Bernardo Máiz e Xosé María Dobarro, publicado por Embora.
19:45 h. 10 Tips para Booktubers (maiores de 14 anos). Por Illa Bufarda e booktuber Nubes baixo ti. Obradoiro de creación para booktubers.
20:30 h. Presentación O último barco, de Domingo Villar, publicado por Galaxia.

“Reivindicar a historia de noso desde o Pico Sagro”

Desde Sermos Galiza (foto de David Otero):
“O 19 de xullo de 1924, durante a ditadura de Primo de Rivera, Castelao, acompañado doutros membros das Irmandades da Fala, ascendía ao Pico Sagro, fonte de numerosas lendas e contos populares, para regresar, simbolicamente, cando, exiliado en Bos Aires, escribiu o necesario discurso Alba de Gloria.
Desde 2011, a Federación Galiza Cultura e as asociacións culturais O Galo, de Compostela, e Vagalumes, da Estrada, organizan unha subida ao Pico Sagro para resgatar o espírito daquel ascenso. Nesta ocasión, foi a escritora Marta Dacosta quen pronunciou a intervención principal, de marcado carácter poético, na aba do monte, “obxecto de culto do pobo que por dereito habitaba estas terras antes da primeira colonización coñecida e da cristianización forzosa que quixo ocultar a súa existencia”, lembrou.
Desde o “altar da terra nai”, salientou, parafraseando a Castelao, aludiu a “aqueles homes” que “estaban pescudando a terra que alimenta as nosas raíces, facéndose fortes nelas”. Algo, engadiu, que “nós debemos manter e seguir a practicar: coñecer e sentir orgullo do que somos”.
Nesta liña, Marta Dacosta insistiu na necesidade de sacar á luz e visibilizar “as abas da nosa historia como realmente foron, para así sabermos se acadamos o cume ou aínda temos que percorrer un traxecto necesario e convocar o noso pobo para que comprobe de que elementos estamos feitos. E se, coma este monte, estamos feitos de cuarzo, somos duros e transparentes, como Castelao foi”.
A escritora reivindicou a imaxinación como un elemento imprescindíbel para recoñecérmonos. Precisamente, Castelao advertía no Alba de Gloria ese “evocar algo irreal, algo puramente imaxinario, que co seu simbolismo nos deixe ver o pasado para proveito do futuro”. “A imaxinación é hoxe o fío co que cosemos os anacos de nós que imos recuperando”, afirmou, para se debruzar, a continuación, por Lupa.
“Os silencios que se estenden entre os retallos que nacen abeirados aos topónimos que gardan a súa memoria, poñen en marcha a engrenaxe que acaba por se traducir en palabra poética, versos que non esquecen a imaxe da escultura que retratou o seu somentemento á igrexa, case a única imaxe que chega a nós”, pronunciou Dacosta, que advertiu que a historia de Lupa “foi sempre utilizada como elemento negativo na construción do relato da vinculación do apóstolo Santiago con Compostela”. “Retallos á sombra da historia que outros nos dixeron real: a xangada de pedra portadora de ósos sagrados na loita pola construción dun pasado cristián que dese poder e riqueza ás terras recuperadas. Un relato que se repite en diferentes latitudes e que, se o lemos ben, fala de loitas de poder. Lendas de poder que aínda hoxe prevalecen e nos impoñen unha forma de mirar á historia”, agregou a escritora.
Nesa denuncia pola manipulación e ocultación da historia galega, Marta Dacosta tirou de Carvalho Calero, quen nunha entrevista publicada en A Nosa Terra, sinalaba, “mentres non decidamos suicidarnos como pobo temos que confiar na posibilidade de rectificar a historia e a historia, por suposto, ten que ser rectificada”. E esa rectificación da historia levou máis dun cento de persoas a ascender na mañá do sábado ao Pico Sagro.
A intervención de Dacosta insistiu no puramente imaxinario como “como cemento necesario para edificar a casa de noso”. “Nese lugar creamos, ás veces, as poetas, procurando construír a rede que nos sosteña, o cobertor que nos abrigue”.
“Como galega, é dicir, muller nacida nesta terra, consciente da miña identidade, da miña clase e de que esta sociedade precisa ser transformada, poño ao dispor de cantos me acompañades o pouco que sei facer, enfiar palabras coas que nomear a emoción. Con esa vontade, deixeime levar un día polo galopar das eguas entre a néboa e corporeicei a raíña pagá que foi sepultada baixa as palabras oficiais, para que das súas cinzas nacese a nosa vida. É o meu particular xeito de “ver o pasado para proveito do futuro”, concluíu a escritora.
A xornada da mañá completouse coa lectura de poemas por parte do obradoiro de declamación da Asociación Veciñal e Cultural Agra do Orzán, da Coruña, co izado da bandeira, coa lectura de Alba de Gloria, da que tamén participou a Agrupación Cultural Alexandre Bóveda, da Coruña, e coa visita ás covas do Pico Sagro.
Após o xantar, amenizado polo grupo musical Maraxe, a poeta Iolanda Aldrei guiou as persoas participantes polo mosteiro de Camanzo, onde se conservan pinturas do século XVI. Após visitar o templo, realizarase unha visita guiada, a cargo do director do Museo da Minaría de Volframio, polo poboado mineiro de Fontao.”

Homenaxe A Escritora na súa Terra a Pilar Pallarés: resposta á Laudatio, por Pilar Pallarés

“Na casa da infancia non había libros. O primeiro que tiven foi un para ir á escola. Meu pai comproumo un día en que chovía moitísimo. Cando chegou con el na súa Lambretta, os dous, pai e libro, estaban enchoupados, así que tivo que se facer con outro exemplar, que xa correspondía a unha edición diferente. Eu tiña unha querencia especial polo pobre libro estragado, como se fose un dos cadelos abandonados que tanto me facían chorar. Por iso, cando por fin souben debuxar unhas cantas letras, recompuxen pacientemente a súa capa, cartón macerado pola agua: Leyendas y narraciones del herrero. Non é só que non tivese nin idea de cando escreber un erre e cando dous; é que aquela palabra do final era para min un puro enigma. Tiña ouvido falar de ferreiros e ferradores, mais herrero era só música, suxerencia, a porta de entrada a un mundo próximo ao da poesía. Non comprender o significado libertábame das limitacións da lóxica e facíame pairar sobre o espazo e o tempo. Era o mesmo misterio das cancións que cantábamos saltando á corda, o das palabras en inglés ou alemán nas revistas que traían os emigrantes.

Así evocaba eu hai poucos anos o meu encontro inicial cos libros e coas palabras. Estes días, dándolle voltas ás circunstancias que me trouxeron até aquí, lembreinas e púxenme a desenredar un pouco o fío do novelo. Agora vexo que dese coup de foudre co libro como obxecto procede a miña incapacidade para me desfacer deles, de aí que moitos teñan acabado nunha especie de casa de acollida compartida con algúns felinos; tamén que para ficar ensarillada para sempre nas palabras só había que engadir uns cantos ingredientes: que pelón, na época en que a miña mestra Toñita xa me tiña ensinado os sufixos aumentativos, fose paradoxicamente o mesmo que careca, o cal non facía máis que aumentar o misterio (e como se pode resistir unha cativa ao misterio?); que unhas cantas operacións me retivesen na casa e na cama longos meses (cantos escritores infantís teñen nacido da soidade e do aburrimento!).
Falo de escrita, mais eu fun primeiro, evidentemente, ávida leitora. Misterio, aburrimento e uns pais que se botan a comprar libros para os fillos. A Biblia, unha colectánea de Xulio Verne, a colección RTV. Era xa no inicio da pubertade, en Vigo, e o que máis me impactou foi La busca, de Baroja, que inxenuamente tentei copiar nun amago de noveliña.
Foi nesa cidade onde, só uns anos despois, me tomou por asalto a literatura para sempre. Entre ecos da Revolução dos Cravos e do golpe de Estado contra Allende, nun cuarto usurpado ao irmán con vistas ás illas Cíes, unha adolescente solitaria, exiliada xa dos lugares da nenez e dalgunha das persoas máis amadas, educada polos pais cunhas expectativas que sobardaban amplamente os límites do feminino, caía no fascinio de Neruda, e Vallejo, e Rosalía. Os primeiros poemas imitan torpemente a paixón vital e a exuberancia de Pablo Neruda.
Estaba aínda mui lonxe do ponto en que me encontro aquí, convosco, e non só temporalmente: escrebía adoito, mais sen lle prestar moito interese, pois o que anseiaba en realidade era ser pintora; alén disto, a lingua en que compoñía os poemas xamais me iría levar a ser homenaxeada, nun acto de xenerosidade louca, por ningunha Asociación de Escritoras e Escritores en Lingua Galega. De familia galego falante, por ambas as partes, eu pertenzo á primeira xeración de nenas (non os nenos, aínda) de Culleredo educadas en español para mellor estarmos armadas fronte á vida, que é o que cuidaban facer os adultos.

Non vos quero cansar estendéndome excesivamente no percurso. Moitas persoas e circunstancias me teñen traído até aquí, mais algunhas foron determinantes. Foino coñecer sendo adolescente a Moncho Valcarce, o cura das Encrobas e de Sésamo e Sueiro. Con el tomei conciencia deste país, a Galiza, e da súa opresión, que era e é tamén unha opresión de clase. Mudar de lingua, na escrita e na vida, era inevitábel. E os poemas foron deixando de ser exercicio solipsista para neles coexistiren a reflexión existencial, cun certo tremendismo adolescente, e a mistura de indignación e esperanza que a situación do país me provocaba.
Xa teño contado en moitas ocasiónsque a decisión de argallar un libro e publicar non foi miña. A finais dos setenta a miña amiga Isabel Balaca, que tiña sido secretaria do propietario de La Voz de Galicia, comezou a levarme ás tertulias na casa de Francisco Pillado Rivadulla, o mellor director que tivo o xornal. Fíxolle coñecer os meus poemas e un día Paco organizoume unha encerrona. Andaba polo país o inmenso Luís Seoane e convencéronme para eu lle ler os meus versos, que tiña escritos a man en cadernos. De alí saín, bastante abraiada, con dúas encomendas: recitar os poemas de Lonxe, de Lorenzo Varela, que acababa de falecer, nunha homenaxe do Ateneu da Coruña e levarlle ese mesmo día a Seoane un libro que publicaría, por decisión del, Ediciós do Castro. A noite anterior á homenaxe Seoane morreu subitamente. Foron a súa viúva, Maruxa, e Isaac Díaz Pardo os que se ocuparon de que Entre lusco e fusco existise.
Esa foi a miña entrada no mundo literario. Non coñecía aínda outros poetas da miña idade, nin lidos nin en persoa. Lera a Rosalía, Castelao, Lamas Carvajal, Elipsis e outras sombras de Ferrín, xa nos anos de Vigo. Tamén A esmorga, e antes Los miedos, baixo a impresión provocada polo encontro con Blanco Amor nunha feira do libro coruñesa. Era a primeira vez que tiña diante un escritor de carne e óso, aínda que non soubese mui ben quen era.
Blanco Amor, Luís Seoane, Lorenzo Varela, Dieste. Este último era tamén grande amigo e contertulio de Paco Pillado. Rifoume unha vez por afirmar nun poema de Entre lusco e fusco que tiña podre a alma. Como podía dicer tal cousa unha rapaza tan nova! Mais aínda así acolléronme el e Carmen Muñoz na súa casa, na que tamén había tertulia. Os vencidos da guerra, os exiliados. Escoitarde viva voz a defensa do cuartel da Montaña; a fuxida a Franza entre ringleiras de mulleres, nenos, vellos e soldados feridos; as angueiras en México e na Arxentina e a loita por sobreviveren.

A vida ten sido xenerosa comigo en amigos e en mestres. Foi decisivo nos meus anos de formación Ricardo Carvalho Calero. Tiven a sorte de coñecer a Seoane unha semana antes da súa morte e a don Ricardo un ano antes da súa xubilación. Fun a súa aluna o derradeiro curso en que impartiu aulas na vella faculdade de Mazarelos. Con el o humilde idioma familiar recuperado convertíase no da espléndida lírica medieval e abríase a un mundo que pasaba polo Alentejo e chegaba até o Brasil.
Pouco sabíamos entón os seus alunos de Carvalho, aínda que impresionaba, polo menos a min, ter como libros de estudo a súa Gramática e a súa Historia da Literatura. Mais, claro, tíñase omitido a si propio nela… Algúns fómolo coñecendo de pertonos anos seguintes. En tanto o “holding”, como el dicía, o silenciaba, eran as asociacións culturais de base ou esta mesma AELG as que solicitaban a súa colaboración. Tivo a xenerosidade de nos considerar “colegas”, esa palabra de que gostaba tanto, como se fose posíbel estar á súa altura.

Findo xa. Sempre tiven claro o que para min significa(ba) dar aulas de literatura ou analisar a obra de outr@s. É tentar transmitir o deslumbramento, contaxiar a paixón, confirmar que a literatura axuda a viver e transforma a vida. É ademais, cando da nosa literatura se tratar, oferecer o que á miña xeración lle foi escamoteado e negado, as palabras nas que facer niño para logo botármonos a voar.
O de escreber poesía é xa outro cantar, máis sinuoso, ás veces quebrado en ecos, case sempre contraditorio. Confeso que cando escrebo non penso en vós. Ando a procurar un espello que me reflicta, a min no mundo ou contra o mundo, sen piedade e que revele o que aínda nos sei mais talvez é un fragmento de verdade. Quero coñecerme e coñecer, e que ese coñecimento fale coa voz de sangue. Non me importa agradarvos ou que me entendades, porque aínda non me entendo eu. Estou no alén das fronteiras e dos xéneros, como un gromo que rebenta nun continente novo, no que todo está por nomear. Teimo en achar a palabra exacta, como se fose eu quen a inventase, cousa miña. Mais anda Dieste a susurrarme no ouvido que hai que aspirar a construír unha lingua que poida ser falada por unha estatua, os viciños de Arzúa oude Bergantiños a facerme o galano do seu léxico, as devanceiras a carrexar paxes de palabras que quizais non sabían escreber. Estou soa e en lexión perante o espello. Planeaba un soliloquio e véxome, ao cabo, dialogando convosco.

Pilar Pallarés
Auditorio do Centro Ágora, A Coruña
29 de xuño de 2019

A resposta á laudatio pode descargarse aquí.

Homenaxe A Escritora na súa Terra a Pilar Pallarés: Laudatio, por Eva Veiga

A poesía necesaria

“É para min unha honra e unha ocasión feliz cumprir hoxe nesta Ágora da Coruña cun convite, a laudatio á nosa homenaxeada coa letra E da Asociación de Escritores e Escritoras en Lingua Galega, convite que agradezo fondamente ao seu presidente, Cesáreo Sánchez Iglesias, e, como non, á propia Pilar Pallarés. Unha encomenda que, asemade, trae a intensa punzada da responsabilidade, pois excesivo se lle fan ás miñas capacidades dar aquí conta cabal, e en breve tempo, dos méritos literarios, e non só, dunha autora cuxa obra vén sendo cualificada de forma unánime pola crítica –en tal sentido achamos numerosa e excelente bibliografía– como unha das propostas poéticas máis persoais, poderosas e radicais da nosa contemporaneidade. Unha voz que, sen dúbida, posúe o don.
Escribiu Antón Avilés de Taramancos:

É o cazador poeta nese instante
en que son ollo e ráfega un latexo
que calla o sangue en río fulgurante
como se for un lóstrego ao axexo.

Traemos aquí estes versos de Avilés a modo de cita introdutoria, non só por ser el un dos autores máis caros a Pilar senón porque dalgunha maneira cifran, ao noso entender, ese movemento íntimo, complexo e revelador, que adoito fai emerxer a beleza e a iluminación da escrita da nosa benquerida e admirada poeta.
En efecto, a poesía de Pallarés, alén da sensibilidade, da finísima intelixencia ou do talento que a habitan, atínxenos como o fan o raio, a luz do sol, o aire ou a chuvia: fecundándonos e alentando esa permanente transformación que é vivir, e máis aínda, existir tomando conciencia.
Mais antes de acadar tal maduración, a experiencia humana ha de pasar por idades ou fases previas, a primeira das cales é a infancia: ese tempo inaugural e prístino que funda o noso territorio seguramente máis profundo e estable. Tempo que é asemade o espazo da inocente descuberta, do que se irá nomeando pola primeira vez como se unha nova luz se abrise no interior de cada cousa. E ese lugar onde a memoria prende as súas raiceiras é para Pilar Pallarés o da Ermida, en Culleredo (A Coruña). Aquí, ao lonxe a ollada alta e granítica do monte Xalo, nace a nosa autora en 1957; e igualmente nese ámbito de campos de millo e centeo –hoxe desaparecido– vai pasar a súa infancia feliz en compaña dunha pequena pero amada veciñanza, do laio do raposo, da cadela e dos gatos da casa… Porén, unha infancia que medra tanto a exercitarse na tenaz superación dos límites como na contemplación da vida que pasa en mudanza de estacións, de morte e de nacenza. Un tempo no que, a bo seguro, se forxan, dun lado, a vontade inalienable desa “man que soña/ e aínda terma do ceu, / (sen nada embaixo)” –versos do seu último libro– e, doutra parte, a amorosa atención que a poeta sabe dedicar á natureza e a toda outredade. Sigue lendo

Ricardo Carvalho Calero, Día das Letras Galegas 2020

A Asociación de Escritoras e Escritores en Lingua Galega celebra a escolla de D. Ricardo Carvalho Calero como persoa a quen se dedicará o Día das Letras Galegas en 2020 por parte da Real Academia Galega.

Membro de Honra da AELG desde a súa fundación, as súas achegas ao sistema literario galego son fundamentais para unha visión máis completa da nosa lingua e literatura, desde a súa condición de ensaísta, poeta, narrador e dramaturgo.