Raquel Lima: “Sinto que a aproximação estratégica parte mais dos galegos do que dos portugueses”

Entrevista de Irene Pin a Raquel Lima en Nós Diario:
“(…) – Nós Diario (ND): Botou uma década a fazer poesia, mas não escrita. Que a atrai da oralidade?
– Raquel Lima (RL): A oralidade chegou de forma muito natural e sempre me agradaram muito as possibilidades de manipulação de ritmos, silêncios, gestos, hesitações, respiração, frequências, interação… É algo que não conseguimos controlar com a poesia escrita duma forma corporal e orgânica. Mais do que a oralidade, interessa-me a oratura como dimensão filosófica e ontológica, e uma poética do corpo presente.
– ND: Como está o panorama do slam em Portugal?
– RL: O slam continua ativo e este ano a edição do PortugalSLAM! Festival Internacional de Poesia e Performance será em Coimbra, na cidade onde vivo, e poderei participar numa mesa. Existe uma nova geração a dinamizar imenso o poetry slam com energia renovada e a fazer um trabalho incrível de memorialização e arquivo do que tem sido feito em Portugal na área, como as entrevistas conduzidas pela slammer brasileira residente em Portugal Maria Giulia Pinheiro. (…)
– ND: Acho que a poesia da Galiza e Portugal não são muito conhecidas entre elas para o público geral. Qual é motivo, com a proximidade linguística que há? Ou considera que sim circulam abondo?
– RL: Sinto que a aproximação estratégica parte mais da iniciativa dos galegos do que dos portugueses e vejo isso à luz das tensões políticas e linguísticas que atravessam a história galega duma forma muito atual, e que resulta numa intenção clara de “integração” de outros territórios que partilham uma raiz linguística comum. Acredito que nós, aqui em Portugal, teríamos muito a ganhar se estabelecêssemos uma relação recíproca no sentido de diversificar a literatura inteligível para ambas as partes. (…)”

“Um livro reivindica a oratória de Carvalho”

Artigo de Irene Pin en Nós Diario:
“O Parlamento da Galiza une-se aos atos de homenagem a Ricardo Carvalho Calero com a publicação de Ricardo Carvalho Calero, orador. Discursos e leccións. A obra foi apresentada o 1 de outubro na sede da instituição, que acolhe também uma exposição da obra bibliográfica do autor, cuja biblioteca e legado foi depositado nessa entidade.
A filha do autor, María Victoria Carvalho-Calero Ramos, declarou que desde que o presidente da câmara, Miguel Santalices, lhe propôs a edição teve claro quem devia ser a pessoa encarregada da antologia: María Pilar García Negro. Foi ela, em qualidade de investigadora e coordenadora da exposição, a primeira em tomar a palavra no ato de apresentação. A representante da família, para além da escolma, agradeceu-lhe a contextualização da introdução e as notas a rodapé, “tão esclarecedoras como imprescindíveis”.
A professora explicou que Ricardo Carvalho Calero, orador. Discursos e leccións trata-se dum livro “singular” que “nasceu no inverno passado e invernou na primavera”. Assim, chega já no outono para reivindicar o “ora et labora incessante” que define a trajetória do ferrolão, num afão constante de outorgar-lhe significado à nossa língua e literatura.
Segundo explicava García Negro, era a dimensão “que o perfilava como orador” a que melhor acaía a esta achega. Do mesmo modo, insistiu Valentín García, secretário geral de Política Linguística, no rol central da palavra vencelhado ao labor que desenvolve a câmara, ideia que resumiu também Carvalho-Calero Ramos: “Se o Parlamento deve ser a casa da palavra, é lógico que se saliente esta faceta dum autor especialmente douto no eido”, resumiu.
García Negro debulhou também os critérios para a seleção dos contidos. Em primeiro lugar, desde um ponto de vista cronológico, vai de 1930 a 1988, “toda uma vida”, destacou. Desde uma perspetiva temática, o livro inclui a abordagem de figuras como Rosalía de Castro, Ramón Cabanillas ou Otero Pedrayo, a quem o catedrático dedicou ampla parte dos seus estudos. No estilístico, Negro salientou desde o carácter mais cuidado dos discursos a aqueles mais improvisados, ambos os dous como representação do domínio da oratória.
É esta antologia uma obra de “interesse histórico salferido de notas autobiográficas” que levaram a pessoa leitora a acompanhar Carvalho de Ribadávia a Londres, de Compostela a Cambados, ao longo das 16 peças que a compõem. Trata-se duma parte “muito pequena em número e muito grande em qualidade”, proclamou Negro.
Vítor Freixanes, presidente da Real Academia Galega, reconheceu que o livro está “muito bem editado, com a pulcritude que os contidos merecem” e celebrou a escolha duma fotografia que racha com a seriedade associada ao mestre, em favor dum “dom Ricardo pícaro, cheio de cumplicidade”, comentou. Igualmente, resumiu a enorme relevância dos discursos nas suas “achegas à crónica do século XX, uma viagem pelo galeguismo da época” que vai desde o entusiasmo à resistência em tempos escuros, por mor do devir histórico.
Contou García Negro que também um 1 de outubro, mas de 1930, no paraninfo da Universidade de Santiago, o próprio Carvalho inaugurava o curso proclamando com valentia: “Galiza existe”. Desde o anedótico lembrava o inegável compromisso ao longo duma brilhante carreira que se via truncada pelo estalido da Guerra Civil espanhola.
Com um repasso vital que se ergue na gabança das diversas façanhas de Calero numa biografia entregada à causa da Galiza, a investigadora chamou a não esquecermos o valor artístico da obra do homenageado, ainda em grande parte por estudar desde o mesmo rigor que el dedicou às achegas literárias de outras e outros. García Negro fez igualmente finca-pé no seu fundo labor em colaboração com o associacionismo, em múltiplas entidades como a Asociación Socio-Pedagóxica Galega (AS-PG), a Associaçom Galega da Língua (AGAL), a Aula Castelao ou a Mesa pola Normalización Lingüística, por tirar alguns exemplos. A antóloga concluiu com o presente de dous adjetivos bem escolhidos, ainda que semelhem em aparência contraditórios: “amor pelo sujeito estudado e objetividade no seu tratamento”.
Freixanes mencionou na sua intervenção que a RAG era ciente de estar a “abrir um debate” com a escolha de Carvalho Calero como homenageado em 2020, que pode continuar mesmo se o seu ano remata simbolicamente o 31 de dezembro. Parecia assim reconhecer que as próximas Letras Galegas se dedicarão a outra pessoa, em resposta ao comunicado feito pela Federación de Asociacións Culturais Galiza Cultura a passada quarta feira, que interpelava direitamente a RAG a alongar o reconhecimento durante 2021, dadas as especiais circunstâncias que marcaram este ano. “Mas as reflexões e o diálogo seguem abertos”, concluiu Freixanes.
Carvalho-Calero Ramos também fez especial lembrança do trabalho do seu pai a prol da presença do galego na “matriz do português”, que transformou a sua figura em bandeira pela sua constante insistência na aspiração de que “a fortuna histórica do galego mudasse ou fosse restaurada”.”

Isaac Xubín: “Ser un intruso fíxome observar a identidade como algo moito máis consciente do que a xente cre”

Entrevista de Irene Pin a Isaac Xubín en Nós Diario:
“(…) – Nós Diario (ND): “O poeta é un intruso”, afírmase no reverso do libro [Xenealoxía dun intruso]. Ten realmente esta concepción do oficio?
– Isaac Xubín (IX): É algo máis a nivel da miña vida. Ao ter morado en tantos lugares desde cativo teño esa sensación, por exemplo, de non ter amigos da infancia, de afacerme cada catro ou cinco anos a un colexio e unha sociedade nova. E cando marchei da casa, comecei coa mesma dinámica. Por iso teño a impresión de ser sempre un intruso, alguén que está fóra, e ao tempo tamén de disimular para non parecelo. Traduzo e escribo desde esa perspectiva.
Aínda que eu me identifico como galego, non vivín na Galiza até os 10 anos. Os meus pais eran galegos e leváronme nacer á Galiza para que fose “galego completo”. Porén, se boto contas, seguro que vivín máis tempo fóra. Logo, a lingua galega é algo que adoptei eu, porque na casa non me falaban galego. O feito de ser un intruso penso que me facilitou observar a identidade como algo moito máis consciente do que a xente cre. Cando falamos dela parece que nos referimos a cousas que nos veñen dadas e son inmutábeis, que non temos marxe para modificar. Pero somos o que somos non porque queiramos, senón porque nos vén de atrás. E non é así, é moi voluntario. No meu caso, o nacemento non foi un accidente: leváronme a nacer para que nos meus documentos houbese un topónimo galego e poder dicir que son galego. (…)
– ND: Neste senso, volvendo ao libro, hai unha chamada á acción en versos como “alguén debería comezar a tirar / do gatillo dunha vez por todas”.
– IX: Nese poema hai ademais varias referencias a cancións vascas, que enlazan co que che comentaba da calidade. Todo o que está pasando alí está funcionando porque a cultura vasca, desde hai 40 anos, ten unha calidade brutal, desde Chillida a Fermín Muguruza. É moi fácil sentirte adherido a esa cultura. Por iso puideron saír fóra das fronteiras grupos como Kortatu, con tan mala prensa como tiñan. Non saían nas emisoras de radio, pero vendían moitos máis discos fóra que grupos de moda nos 40 Principales. E o importante non é o que dicían, senón que eran bos.
Pero volvendo á pregunta, a identidade pódese construír, as cousas non son tan inmutábeis como nos fan crer. E todo se resolve con acción. Algo que me saca moito da miña tranquilidade cando falamos dos galegos é o autoodio. En Euskal Herria ou Irlanda tamén había. Pero algunhas culturas saben xestionalo, revolverse e mudalo, mentres outras parece que estamos co San Benito de sermos así. Non nos audoodiamos porque sexamos así, senón porque había (e hai) unha situación social que nos convida a facelo. Hai que pórse mans á obra para mudalo, como fixeron os vascos.
Sempre comento o caso de Argala, que vivía na casa coa súa avoa, pero como seus pais non lle falaban en euskera, en toda a súa vida apenas intercambiou “ola”, “boas noites” e pouco máis. Alí tamén había autoodio, pero conseguiron cambialo. Cadaquén ten a súa maneira de superar os seus demos e as súas pantasmas. (…)”

As estacións do lobo: entre a liberdade do salvaxe e a calor da manda humana”

Artigo de Irene Pin en Nós Diario:
“Na recuperación progresiva das actividades vencelladas ao sector do libro, comezan a retornar algunhas das que se viron canceladas. Aínda que o libro As estacións do lobo (Xerais) se publicou en 2019, María Reimóndez tiña previstas varias presentacións que non se realizaron por mor da COVID-19. O venres resarciuse virtualmente nun evento organizado pola libraría Lila de Lilith, ás 18.30 horas a través da plataforma Zoom, mais no que non falará exclusivamente da obra, senón do chamado “ciclo dos elementos”, do que a novela constitúe a última achega. E non o fará soa, pois vai contar con convidadas de luxo para lle axudar a trasladar as múltiples voces que compoñen este universo ficcional interrelacionado e poliédrico. As súa parceiras forman parte, como confesa a Nós Diario a autora, da súa “manda dos afectos”. (…)
“A escolla foi algo que xurdiu de maneira moi orgánica”, conta Reimóndez, que manifesta ademais a súa preferencia polos proxectos colectivos. A idea de escribir este ciclo presentouse como un “desafío na escrita”, na procura dunha estreita complicidade coas lectoras, que poden ao tempo estabelecer as súas propias visións sobre este universo tecido con fíos delicados, no que cada novela funciona de maneira independente. Reimóndez parte orfa nesta concepción narrativa, non coñece como referente un proxecto parecido, aínda que lle teñen comentado que Almudena Grandes podería estar a desenvolver algo análogo.
O fío condutor metafórico da novela segue o proceso inverso de domesticación que deu paso do lobo ao can, esbozando un retorno ao salvaxe como vía para a liberación da protagonista. Así a historia rebélase contra a socialización da muller nunha “domesticación permanente”.
Xa En vías de extinción presentaba os cans como punto de partida que une as personaxes, explica Reimóndez, se ben afirma que ela é “máis de árbores”. Un comentario nada casual que agocha a transcendencia da relación coa natureza máis alá do animal, en construcións que desde a teoría converxen dalgunha maneira na escrita. Con influencia do posthumanismo ou a ecocrítica, Reimóndez procura distanciarse dos esencialismos do ecofeminismo -“unha corrente coa que teño discrepancias”, indica- e apunta máis cara aos feminismos ecoloxistas. Así, as preocupacións polos dereitos ambientais, dos humanos e non humanos -e dentro deles non só os animais- son temas que atravesan a súa obra, tamén fóra do ciclo, por exemplo, no último libro de Literatura Infantil e Xuvenil que saíu do prelo, A formiga destemida (Xerais, 2020), que se viu igualmente afectado pola emerxencia sanitaria.
Dentro do “ciclo dos elementos”, As estacións do lobo é o texto no que aparece de maneira máis evidente o amor como tema central ao que se enfronta a protagonista, unha tópica que se presenta “como construto social e patriarcal”, di Reimóndez. Así, hai un “desmantelamento da visión de parella e da familia sanguínea”, en favor da manda escollida e das outras formas nas que xorden tamén os afectos.”

“Xohana Torres, a muller navegante que rachou coas viúvas de vivos”

Artigo de Irene Pin en Nós Diario:
“”Éste vaise i aquél vaise, / e todos, todos se van. / Galicia, sin homes quedas / que te poidan traballar”, ecoan os versos de Rosalía en Follas Novas. Mais esa hemorraxia migratoria, como retrataba a autora, deixaba atrás “corazóns que sufren / longas ausencias mortás, / viudas de vivos e mortos / que ninguén consolará”. Desta figura versa precisamente o ensaio gañador do Premio Xohana Torres 2019. Co título Xohana Torres: Das viúvas de vivos á muller navegante, a investigadora Ana Garrido salta entre dúas iconas da literatura galega, mais tamén do feminismo.
O estudo sobre a obra de Torres enmárcase nun traballo moito máis amplo, co que Garrido persegue esas “viúvas de vivo” na literatura galega, opostas ao que se chegou a converter no modelo dominante, que identifica con Díaz Castro e a idea da Penélope que espera eternamente o retorno do emigrante. Fronte a isto, Garrido segue a liña de denuncia rosaliana da muller como parte silandeira da emigración, que sofre ao “caer sobre ela unha carga de traballo xigantesca”.
Nos textos do período das Irmandades da Fala ou do exilio, a profesora detecta como se mestura a imaxe desa muller que agarda coa da “tola consciente”, pois “hai pouca saída para a viúva de vivo que non se conforma coa súa situación”, comenta, o que a condena a esa posición de demencia. Isto aparece, por exemplo, no conto final das Historias e invenciones de Félix Muriel (1943), escrito por Rafael Dieste en Bos Aires.
Deste traballo, moi extenso e disperso en diferentes revistas como Madrygal ou Abriu, Xohana Torres vólvese elo fundamental porque “é a que acaba de revolucionar o tema que enunciara Rosalía: a viúva de vivo como denuncia social”. Porén, a investigadora percibía un baleiro de coñecemento arredor da autora, focado sobre todo na súa faceta poética, esa muller navegante que se opón á espera permanente da Penélope idealizada.
“Dos 80 en diante está super estudada, tense falado moito e moi ben dela”, afirma, mais da etapa anterior, nos poucos artigos que atopaba as cousas que non lle cadraban. É o caso de textos de críticas feministas que ven na nai de Maxa, a protagonista de Adiós, María, unha muller que “claudica ante as necesidades do home e deixa atrás os fillos”, explica Garrido.
Iso non tiña senso desde a perspectiva activa e implicada da Torres da época, para alén de que na realidade do momento “moitas mulleres estaban saíndo á emigración; entón Galiza estaría chea de abandonadoras de fillos!”. O que fai a escritora, pola contra, é ofrecer “outros modelos de muller, moi en relación coa emigración ou co exilio -presente tamén no teatro-, que non se resignan ao papel asignado”, opina Garrido.
Neste senso, entende que Maxa comeza a ser “unha orfa de vivo consciente, aínda que non sabe saír da situación”, chegando a se contemplar a si propia como un cristo ou unha virxe crucificada. “Esa figura comeza a rachar coa idea de muller galega unida á viúva de vivo, esa matriarca sacrificada que o deixa todo pola familia, que só vive para os demais”, di Garrido.
O que ás veces pode mesmo semellar unha imaxe moi feminista, para ela non o é -nin cre que o fose para Torres- porque “agocha a situación opresiva e de traballo excesivo que viven elas, á parte de que non teñen opción”. Dentro desta gama, a nai de Maxa aparece marcada como a primeira muller que escolle marchar, opción non vencellada aos designios masculinos. “Ela decide non ser viúva de vivo”, afirma a investigadora.
Cabe destacar que “Torres escribe en paralelo á emigración dos anos 60 e 70 a Europa, cando a muller comeza a coller as maletas, moitas mesmo marchan soas”. Este gran cambio “aínda hoxe se ve pouco na literatura galega”, observa Garrido, se ben destaca autoras como Eva Moreda que si o trataron.
Xohana Torres foi unha muller “rodeada polos homes de Galaxia”, que participa activamente da vida cultural. “Pero cando miras as críticas que fai das súas obras Carvalho Calero, por pór un exemplo, ás veces non parece que falen da mesma obra”, indica. As referencias á súa “sensibilidade” ou a tópicos como “que se nota que comezou coa poesía”, moi vencellados á escrita feminina.
“Tampouco comprende por que a protagonista de Á outra banda do Íberr (1965) é unha muller exiliada, cando a el lle parece máis interesante o seu home”, comenta Garrido. “Nin sequera chega a ver que o principal nesa peza teatral é o dilema que ela vive, non sobre volver ou non volver, senón de ser capaz de decidir por si mesma que quere facer”, algo que aparece explícito no texto.
A investigadora atribúe isto a que os intelectuais do momento “non estaban preparados para entendelo”. Logo, moitas críticas beberían deste pouso, pois “non é tan doado recuperar o potencial tan forte que ten toda a obra de Torres, incluída a anterior aos 80, porque se escureceu na ditadura e nunha época con ese peso machista tan forte”.
A da propia Garrido é unha experiencia de emigración, pois desenvolve este traballo desde a Universidade de Varsovia (Polonia), onde comezou en 2010 a traballar como lectora. Logo ficou a facer o doutoramento cunha oferta do centro. Actualmente está en dous grupos de investigación: GENIA, máis centrado no feminismo, e (Outra)Iberia, que traballa sobre linguas minorizadas (o galego entre elas) con integrantes de diversas facultades. Outra navegante, nuns tempos distintos nos que a emigración, doutro modo, continúa moi presente. Pero iso é xa outra historia.”

Cesáreo Sánchez: “O escritor como tal é invisíbel”

Entrevista de Irene Pin a Cesáreo Sánchez Iglesias en Nós Diario:
“Nas vésperas do Día das Letras Galegas, e ante a complexa situación que atravesa o sector cultural galego, conversamos con Cesáreo Sánchez, presidente da Asociación de Escritoras e Escritores en Lingua Galega (AELG).
– Nós Diario (ND): A homenaxe das Letras Galegas 2020 chega inevitabelmente marcada pola actual conxuntura de crise sanitaria. Dentro dela, a pasada semana vía a luz o Plan de reactivación da cultura e o turismo da Xunta. Cal é a valoración da AELG das medidas propostas?
– Cesáreo Sánchez Iglesias (CS): Son medidas que reordenan e redistribúen recursos que xa existían, sumando algo ao xa comprometido. Un sector como a cultura, que representa 2% do Produto Interior Bruto da Galiza, precisa outra estrutura e outro volume de apoio, cuantitativa e cualitativamente, que determinen a boa saúde da literatura e da cultura no seu conxunto cara a unha normalidade. O Xacobeo, que se presenta como única alternativa para o país, non só non soluciona os problemas da cultura, senón que a leva a territorios que non son bos para ela. Neste momento a Galiza está a ser considerada e promovida, máis que como un pobo ou unha sociedade cunha cultura milenaria propia, como un camiño de paso, un lugar por onde unha Santa Compaña de peregrinos percorre un parque temático de sendeiros que levan a Compostela. Acontece que os camiños xacobeos están dentro dos camiños históricos do país. As alternativas teñen que pasar por potenciar a cultura propia, para ser creada e vivida desde a Galiza polos galegos e polas que veñan a nos coñecer. Mais non se pode pretender que se faga cultura en función dos que van vir de fóra, como se fósemos só un escaparate. A respecto disto, nós sempre reivindicamos unha Consellaría de Cultura como tal, mais sempre lle poñen un apelido que acaba por devorar o nome. Neste momento ten máis peso o turismo que a propia cultura, cando podía ser algo complementario na asignación de recursos, por exemplo, para a rehabilitación de patrimonio histórico construído, bibliografico e inmaterial.
O escritor como tal pasou de ser un referente en manter o idioma e a identidade a ser considerado só como subministrador de contidos culturais aos distintos sectores con vocación de ser industria. Porén, a nosa profesión é máis ca iso. O escritor é construtor do idioma, responsábel de que acompañe a historia do propio país. Nestes tempos en que participamos en manter a saúde social, creando contidos, tivemos que implicarnos especialmente en explicar que somos profesionais, aínda que non vivamos da nosa escrita. Sempre vai haber escritoras e escritores empregados noutros eidos, pero cada vez máis, por mor da precarización, o peso en moitas delas de actividades en bibliotecas, librarías, escolas… está a ser máis importante. Iso implica que para poder acceder a determinadas prestacións ou proxectos téñense que facer autónomos, mais non hai liñas de axuda específicas á creación literaria.
O sector editorial, non só porque edita a nosa produción, tamén é un lugar natural de traballo para nós, nos distintos oficios da elaboración dun libro. É moi importante que a industria editorial teña forza, tal como aconteceu no pasado, entre a terceira e a cuarta do Estado. Mais hoxe non é así, é un sector que o está a pasar mal e non ten os medios e as dotacións que merece atendendo ao que significa para a construción dunha identidade, da lingua e de acceso á cultura galega de maneira máis profunda e ampla.
– ND: Nese senso, preocúpalles un incremento da precariedade ante a falla de apoio da Administración, que nin sequera menciona as escritoras no Plan de reactivación?
– CS: A situación laboral vai empeorar porque haberá diminución de empregos que, agás nalgúns casos determinados de traballos que non leve por diante a pandemia económica, os escritores van sufrir moito máis. Preocúpanme especialmente as novas xeracións. Eterna a gratitude ás que, aínda que cada vez haxa menos medios e oportunidades, están aí sendo monolingües e construíndo o idioma. Non buscan lugares onde escribir en español para resolver os seus problemas económicos, senón que manteñen unha fidelidade á lingua na creación que debería ter outro tipo de resposta por parte da Administración, que ten as competencias para resolvelo. Nestes días mandamos as nosas propostas a Madrid, ao Ministerio de Cultura e ao de Facenda, para resolver distintos temas pendentes de mudar. Tamén levamos ao Parlamento o caso dos escritores xubilados. Case o 50% dos reformados están en clases pasivas e iso non foi resolto, aínda hoxe hai quen paga multas por cobrar dereitos de autor.
– ND: Dentro das medidas específicas dedicadas da Xunta ao eido editorial, non se atenden todas as demandas presentadas en conxunto coa Asociación Galega de Editoras e a Federación de Librarías.
– CS: Hai aumentos na dotación para actividades dentro de bibliotecas ou librarías, na compra de libros… Pero foi aumentar algo que basicamente xa estaba. Hai problemas estruturais que non permiten achegar todo o necesario. Era o momento ideal para parar as obras da Cidade da Cultura e desviar eses recursos á cultura, ademais de repensar o que significa ese lugar. Faltan tamén as necesarias medidas para a cultura de base, sen ela non hai cultura crítica no país. O asociacionismo ten un peso moi importante na promoción da cultura, e do libro en concreto.
Os escritores, como autónomos, poderemos acceder a un “fondo para creadores culturais”, de 1.500.000 euros, mais a realidade é que os escritores como tal somos invisíbeis. Estamos a turrar de todos os carros que sexa preciso, pero á hora da verdade non se nos ve. Iso necesariamente ten que mudar, sen nós o libro galego non existiría. Mais esta ausencia é unha cousa que vén de vello. Na (boa e incumprida) Lei do libro a palabra ‘escritor’ non está como tal, cando debería ter visibilidade propia, pois tena á hora de construír a cultura.
– ND: Achegámonos a unha data fundamental para a visibilización das escritoras galegas como é o 17 de maio. Que significa o recoñecemento de Carvalho?
– CS: Eu agardo, como reclamamos á Academia, que sexa prolongado a 2021 para que estea nas mesmas condicións que tiveron todos os anteriores nomeados, que poida ter unha vida normal dentro do ensino. Carvalho é o noso socio de honra desde a fundación da AELG, hai xa 40 anos. Eu fun presidente da A. C. Alexandre Bóveda, asociación que o rescatou e reivindicou publicamente na Coruña, pois tivemos a fortuna de coñecelo a través de alumnas e ex alumnas súas (na directiva estaba María Pilar García Negro). Soubemos así da súa altura intelectual e da súa dimensión humana, que foi moi importante para min, non só pola súa xenerosidade, senón polo respecto e a comunicación que tiña cos que aínda estabamos aprendendo o oficio de poeta. Ao mesmo tempo, o gran legado de Ricardo Carvalho Calero foi a súa altura ética. Creo que á parte da dimensión lingüística, ás veces esquecemos que foi tamén marxinado polo seu pensamento político. No fondo el defendía que a Galiza tiña que ter forzas políticas propias e a capacidade de construír o seu futuro por si mesma, naquel tempo o piñeirismo sempre lle negou o pan e o sal. Á parte, foi un escritor inmenso como demostra a relectura, por exemplo, da antoloxía feita por Pilar Pallarés, mais tamén un investigador, filólogo… e para min tamén un importante referente humano, ese foi o grande agasallo que me fixo a min e á miña xeración.
– ND: Algunha mensaxe para este Día das Letras confinado?
– CS: Ler a don Ricardo Carvalho Calero, isto axudaranos a cumprir os desexos del porque, como dicía Uxío Novoneyra “sabemos que ti [Galiza] podes ser outra cousa”. Os seus textos concienciarannos de que podemos chegar a ser unha sociedade normal cunha lingua e unha historia e construír o noso futuro con normalidade. Os escritores sempre estaremos aí, especialmente nestes tempos nos que somos construtores de esperanza. E, desde logo, nunca ninguén vai derrotar a esperanza nun escritor galego.”

O Día do Libro máis crítico

Artigo de Irene Pin desde Nós Diario:
“O Día do Libro chega este 23 de abril en pleno confinamento, coas librarías fechadas nunha das datas máis representativas do ano. Algunhas, con todo, manteñen abertos os envíos. É o caso de Bahía (Foz), que ofrece servizo sobre todo na zona da Mariña, procurando manter a relación máis persoal cos clientes habituais.
Outras empresas tomaron a decisión de paralizar tamén esta actividade. A Libraría Paz (Pontevedra), a Libraría Pedreira (Santiago de Compostela) ou a Livraria Suévia (A Coruña) non atenden pedidos. O dono da primeira, Cano Paz, explica que non consideran “imprescindíbel” que a xente reciba libros nestas datas, sobre todo pensando nos riscos que implicaría para as persoas encargadas de facer o reparto. “Sería inxusto”, considera a dona de Suévia, Ermitas Valencia. “O libro é un ben esencial, pero é o momento de subir aos faiados e abrir as caixas, de redescubrir o que temos, non de pór un capricho persoal por diante das vidas humanas”, argumenta.
O que si están a manter é a actividade en redes, sobre todo de cara ao Día do Libro. A libraría Paz, inspirada na campaña estatal “Todos tus libros”, facilita descontos de compra anticipada ou cheques-regalo para “cando todo pase”. Do mesmo modo, procura dinamizar a oferta con distintas suxestións baixo a tópica #oquenosquedaporler. Igualmente, Suévia anima as súas clientas habituais a facer unha listaxe e agardar a que a situación se normalice.
A libraría Pedreira tamén puxo especial énfase no virtual esta semana coas “lecturas fuxidas”, nas que xa participaron autoras como Marta Dacosta, Gonzalo Hermo ou Aurora Marco. O seu dono móstrase sorprendido polo éxito da iniciativa, así como “orgulloso” da extraordinaria acollida que tivo por parte das creadoras. Doutra banda, a aposta de Bahía foi implicar as lectoras, convidándoas a partillaren fotos cun libro que estean a ler ou que as acompañase especialmente durante o confinamento, co cancelo #DiadoLibronaCasa, conta Cielo Fernández.
Para as libreiras galegas o Día do Libro constitúe unha data importante, se ben non pode compararse á relevancia que ten para o sector noutros países, con outra tradición. “Xa nos gustaría que fose coma o Sant Jordi”, comenta Pedreira, “o certo é que aquí supérao o Día das Letras”. “Como gremio poderiamos facer máis”, opina Paz. Con todo, os ingresos desta celebración, que adoita estenderse durante toda a semana, son importantes tanto no libro adulto como no infantil, apunta Valencia, cun “volume de venda que supera entre 60% e 70% a un día calquera”, concreta Pilar Rodríguez, presidenta da Federación de Librarías da Galiza. Malia terse adiado ao 23 de xullo, considera que “cada cousa ten o seu momento”, e a resposta das lectoras non vai ser a mesma.
Isto súmase “á perda doutras datas importantes, como é a Semana Santa” para Bahía, explica Fernández, que ademais do económico destaca o valor simbólico do evento. Moitas librarías saen ás prazas, procurando a visibilidade e un contacto coa sociedade que non é posíbel nestes momentos.
A tendencia doutros países apunta cara ás librarías como uns dos primeiros comercios en subir de novo as persianas na desescalada. “Que volvamos abrir non significa que vaiamos vender”, advirte Paz resumindo a desesperanza do sector. “Aínda que é mellor estarmos abertas, a economía vai ficar moi feble”, observa Valencia. “Nós aínda non nos recuperamos da crise”, engade. Nese senso, Paz, Fernández e Rodríguez consideran fundamental unha inxección de capital na sociedade, para garantir a liquidez. (…)
Pedreira móstrase preocupado por como se poida ver afectado o libro de texto: “Non é o noso caso, mais hai moitas que sobreviven grazas a el”. De facto, Valencia coloca aí as súas esperanzas. Desde a AELG, Cesáreo Sánchez convoca a xente a acudir ás librarías “en canto sexa posíbel”. Apela á memoria para “non esquecer a súa importancia como elementos dinamizadores determinantes na construción do noso sistema literario”, agora especialmente o “elo máis fráxil nunha cultura sen normalizar coma a nosa”.”

As historias ocultas no Cancioneiro Galego

Artigo de Irene Pin en Nós Diario:
“A musicóloga suíza Dorothé Schubarth chegou de ferias á Galiza por volta de 1978, coa intención de coñecer a nosa música popular. O que ía ser unha estadía breve transformouse en anos de pescudas e viaxes polo territorio que darían lugar, en 1984, á publicación, xunto a Antón Santamarina, do Cancioneiro popular galego.
Sete volumes froito dun intenso traballo de recollida, análise e clasificación das cantigas tradicionais manteñen vixente o valor desta obra, considerada aínda a día de hoxe a biblia da lírica de tradición oral galega, o máis amplo repertorio musical popular. Un traballo só posíbel grazas aos testemuños das persoas depositarias de todo ese saber popular que tiveron a ben partillar coa investigadora.
Esas son as auténticas protagonistas de Dorothé na vila, un documental que, actualmente en fase de montaxe, está a piques de ver a luz, respaldado co premio Luísa Villalta á promoción da igualdade. Tres son as súas promotoras: Olaia Tubío, Rubén Gasalla e Alejandro Gándara, cuxo interese pola música tradicional bebe da práctica de pandeireta e baile a nivel amador.
En parte, xa traballaran asuntos como a transmisión do patrimonio oral ou os roles de xénero en proxectos previos como Punto e volta. Porén, quedaron coa idea de realizar un documental sobre a situación da música tradicional, mais “era unha idea un pouco vaga, non tiñamos un fío claro nin sabiamos moi ben que queriamos contar”, explica a Nós Diario o propio Gándara.
Foi daquela cando ouviron falar dunhas historias que arrodeaban as gravacións que fixera Schubarth. “Nós coñeciamos o nome de Dorothé, pero practicamente non sabiamos nada dela”, confesa. A raíz daqueles relatos, comezaron a preguntar a persoas que foron recoller. Saían teorías e rumores, “pero sábese moi pouco de por que veu aquí”, explica misterioso o realizador.
Entón acudiron ao propio Cancioneiro, un documento que de entrada impresiona, pois non é un texto doado de comprender. Todo era eminentemente musicolóxico: un sistema de clasificación temático e musical, comparación de variantes de melodías, clasificación de xéneros da música de tradición oral… En xeral, botaban en falta a pegada máis humana.
“Nas letras si que transcenden elementos de como vive a xente que canta, pero botabamos de menos coñecer máis”, comenta Gándara. Tampouco nas gravacións, que consultaron no Arquivo do Patrimonio Oral da Identidade (APOI) do Museo do Pobo Galego —polo fondo compromiso da musicóloga con facer accesíbel o seu traballo—, hai conversas, senón que se focan no musical. Investigando, Tubío, Gándara e Gasalla descubrirían que hai detrás moitas historias, fermosas ou duras, que merecían ser contadas. E até aquí podemos ler.
“Tivemos bastantes complicacións no camiño, que tamén aparecen reflectidas” nun resultado final que se debulla en primeira persoa. Iso si, “o documental non vai ser super divulgativo, sobre como é o cancioneiro e o traballo científico, senón que se centra nunha serie de viaxes e experiencias das que foi gravada”, advirte Gándara. Da acción ineludíbel da escolla, elas ficaron coa parte máis emocional, máis humana, máis social.
Pórlle face a estas persoas non sempre foi doado. Schubarth, moi rigorosa no seu traballo, deixou escritos os seus nomes, idades, lugares de procedencia… “Ás veces hai notas que che contan un pouquiño de como puideron ser as gravacións, pequenos detalles cos que quedou ela”, engade Gándara. Foron eses apuntamentos os que lles chamaron a atención para pór o foco nesta historia.
“Podes imaxinar que moita xente hoxe en día xa non está, pero algunha fomos atopando”, confirma. A primeira, que aparece no teaser, é Vitorina de Vilar de Parada, unha cantareira da zona de Carnota. O documental outorga especial importancia ao proceso de relación coas entrevistadas, moitas delas mulleres. Ademais, colgarán outros vídeos de xente que traballou co cancioneiro, explicando aspectos máis técnicos para enmarcar o traballo de Dorothé.”

Calidoscópico Carvalho, após trinta anos

Artigo de Irene Pin en Nós Diario:
Ricardo Carvalho Calero faleceu o domingo 25 de marzo de 1990. Por iso, como naquela altura -igual que acontece con esta cabeceira- nas segundas feiras non saían os xornais, as necrolóxicas non apareceron até a terza feira seguinte. Nelas, persoeiros como Carlos Casares, Constantino García ou Domingo García-Sabell loubaban a figura. Trinta anos despois do seu pasamento, Calero recupera a actualidade coa dedicación do Día das Letras Galegas.
“Carvalho Calero foi o maior e mellor polígrafo da súa xeración”, ditamina María Pilar García Negro, afirmación que cobra todo o sentido se analizamos as seis décadas de vida nas que o ferrolán combinou produción literaria e investigación científica, na estela dos que foran os seus mestres, como Ramón Otero Pedrayo. A segunda dimensión, que a investigadora trata en Ricardo Carvalho Calero. A ciencia ao servizo da nación, recentemente reeditado por Laiovento, arrincou sorprendentemente cedo, xa con colaboracións na época de estudante en publicacións como A Nosa Terra ou Nós.
A Guerra Civil sorprendeu Carvalho Calero en Madrid, que foi incorporado ao exército republicano como oficial, pasando por Valencia e Andalucía, onde sería detido e xulgado “por adhesión á rebelión” a 12 anos e un día de reclusión. En 1941 retornou a Ferrol coa obriga de se presentar ante á autoridade militar periodicamente.
Após o “terríbel hiato” e malia as difíciles condicións dos anos seguintes, retoma o seu labor “cunha fe enorme na existencia do pobo galego e na necesidade de continuar significando a súa cultura”, explica García Negro. Da recuperación da dedicación intelectual xorden múltiples artigos quer na Galiza quer na emigración, así como toda unha serie de resultados entre os que García Negro cita, por dar algúns exemplo, a súa tese de doutoramento, o discurso de ingreso na Real Academia Galega ou a preparación da obra completa de Ramón Cabanillas. Director do colexio Fingoy de Lugo desde 1950, traballa arreo para desenvolver unha experiencia pedagóxica no centro.
Calero publicou en Galaxia a Historia da Literatura Galega Contemporánea, o seu macroproxecto profesional, en 1963. Trátase dunha obra que “aínda non foi superada”, comenta Xoán Costa, bo coñecedor da traxectoria do ferrolán. Nela fixo un descomunal exercicio de síntese con absoluto rigor científico, incluíndo auténticos modelos de ensaio literario. Ademais, formulou a definición fundamental da propia literatura galega baixo o criterio básico de “escrita en galego”. Así, “Valle-Inclán ou Torrente Ballester non forman parte dela, por máis que sexan galegos de nacemento”, explica Costa.
A realización non estivo exenta de dificultades, pois as malas comunicacións da cidade de Lugo, onde residía, complicaron o proceso, o que se reflicte na correspondencia que mantiña con Fernández del Riego, o seu principal enlace con Galaxia naquela altura. O resultado serviría de base para a revisión que a Asociación Socio-Pedagóxica Galega desenvolveu en fascículos en colaboración con A Nosa Terra.
Após o paso por Lugo, en 1965 incorpórase como profesor de Lingua e Literatura Galegas na Universidade de Compostela. En combinación coa docencia, desenvolve estudos nos eidos lingüístico e literario. Desta época parte a Gramática Elemental del Gallego Común (1966), obra que tivo moito uso, como constatan as sete reedicións feitas até 1979. Esta foi fundamental á hora de estabelecer un “criterio normativo de mínimos”, que definiría o uso da ortografía galega. A pesar da constatación lingüística de que galego e portugués son un mesmo sistema lingüístico, “Carvalho foi utilizado como lanza”, di Costa, para separar as dúas posturas enfrontadas. Mentres as partidarias da norma oficial o acusarían de propiciar o afastamento, desde parte do movemento reintegracionista pretendían ir máis lonxe.
Aínda que as circunstancias o levaron a consagrarse á produción ensaística e investigadora, “Carvalho sempre se reivindicou como poeta”. Porén, é este aspecto da súa produción unha das súas facetas menos coñecidas. A comezos deste ano vía a luz Beleza, Verdade, un libro no que Pilar Pallarés recolle a poesía do que fora o seu mestre.
Non era a primeira vez que Pallarés escolmaba a obra poética de Carvalho Calero. Xa en 1992, por encarga da sociedade Valle-Inclán, editou o volume Fillo de Eva. Esta supuxo para ela “unha descuberta” desta cara máis descoñecida, mais que chegaría a admirar profundamente. Cando Antón Lopo lle encargou para Chan da Pólvora unha segunda antoloxía (aínda non por motivo das Letras Galegas), “parecíame difícil facer unha escolla diferente”, comenta.
Pero a distancia, a perspectiva dos anos, déixase ver nas decisións que se agochan tras este novo libro. Dunha banda, desde a posición creadora, optou agora por respectar os desexos do profesor, recollendo só o que na década dos 80 el mesmo editou. “Non son ninguén para seleccionar de maneira diferente a como o fixo el”, confesa Pallarés.
Doutra banda, fronte á primeira antoloxía, en Beleza, verdade “descubrín un Carvalho autor de poesía de carácter político”. Na primeira escolma, di Pallarés, “talvez pola xuventude, deixeime levar por liñas de fondo moi contundentes”. Así, fixo caso das definicións de Carvalho da súa propia poesía recollida en textos en prosa, como o publicado a respecto de Cunqueiro na revista Grial, ao que o propio título da antoloxía fai referencia na concepción dos “fillos de Eva” como “fillos da culpa”, produto do ser humano na sociedade occidental, fronte aos “fillos de Lilith”, anterior ao pecado orixinal e, polo tanto, alleo a el.
“Hoxe poríao en cuestión. Carvalho é un relativista”, explica Pallarés. Así, trata de reflectir a dimensión múltipla do poeta como ser humano: “Non existe unha única verdade. Carvalho é moitas cousas, é simultaneamente un fillo de Eva e un fillo de Lilith”.
A do ferrolán, “sendo unha poesía esteticamente moi diversa e heteroxénea, ten pouca relación formal” entre as distintas achegas. Desde a vangarda ao existencialismo, pasando polas abordaxes do mito ou a proximidade ao cotián, Calero móvese no poético coa mesma multidisciplinariedade que o distinguiu noutros eidos. Se nos últimos libros podemos atopar unha poesía “moi fermosa”, que chega se cadra “máis facilmente ao lector”, outras obras presentan un verso de carácter siloxístico, narrativo ou mesmo antipoético.
“É como se fose moitos autores”, resume Pallarés. Non obstante, desde a poesía da adolescencia de Vieiros (1931) até a edición póstuma de Reticências… (1986-1989) “hai unhas liñas de forza e visión da existencia que están sempre presentes”. É unha ollada de carácter reflexivo, cunha loita entre “lanzarse a vivir e o peso da razón e a culpa”, que define unha poesía “aparentemente estraña” no panorama galego, mais “perfectamente inserida nas correntes do século XX a nivel europeo”, do que o propio Calero se definía como “fillo perfecto”.
Os catro relatos de A xente da Barreira constitúen a primeira novela publicada en galego tras a posguerra, mais se cadra a súa obra en prosa máis celebrada é Scórpio (1987). Nela salienta a técnica, formulando unha personaxe protagonista que nunca aparece, senón que tanto ela como o contexto se presentan a través dos demais, nun relato que disecciona a sociedade dos primeiros anos da década dos 30.
Así mesmo, a súa vertente teatral foi pouco representada, en boa medida por mor da censura, reducindo a posibilidade de que obras como Farsa das zocas subisen ás táboas practicamente ao grupo de teatro do colexio Fingoi.
Na súa derradeira etapa vital desenvolveu unha actividade incesante, entre a que tamén destaca a divulgación en artigos en prensa diaria ou publicacións de asociacións culturais. “A súa produción cuantitativamente fecunda, mais dunha calidade incomparábel, non ten parangón”, afirma García Negro. E o que é máis importante: relida hoxe conserva o atractivo, cunha “erudición que demostra o entusiasmo e o afán por dignificar a lingua e transmitir sempre, a pesar das condicións tan desfavorábeis, a esperanza de que veremos rectificar a historia”.”

Gonzalo Hermo: “De non ter atopado un marco espacial e temporal, seguiría sendo só poeta”

Entrevista de Irene Pin a Gonzalo Hermo en Nós Diario:
“(…) – Nós Diario (ND): Aínda que os poemarios parten dunha experiencia biográfica moi forte, a poesía tende a abstracción. No caso desta narrativa [Diario dun enterro], acontece ao contrario, todo parece moi identificábel. Dá vertixe espirse desa maneira?
– Gonzalo Hermo (GH): O certo é que non me sinto moi espido. Sei que se está lendo así e para min é marabilloso porque implica que o xogo autoficcional que propoñía funciona. Pero eu non me sinto nu porque non son Xacobe, é algo que teño moi claro. Agora ben, que se lea nesa clave dálle unha dimensión interesante á novela.
– ND: No final, perfílase a orixe do libro como que o Xacobe-autor vai escribir algo arredor da vivencia do enterro. Nunha entrevista, vostede dicía ser “un narrador frustrado”. Por que se decantou pola prosa?
– GH: Levo desde moi longo intentando escribir narrativa de maneira paralela á poesía. Contra o que moita xente propón arredor da inexistencia dos xéneros, eu creo neles e penso que ofrecen a posibilidade dunha comunicación literaria diferente (refírome á poesía e á prosa). Sempre os quixen aproveitar, o que acontece é que no caso da narrativa nunca encontrei o marco. Faltábame achar unhas coordenadas temporais e espaciais nas que situar os temas dos que quería falar. Se conseguín escribir esta novela foi porque as atopei: unha fin de semana, practicamente longa, e un enterro. Se non dese con ese marco, seguramente seguiría sendo só poeta. Esa é a chave.
– ND: O protagonista confesar ter escrito o seu último poemario por diñeiro, para presentalo a un premio. Hai tamén aí unha identificación persoal?
– GH: Non, nunca escribín un libro de poesía por cartos e paréceme un pouco iluso querer gañar diñeiro a través da poesía, por desgraza. O que se presenta aí é unha reivindicación, que parte do autor, de que o emprego literario e cultural ten que ter unha compensación económica, precisamente porque é un traballo. Ás veces parece que as persoas que nos dedicamos á cultura vivimos do aire e non é así. Penso que o modelo neste eido mudou nos últimos anos. A xente da miña xeración ten moi claro que quere ser profesional. Outra cousa é que as condicións do sistema nolo permitan.
– ND: Cal considera que é o sentimento principal que atravesa Diario dun enterro?
– GH: Penso que é unha certa estrañeza. O protagonista está moi marcado polo feito de vivir en dúas realidades que son moi diferentes. Ademais, hai unha certa sensación de estranxeiría en relación á familia, porque non acepta o rol que se lle asigna dentro dela. Isto concíliase, paradoxalmente, con certo sentido do humor ou necesidade de desdramatizar as situacións. (…)”