
Arquivo da categoría: Poesía
Bos Aires: presentación de Son galego, de Antonio José Francisco Rey
Sada: presentación de Réquiem, de Eugénio Outeiro
Monforte: actividades do 28 de agosto na Feira do Libro 2026
Celanova: Encontro poético con Goliardo Ceibe, Concha Rousia, Calis Pato e Artur Alonso
Alberte Momán: “O que me conduce a escribir é, basicamente, a obsesión”
Entrevista de Antón Escuredo a Alberte Momán en Nós Diario:
“(…) – Nós Diario (ND): Desde 2003 e até a data ten publicado 20 obras de poesía e 23 de narrativa. Sería o que chamaríamos un escritor prolífico. Cal é a razón desta esta “voracidade” literaria?
– Alberte Momán (AM): Acompaño normalmente a escrita con lecturas e elas proporciónanme principalmente preguntas que me fago a min mesmo. Son bastante obsesivo en moitos aspectos e tendo a buscar respostas. Para consolidar esas respostas ou esas reflexións nas que vou caendo segundo vou lendo necesito plasmalas nalgún sitio. Así, parto inicialmente de pequenos bosquexos, frases ou parágrafos que vou recompilando e que despois podo enlazar. En moitos casos remata por ser unha historia ou un libro de poemas. O que me conduce a escribir, basicamente, é a obsesión.
Por outra parte, as miñas novelas son “micronovelas”. Son breves, rara vez chegan ás 100 páxinas, nunha liña moi próxima ao Pulp clásico. Con todo, tento darlles un pouco máis de contido, de reflexión que no Pulp que conta con obras normalmente lixeiras e bastante mal escritas. As miñas novelas tenden ás denominadas “psychobilly” con acción constante e dándolle unha volta aos heroes clásicos da literatura e da banda deseñada.
– ND: Comentou nalgunha ocasión que a súa primeira lectura foi unha obra de Neira Vilas. Que está lendo na actualidade?
– AM: Agora mesmo estou lendo principalmente ensaio. Empecei coas obras de Mark Fisher e seguín con June Fernández. Neste último caso interesoume o tratamento do feminismo desde distintas perspectivas, na liña do que eu estaba facendo. Tamén achegueime a Jean Baudrillard. Son a influencia que teño agora mesmo principalmente na miña poesía. Iso si, fago é unha revisión propia e moi persoal dos seus textos.
– ND: E que temáticas ten agora mesmo na cabeza que poderían rematar nun libro?
– AM: Hai dúas que me viñeron obsesionando nos últimos meses. Por unha parte o desexo visto desde o punto de vista do filósofo francés Deleuze de como inflúe na nosa forma de actuar, na nosa actitude vital, e como mesmo pode acabar actuando en contra dos nosos propios intereses individuais ou incluso como sociedade. E despois, por outra parte, está o tema do silencio desde o punto de vista de Foucault. De como o silencio responde aos intereses do poder. Ademais, reflexiono sobre o tema do simulacro, de Baudrillard. Ese outro eu virtual, ese “matrix” no que estamos inmersos por crear un ser virtual que, en teoría, chega a representarnos. (…)”
Carnota: Concentración por Palestina. Poesía aberta
Neda: presentación do número 16 de Olga. Revista de poesía galega en Madrid
Monforte: actividades do 26 de agosto na Feira do Libro 2026
Tiago Alves Costa: “O mundo entra nos textos sem ficar reduzido a um tema”
Entrevista a Tiago Alves Costa en Novos Livros:
“(…) – Novos Livros (NL): O que representa, no contexto da sua obra poética, o livro Deus ainda usa o Windows 10?
– Tiago Alves Costa (TAC): Deus ainda usa o Windows 10 inscreve-se num percurso de cerca de dez anos, que passa por Mecanismo de Emergência e por Žižek vai ao Ginásio, com edições na Galiza e no Brasil. Os três livros partilham uma atenção às fracturas do presente e uma ironia que deixa ver tanto o absurdo como a ferida. Neles, o poema acolhe vozes, diálogos e pequenas cenas, aproximando-se por vezes da narrativa e do teatro.
Há também uma circunstância biográfica importante: estes livros foram escritos fora de Portugal, sobretudo entre a Galiza e Barcelona. Deus ainda usa o Windows 10 começou ainda na Galiza e foi terminado em Barcelona, onde vivo actualmente. Com o tempo, percebi que viver entre línguas, culturas e diferentes maneiras de olhar o mundo se tornou uma condição da minha escrita. Essa experiência abre um intervalo entre o lugar de onde venho e aquele onde vivo, e é nas margens desse intervalo que escrevo.
Interessa-me partir do real e introduzir nele um desvio, abrir uma brecha por onde a imaginação possa fazer surgir outra possibilidade. O mundo entra nos textos sem ficar reduzido a um tema. O trabalho, a tecnologia, a precariedade ou a solidão aparecem através das vozes, dos ritmos e das pequenas situações que compõem o livro. Curiosamente, muitas dessas vozes começam no pretérito, como se entrassem no texto já marcadas por alguma perda. Quero pensar a modernidade sem nostalgia. Ainda assim, o passado reaparece como uma perturbação dentro do presente, o vestígio de alguma coisa que se perdeu antes de chegarmos a reconhecê-la.
Nesse sentido, Deus ainda usa o Windows 10 representa menos uma ruptura do que um aprofundamento do meu percurso; prolonga a tentativa de deslocar o real através da imaginação e de alterar, ainda que por instantes, a maneira como habitamos o mundo.
– NL: Qual a ideia que esteve na origem do livro?
– TAC: A origem do livro está na percepção de que a vida quotidiana passou a falar a linguagem dos sistemas operativos e a incorporar as exigências do chamado capitalismo de plataformas. Actualizamo-nos, optimizamo-nos, aceitamos termos e condições e procuramos acompanhar uma velocidade que parece nunca diminuir. A tecnologia entra no livro como ambiente, vocabulário e disciplina dos corpos. Trabalhamos, comunicamos, desejamos e descansamos diante de ecrãs. Até a própria ideia de liberdade parece condicionada e, por vezes, a intimidade exige uma versão constantemente renovada de nós próprios. Há um verso no livro que condensa essa tensão: «NÃO ÉS LIVRE / ÉS GRÁTIS». É também nesse contexto que surge o título, a partir da imagem de um Deus que insiste em utilizar um sistema operativo condenado à obsolescência. Um demiurgo que resiste à actualização e conserva alguma relação com o erro, a falha, a queda. Num tempo em que somos convocados a apresentar versões mais eficazes de nós próprios, parece-me que essa imperfeição pode adquirir uma potência crítica e também criativa. É, antes de mais, um livro de poesia, embora se deixe atravessar pelo diálogo, por vozes ficcionadas e por resíduos de linguagem administrativa. Interessa-me essa dificuldade de o encerrar num género, até porque a própria realidade que o livro procura captar se tornou instável, fragmentária e difícil de organizar. Deus e o Windows 10 são apenas dois dos campos de força que atravessam estas páginas. As vozes, as pequenas situações quotidianas e as falhas da linguagem registam, como uma espécie de sismógrafo, os tremores do presente antes de sabermos exactamente o que significam. A ironia é essencial também nesse processo, abre algum ar dentro da gravidade, permite reconhecer o absurdo e continuar a viver no seu interior. (…)”







