A XXVI edición d’O Escritor na súa Terra, impulsado pola AELG, rende homenaxe en vida a Vítor Vaqueiro

Desde o Diario Cultural da Radio Galega:
“A XXVI edición d’O Escritor na súa Terra, impulsado pola AELG rende homenaxe en vida a Vítor Vaqueiro este sábado en Santiago de Compostela coa entrega do galardón Letra E de escritor, peza escultórica de Soledad Penalta, e a plantación dunha árbore simbólica e a colocación dun monólito conmemorativo no Parque de Galeras.”

A entrevista ao presidente da AELG, Cesáreo Sánchez, pode escoitarse aquí.

Isaac Alonso Estraviz: “Díaz Pardo afirmou infinidade de vezes que galego e português eram a mesma língua”

Entrevista a Isaac Alonso Estraviz no Portal Galego da Língua:
“(…) – Portal Galego da Língua (PGL): Esse livro [Isaac Díaz Pardo e a Língua] foi em grande medida uma cousa tua. A sua gestão começou a fins do 2007. De quando vem a tua amizade com Diaz Pardo?
– Isaac Alonso Estraviz (IAE): O meu primeiro encontro com Isaac Diaz Pardo foi no ano 1960 ao adquirir em Buenos Aires o seu livro Midas. O ángulo de pedra (1957) que depois iria comigo a França, Sória, Alemanha, Navarra, Albacete…. Pessoalmente conheci-o em 1970 na Galeria Sargadelos de Madrid. Foi um encontro gratificante com uma pessoa inteligente, amável, respeitosa com todos. Surgiu entre ambos um carinho e uma admiração mútua. Depois foi em O Castro, Sargadelos e no Instituto de Información bastantes vezes. E várias em Santa Marinha de Águas Santas. Mesmo nos publicou em Edicions do Castro vários livros sobre o relacionamento entre galegos e portugueses. Não se atreveu com o Dicionário Galego polo voluminoso que era e porque supunha muito dinheiro que ele tinha medo em fracassar. Teve uma enorme alegria ao ver que a obra saíra a lume.
– PGL: Díaz Pardo pertencia a tradição galeguista na que se formara nos anos 30 do século passado, para a qual galego é português era a mesma língua.
– IAE: Que galego e português eram a mesma língua afirmou-o infinidade de vezes, como se pode comprovar no livro homenagem que lhe fez a AGAL e do qual eu fui o coordenador. Pode atualmente consultar-se na publicação digital também disponível no PGL. Esse livro consta de uma primeira parte na que intervêm: José Maria Casariego Guerreiro, Isaac Alonso Estraviz, José Paz Rodríguez, Alexandre Banhos (naquela altura Presidente da AGAL) e José-Martinho Montero Santalha. E uma segunda, com trabalhos dele sobre a língua galega e a sua unidade com a variante portuguesa.
– PGL: Isso não era incompatível com escrever à castelhana, infelizmente a única forma que se conhecia.
– IAE: Escrevia-se à castelhana na tradição galeguista que afirmava a unidade da língua, porque era o único jeito que se sabia escrever, diria mais o único que aliás podia se conhecer, mas existia a vontade de mudar as cousas, que o franquismo e a sua eficaz guerra e ditadura decepou. Castelão o expressou muito bem, ao dizer que aspirava a que o galego se confundisse com o português. Diaz Pardo sempre defendeu a unidade, um bom exemplo é o seu livro em castelhano em Ruedo Ibérico, Galicia Hoy, uma pequena maravilha que destinava a todos, tendo em conta os destinatários e a finalidade que se propunha. (…)”

Vítor Vaqueiro: “A normativa oficial do galego é um dispositivo de espanholização”

Entrevista a Vítor Vaqueiro en Nós Diario:
“Vítor Vaqueiro recebe amanhã a Letra E, de escritor, que outorga a AELG (Asociación de Escritoras e Escritores en Lingua Galega). É esta uma homenagem na sua terra, Santiago de Compostela, na vigésima sexta edição dum ato que converte o autor em membro de honra da entidade.
Vítor Vaqueiro recebe com “alegria e agradecimento” a Letra E da AELG (Asociación de Escritoras e Escritores en Lingua Galega). Também o assalta uma certa sensação de volta ao passado. “Eu devo ser agora dos primeiros números, porque quando se fundou eu tinha o 25 e muitas das pessoas que me precederam já não estão”, diz.
– Nós Diario (ND): Embora estudar química e exercer como professor de matemáticas, decidiu dedicar-se à fotografia. Que o atraiu da imagem?
– Vítor Vaqueiro (VV): Foi uma série de fatores, alguns casuais. Caiu nas minhas mãos um livro de Susan Sontag sobre o tema e logo outro de Barthes, A câmara clara. Dalguma maneira, abriu-me um horizonte diferente. Recebi um encargo fotográfico duma modista, Maria Moreira, e comecei a trabalhar em moda.
Não me interessava esse mundo, mas si o feito fotográfico. Tirava imagens e, sobre tudo, lia. Fez uma exposição em 1983 e, anos depois, vim para a facultade de Santiago a fazer a tesse.
– ND: Também foi professor de matérias associadas à fotografia em Ciências da Comunicação. Acha que numa sociedade como a atual, com um peso tão grande da imagem, se lhe outorga o suficiente espaço no estudo?
– VV: Eu acho que há algo de verdade incompreensível, quer no nosso país quer no Estado espanhol, numa sociedade, como ti acabas de apontar, absolutamente atravessada pela imagem. Hoje todo o mundo já e fotógrafo, porque todos temos um telemóvel. Neste contexto, parece-me extraordinário que não exista a possibilidade de estudar fotografia, já não digo em lugares como Alemanha ou Reino Unido, onde existe a própria carreira. Estou a falar desse centro no que, se não me falhar a memória, eu fui o último professor da matéria que houve no departamento de Comunicação.
Uma pessoa pode rematar os estudos sem saber quem é Cindy Sherman ou Andreas Gursky. E alunado que rematou o grau não tinha possibilidade de continuar a formar-se no país, tinha que ir embora, a Catalunya, por exemplo. É incrível, passa o tempo e não avança. Um projeto como o Centro Galego de Fotografia, de Vigo, foi totalmente desprezado e hoje está ocupado por dependências administrativas.
– ND: Do confinamento saiu o livro Tres poetas en estado de alarma, junto a Carlos Negro e Xosé María Álvarez Cáccamo, no que você escreve “Quarentena”, uma lúcida reflexão que parte do concreto para analisar aspectos muito mais profundos da sociedade. Como nascem os poemas desta série?
– VV: Como dizia Beckett, “escrevo porque provavelmente não sirvo para outra coisa”, ainda que no meu caso diria também para cozinhar, que com humildade após 50 anos acho que o faço bem. Se uma pessoa com essas características não puder sair da casa, é lógico que escreva.
E vês diariamente uma série de questões que levam a pensar, como por uma parte se aplaude pontualmente ao pessoal sanitário enquanto há um enorme ataque ao sector. Aliás, todo isto era previsível no senso de que há uma constante agressão à natureza, vimos como doenças passam aos animais, já de velho, como a Sida.
– ND: Nesses momentos limite aparece a necessidade de deitar fora certos pensamentos, imagino.
– VV: Claro, por exemplo, quando vim essas conferências diárias de sanidade, nas que as responsáveis compareciam com três militares detrás. Lembrou-me a esse 11 de setembro de 1973, ao golpe de Estado de Chile. Perguntaste onde estás a viver, por que precisamos a presença das forças armadas. A quarentena serviu-nos, ou devia servir, para conectar a situação presente com outras do passado.
– ND: Outro dos seus interesses é a mitologia galega. Por que acha importante a reivindicação ou dignificação destes temas, que em último termo outorgam um valor negado à cultura popular?
– VV: Acostumo dizer que lhe devo tudo ao país. Acho que há duas ou três coisas de natureza universal que me movem, como a justiça, a igualdade ou a dignidade. E depois está o meu país, a sua língua ameaçada, a cultura e o território, as suas gentes. Nesse senso, a mitologia significa reivindicar o nosso.
Há coisas incríveis, como uma mulher que tem um filho sem relação sexual previa, que nos parecem o mais normal do mundo. Mas quando nos falam da Santa Companha, dizemos que é uma parvada. Essa cultura não é uma tontaria, as lendas explicam o mundo. E a diferença entre uma religião e uma mitologia é a mesma que existe entre um idioma e um dialeto, normalmente um idioma que não tem poder social.
– ND: Falando dessa situação linguística, em 2013, num artigo publicado em Sermos Galiza, manifesta a sua decisão de adotar o padrão reintegracionista. Pode lembrar-nos quais são as causas?
– VV: Eu verdadeiramente sempre fui reintegracionista. Publiquei nos anos 80 no acordo de mínimos, que era a normativa que pode ser hoje da Academia, com mais léxico e a acentuação e o traço português. Depois abandono isso como moita gente e escrevo dentro dos máximos que permitia a norma oficial, coa introdução de muito léxico que não considero português. Houve um momento em que me resulta muito difícil seguir enganando-me a mim próprio.
Um dia presento um texto e desde a editora faz-me por volta de 300 correções. Como sou de ciências e gosto de botar contas, vejo que em 86% mudam a palavra galega por outra espanhola. Isto é um dispositivo de espanholização.
— ND: Em Da identidade à norma já definia o fundamentalmente político e não filológico dessa opção.
– VV: Claro. Um linguista muito reconhecido, Miquel Siguán, admite que uma norma se decide por motivos extralinguísticos. É algo convencional. Não sei por que se escolhe uma fórmula como “man” fronte a “mão” quando a segunda é absolutamente maioritária.
Há uma tendência a pôr barreiras artificiais ao achegamento ao português. Eu non falo como uma pessoa de Valença do Minho ou de Coimbra. Há que reivindicar o léxico galego, e depois todo aquilo que exista já em português não temos por que o inventar. Sei que isto traz umas consequências tremendas, porque a editorial na que esteve durante 45 anos nega-me que possa publicar.
Até há uma sentença do Tribunal Superior de Justiça da Galiza dos anos 90 que diz que ninguém pode ser descriminado pela sua forma de escrever, um pleito da universidade de Vigo coa Xunta, que impugna os estatutos desta nos que se admite qualquer grafia. Editoras, prémios, concursos… seguem a ignorar isso.
– ND: Acha que o movimento reintegracionista está a experimentar um pulo nos últimos anos?
– VV: Sim, mas quero matizar que o amor pelo teu país é independente do número de pessoas. Se não defendermos isto, que porvir lhe aguarda, por exemplo, ao euskera? Mas a quantidade no prestígio influi muito. A outra variedade do galego que se fala no Brasil, Angola ou Moçambique chega a 50 milhões de pessoas, para alguns é a quinta língua do mundo.
Ainda que não gostemos do argumento, o número conta decisivamente. Dito isto, se fossemos poucos habitantes, devíamos defende-lo igual, mais tendo esta oportunidade, desperdiçá-la… Durante 200 ou 300 anos galego e português foram o mesmo idioma, e dalguma maneira o galego é pai do português.
Há tempo, dizia-me um catalão: “Estão totalmente tolos”. Já vês o pragmatismo, se el tivesse uma língua que cumas poucas mudanças se convertesse na quinta ou sexta mais falada, o acordo faz-se em quatro horas. Há que lançar-se! Tudo isto num contexto no que um editor de primeira magnitude me disse: “estamos num lio do que há que sair”. E mesmo uma pessoa da Académia [não diz quem] admite: “Eu penso que o reintegracionismo tem razão”. Vê-o tudo o mundo, mas parece que resulta difícil ceder.”

Begoña Paz: “A cuestión é que queda despois da ferida. Bostela, cicatriz? Vida, de calquera xeito”

Entrevista de Montse Dopico a Begoña Paz en Praza:
“A paixón. A febre. A intuición do monstro, da besta. O sometemento, o abuso. As entregas aprendidas,. A negación do eu. Do nós. A admisión da ferida. A bostela. A pel renovada, endurecida. A liberación. Soas, enteiras e máis sabias. É o proceso que Begoña Paz describe en em>Caixa das bestas (Baile del Sol), o seu segundo poemario, publicado en edición bilingüe. Falamos con ela.
– Praza (P): Caixa das bestas foi publicado nunha edición bilingüe en galego e español pola editora Baile del Sol. Antes publicaras os teus libros en galego en editoras galegas. Pasou algo para que non saíse aquí antes?
– Begoña Paz (BP): Pasou que o enviei a unha ducia de premios de poesía -o xeito máis doado de publicar poesía en Galicia- e a varias editoras galegas. Que a obra non gañou premio ningún e que as editoras ou non contestaron ou fixérono dicindo que non encaixaba nas súas coleccións, que tiñan comprometida a edición de poesía para varios anos ou que era un libro caro de editar. O libro -que xa ten uns anos- traducino moito despois para que o puidese ler BK, a miña irmá malagueña. O seu primeiro comentario sobre o libro foi unha maldición marabillosa que me devolveu a fe.
Foi ela a que me animou a enviarllo a Baile del Sol, unha editora canaria que xa publicara poemas meus -tamén en bilingüe- nunha antoloxía de poesía, 23 Pandoras. Envieille o pdf ao editor un venres e o luns tiña o contrato na miña caixa de correo. “´-Orixinal e tradución?” “-Claro”. “-Cos collages en cor?” “-Claro”. Velaquí a diferenza entre o frío e a calor. Mais esa calor xa a sentira. O meu primeiro poemario, A mala vida, foi publicado por unha editora mallorquina, La Baragaña. O editor lera poemas meus en antoloxías publicadas fóra da Galiza e propúxome publicalo. Tan sinxelo, ás veces, todo.
– P: O texto vai acompañado de colaxes e, polo que pon o propio libro, ambos son da túa autoría. Que función querías que cumprisen as colaxes?
– BP: A primeira idea de Caixa das Bestas foi visual. Levaba un tempo matinando en recuperar a miña afección ás colaxes, unha amiga pediume que lle dedicase un dos meus libros e, como odio dedicar, colei unha colaxe na contracapa do libro. Esa colaxe é a primeira que aparece no libro. Dela naceu o primeiro poema. Doutras colaxes, máis poemas; doutros poemas, máis colaxes, nos que se entrecruzaban a reflexión e a ferida, o desconcerto, a paixón e a ferocidade. Cos títulos engadíndolle ironía ao conxunto. Para min son un todo indivisible. (…)”

Antonio Reigosa: “Na sección [Micromitos] tratarei de que haxa un panorama amplo no que estean os seres míticos principais”

Entrevista a Antonio Reigosa en Nós Diario:
“- Nós Diario (ND): En que vai consistir Micromitos?
– Antonio Reigosa (AR): Chámolle micro porque se trata dun espazo breve, non pola importancia do mito, claro. No tempo que dure falarei un pouquiño de todo: mitos, chamémoslle cultos, mitos relixiosos, lendario asociado ás fontes, ás covas… Hai un amplísimo catálogo. Tratarei que sexa ameno e tamén divulgativo, que se entenda que simboloxía hai detrás e se ten algunha conexión con algunha literatura culta.
– ND: Como imos ver na sección que é a mitoloxía popular?
– AR: Enténdoa como algo que é fundamental na cultura, básico, simbolicamente é a súa expresión máxima posíbel e sobre todo se nos referimos a ela desde o popular. É como o oxíxeno, que nos é común a todas as galegas e os galegos. Na sección tratarei de que haxa un panorama amplo no que estean os seres míticos principais pero cunha casuística, por exemplo, que se saiba quen son as mouras pero ao tempo, dentro do mundo moura hai unha variedade enorme de arquetipos: a moura nova, a moura caníbal… O propósito é poñer a lectora e o lector nun panorama que á volta dun tempo lle permita percibir unha mitoloxía popular como é, coherente, simbolicamente moi potente e que ademais é unha axuda para coñecer a contorna.
– ND: Onde radica para vostede a importancia do mito ou da lenda, por exemplo?
– AR: Estamos a falar de imaxinario, non é un ben material patrimonial, aquí decatarse da singularidade é moito máis complicado e a xente tamén percibe que houbo e aínda hai certo prexuízo fronte á mitoloxía popular en boa parte debido á doutrina da igrexa. Pero aínda así, e aí radica a súa importancia, a inmensa maioría da xente ten algunha referencia ou algunha curiosidade sobre a mitoloxía popular. Toda vida humana ten tres cuestións chave: quere saber de onde vén, quen había antes e que pasará despois, e de aí a mitoloxía da morte tan importante na Galiza. Trátase de algo exclusivamente imaxinario pero é posíbel porque colectivamente creamos unha serie de figuras, de seres, de medos… que lle dan unidade á cultura popular. Hai unha coincidencia que determina os imaxinarios.
– ND: Cal é a situación da nosa mitoloxía? É propia ou universal?
– AR: O substracto sobre o que se constrúen as mitoloxías é universal porque responde a esas preocupacións básicas de todos ser humano, en todo tempo e en todo lugar. Logo veñen as peculiaridades culturais, por exemplo, non ten a mesma forza a mitoloxía da morte no que foi secularmente un cabo do mundo, unha Fisterra, que noutros territorios nos que non hai esa proximidade física a un finisterre. A mitoloxía da morte na Galiza ten unha forza que non ten noutras partes e que a iguala a toda a beira atlántica, máis alá doutras cuestións históricas as culturas celtoatlánticas teñen esa conexión unhas coas outras que non teñen igual, por exemplo, con África aínda que nos preocupe o mesmo.
– ND: Como conservamos ese patrimonio?
– AR: Sempre, o que forma parte da cultura popular, mantense mentres ten función, sentido para a xente. Evidentemente hai un conflito entre o mundo académico ou presuntamente culto e o popular, no primeiro a mitoloxía é menos importante ou non é transcendente pero, sen dúbida, dino sen darse conta de que precisamos espazos imaxinarios para vivir, sexan de tipo relixioso, ou mitolóxicos, ou froito dunha longa tradición, ou creados polo cine ou a televisión. Os intereses cambian en función das circunstancias persoais ou do grupo social pero a mitoloxía popular existiu e segue a existir. Se deixa de existir un castro esquecerase todo o que se sabía na contorna sobre as mouras, os tesouros… pero noutros lugares haberá unha mitoloxía popular asociada a esa contorna.”