Outeiro de Rei: XV cabodano Manuel María: entrega da Navalla do Manuel

Cada 8 de setembro, cabodano de Manuel María, ten lugar no Concello de Outeiro de Rei, un emotivo acto de lembranza ao poeta da Terra Chá, e sobre todo amigo, organizado pola Irmandade Manuel María e a Asociación Cultural Xermolos, Memoria da Chaira enteira, co seguinte programa:

15:00 h. Xantar de irmandade no Restaurante Río Ladra (quen queira apuntarse ao xantar de confraternidade, pode facelo chamando ao teléfono 646413890).
17:00 h. Recital de poesía en Penas de Rodas.
18:00 h. Levamos unha rosa ao cemiterio de Outeiro de Rei, acompañada de versos e comunicados. Benvida co Canto da Irmandade: O carro (Letra: Manuel María, Música: Baldomero Iglesias, Mero) e o Himno galego.
18:30 h. Na carballeira de Santa Isabel farase entrega da Navalla Manuel María a Xosé Estévez por Branca Pazos, con lámina de Eneko. Entrega da Navalla do Manuel a xeito póstumo a Xabier P. Docampo, na man da súa familia, fai a presentación Mero Iglesias, con lámina de Suso Cubeiro.
Bocado comunal e grolo de Irmandade proveito de ben e futuro.
Recital de poesía e música.

A organización, todos os anos, entrega dúas estampas dedicadas a Manuel María, neste ano o texto pertencente á de Xabier P. DoCampo é da autoría de Baldomero Iglesias, Mero e o texto que acompaña á de Xosé Estévez é de Paco Martín. O logo da Irmandade Manuel María é obra do artista Martinho Picallo.

Víctor Freixanes: “Carvalho Calero é a crónica do galeguismo do século XX”

Entrevista de Laura Ramos Cuba a Víctor Freixanes no Portal Galego da Língua:
“(…) – Portal Galego da Língua (PGL): Carvalho Calero acabou de ser escolhido como figura homenageada para as Letras Galegas de 2020. Esta era uma reivindacação contínua de diversos movimentos sociais que, anos depois, é satisfeita. Como avalias esta resolução por parte da Academia?
– Víctor Freixanes (VF): Há tempo que a Academia é ciente de que a figura de Carvalho Calero não podia ser adiada nem marginalizada. Não deixa de ser uma injustiça histórica que não se reconheça o compromisso, o trabalho e a vida que este homem dedicou à cultura, à literatura, à língua galega… Mesmo com obras como a História da Literatura ou como a sua própria significação como primeiro catedrático de Língua e Literatura Galega na USC em 1972. Foi professor de muitos de nós, a mim leccionou-me Língua e Literatura Galegas… É certo que havia uma história detrás de desencontros, digamos assim, entre uns setores da Academia e o próprio Carvalho Calero e as suas posições arredor da língua na última etapa da sua vida. Eu acho que a nova sensibilidade da Academia está em que isso é um capítulo que forma parte da história e da pluralidade democrática dum país. E, portanto, o currículo e a memória histórica de Carvalho Calero não a vamos discutir. Havia que encará-lo com clareza, com transparência, com naturalidade e, também, aproveitando, não o oculto, que esse ano se cumprem 110 anos do seu nascimento e 30 desde a sua morte. São esses números redondos que dão pé a dedicar-lhe o ano a Carvalho Calero, que ademais também coincide com a reclamação que fizemos já ao Concelho de Ferrol para que restaurem a sua casa, de quem já vimos boa disposição. É uma oportunidade, era algo que até eu tinha que assumir. (…)
– PGL: Que destaca da sua figura e da sua obra? Quer a nível individual quer como presidente da Academia, como vai ser abordado o ideário linguístico de Carvalho?
– VF: Bem, vamos ver… A Academia tem dous momentos, além doutro tipo de atividades como são o Portal das Palabras ou a Primavera das Letras, que está pensado para escolas de primária a iniciativa dos professores. Destes dous momentos um é a celebração do Dia das Letras, com a intervenção formal dos académicos ao redor da figura de Carvalho. Então escolheremos três académicos que abordem a figura de Carvalho Calero desde diferentes perspetivas. E depois, em segundo lugar, haverá um simpósio académico onde haverá distintas vozes sobre a sua figura e onde todas as vozes que tenham algo que dizer, podam dizê-lo. Se têm que estar três dias, serão três dias, mas todo o mundo com uma posição documentada e consistente, terá espaço para poder dizê-lo com a madurez que permite hoje uma sociedade, incluso uma sociedade galego-falante, que pode abordar estes temas com uma tranquilidade, documentação e conhecimentos que não existiam há trinta anos.
Então isso também vai permitir que a figura de Carvalho Calero seja abordada dessa perspetiva, mas não é a única perspetiva de Carvalho. E isso também é importante. A Academia não aborda Carvaho Calero pelo tema da proposta ortográfica, senão que homenageia a sua figura histórica. Carvalho Calero é, de forma semelhante a António Fráguas, a crónica do galeguismo do século XX. Carvalho Calero viveu desde o período pré-Guerra Civil e República, porque é um homem muito comprometido com a República, o galeguismo do momento, o Seminário de Estudos Galegos e o Partido Galeguista… participa inclusive com Lois Tobio na redação do anteprojeto do Estatuto de Autonomia que promove o Seminário… Quer dizer, há uma série de atividades objetivas de Carvalho. E depois, na guerra, ele é uma vítima da repressão, com todas as consequências. É uma situação muito grave que eu penso que o afetou emocional e psicologicamente, afetaria a qualquer pessoa.
Depois, é um homem do que chamaríamos o exílio interior. Pratica um bocado -como aconteceu ao próprio Antonio Fraguas e Fernández del Riego– a clandestinidade. Ele viveu exercendo de professor às escondidas para manter a sua família. Foi uma situação muito dura. Teve a sorte de ser acolhido por António Fernández no [instituto] Fingoi, e aí está atuando já o grupo Galaxia, os que foram os fundadores de Galaxia. E ele não pode exercer como professor e é contratado como gerente! Ali chegaram também para serem professores pessoas como Ferrín ou o próprio Bernardino Graña. E nesse momento começa a trabalhar com Fernández del Riego –porque eram amigos íntimos– na História da Literatura Galega Contemporánea. E nesse livro de correspondência entre os dous é impressionante ver como trabalham, com que constância, com que método, com que teimosia… É um retrato dos dous, como procuram os livros, como os vão pedir… Claro, porque agora tudo está na Internet e há umas bibliotecas muito boas, mas daquela não havia nada. Encontrar um original de Proezas de Galicia de Fernández Neira ou encontrar uns documentos do que podia ser o galego patriótico da guerra contra os franceses, ou os primeiros textos em língua galega dos Precursores… Aí também estava Penzol, que estava comprando muito livro e dotando o que depois seria a partir de 1963 a biblioteca da Associação Penzol, e todos estavam aí puxando e construindo…
Ou seja, sou consciente de que Carvalho era o historiador da literatura e o gramático, porque foi a quem lhe encarregaram a Gramática do Galego Comum, de Galáxia, porque antes não havia nada, era uma seleção. E com esse material, Carvalho é quem nos dá aulas a nós na faculdade. (…)”

A AELG solidarízase coa AAAG e Sarabela Teatro en relación á decisión do Concello de Ourense de retirar o seu apoio ao FITO

A Asociación de Escritoras e Escritores en Lingua Galega (AELG) súmase á nota emitida pola Asociación de Actores de Actrices de Galicia (AAAG) en relación á decisión do Concello de Ourense de retirar o seu apoio ao Festival Internacional de Teatro de Ourense (FITO), ao tempo que amosa a súa solidariedade con Sarabela Teatro, compañía que organizou esta actividade anualmente desde 2007.

Desde a AELG consideramos que a cultura e as artes, como a educación e a sanidade, son bens necesarios para que unha sociedade se desenvolva de maneira sa, equilibrada e feliz. Por iso é de valorar que Concellos, Deputacións e Xunta velen por facilitar o acceso ás artes escénicas tanto de aquí como de fóra, auspiciando e axudando, tamén, a que as compañías e artistas galegas/os poidan realizar procesos de creación fóra da precariedade.

Convocatoria do II Premio Xela Arias

“A AGPTI abre a recepción de candidaturas para a II edición do Premio Xela Arias. Este premio recoñece o labor de empresas, entidades ou persoas que contribúan á promoción do uso do galego no mercado da tradución e da interpretación en todos os sectores económicos.
O período de recepción de candidaturas comeza o 2 de setembro e rematará o día 15 de setembro. Para enviar unha candidatura só é preciso enviar un correo electrónico a info@agpti.org. O gañador ou gañadora será anunciado o día 30 de setembro co gallo do DIT, o Día Internacional da Tradución. Este ano hai unha novidade: a gañadora do ano anterior, María Alonso Seisdedos, incorporarase ao xurado.
A entrega do premio será, como o ano anterior, durante a Culturgal, a principios de decembro.”

“Cando o noso Hamlet subiu ás táboas”

Artigo en La Voz de Galicia:
“(…) «Non hai nada que teña maior actualidade ca os mitos. Son sempre noticias de última hora», escribiu o autor mindoniense, que, cómpre lembralo, dedicou ao xornalismo moitas horas da súa vida. Hai agora 60 anos, o 31 de agosto de 1959, Hamlet achegouse á Coruña e no Teatro Colón estreouse a obra á que Cunqueiro dedicara esforzos, ás veces envoltos en dúbidas, nos meses anteriores.
Nunha carta ao amigo Alberto Casal, incluída no volume Saiban cantos estas cartas viren, o escritor anota antes da estrea que viaxará de Mondoñedo á Coruña para ver os derradeiros ensaios, pero en realidade confesa o seu desacougo: «Non é nada esa estrea, e porén tenme inquedo e impaciente, e con temor», di.
Os temores semellaban fundados, non por inexperiencia dun autor que xa tiña unha longa traxectoria na poesía e na narrativa, pero si máis ben por circunstancias habidas nos meses anteriores. Noutra carta do devandito volume, escrita en xullo de 1959, Casal recolle os problemas xurdidos antes da estrea por mor das dificultades para a difusión da obra. O Ministerio de Información e Turismo xogara un papel importante nese asunto, aínda que a obra puido logo representarse. (…)
Chegado por fin o verán de 1959, Cunqueiro contaba, nunha entrevista en La Voz de Galicia asinada por Vicencio, que coa obra tentara dar resposta a «vellas e eternas preguntas» e que confiaba nos actores -a obra foi representada polo grupo Teatro Cultura, da Asociación Cultural Iberoamericana- polo «verdadeiro amor» posto nos ensaios. Tamén engadía que se a obra resultaba un fracaso, a responsabilidade sería súa por ter emprego unha linguaxe «escura e torpe». O xornalista remata a entrevista cun comentario que lectores, espectadores, actores e críticos semellan asumir 60 anos despois: que Cunqueiro amose escuridade ou torpeza na linguaxe, escribe Vincencio, «resulta imposible». (…)”