A
sexta feira 19 de febreiro, ás 20:30 horas, na Arca da Noe (Rúa do Forno, 13), en Vilar de Santos, Susana Sánchez Arins presenta o seu último libro, seique, publicado por Através Editora. No acto, a autora estará acompañada por José Calleja.
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O deserto é infinito, por Susana Sánchez Arins
Desde
A Sega:
“(…) O deserto [de María do Cebreiro] fala-nos da tronçadura sem marca, dos golpes sem hematoma à vista que destroem o mundo. Fala das catástrofes apagadas, como onda que desaparece os castelos na praia, chuva que dissipa as pegadas dos nossos passos, lava que calcina quanto vivemos.
E ao tempo, o deserto [re]constrói. Porque uma palavra escrita chegará para salvar-nos. Entrar no deserto é voltar à casa, recolher-se no íntimo. Sentir que o que acontece baixo a súa pel é o que acontece baixo a pel do mundo. E encontrar o coração, esse cadelinho adestrado, sabendo que não foi aniquilado, que sobreviveu à cirurgia e ao post-operatório.
E atravessamos o deserto e pechamos a última duna, ou página, não sabemos, e duvidamos. Lemos a crônica de um retiro, o livro do desamor, a descoberta da paixão, ou todas essas cousas: a forma mais brutal da plenitude.
Eu, leitora indigna, fago como aquelas personagens do filme, e lendo os versos d’O deserto, o conto dos cervos que são água, o Deucalião do casal que abrolha pedras, vejo os corpos sepultados polo Vesúbio. Restituo os vínculos, todos, entre as palavras. (…)”
Ferrol: presentación de seique, de Susana Sánchez Arins
Taboleiro do libro galego XL (xaneiro de 2016), por Ramón Nicolás
Desde
o blogue de Ramón Nicolás, Caderno da crítica:
“Retoma o Caderno da crítica as entregas do Taboleiro do libro galego. Grazas, nesta ocasión, ás catorce librarías colaboradoras: Libros para Soñar, Andel, Casa do Libro, Librouro e Cartabón de Vigo; Paz de Pontevedra; Miranda de Bueu, Biblos de Betanzos, Trama de Lugo, Suévia e Sisargas da Coruña, Lila de Lilith e Couceiro de Compostela e, finalmente, Cronopios (Santiago e Pontevedra).
NARRATIVA
1º-. Manuel Rivas, O último día de Terranova, Xerais.
2º-. Marcos Calveiro, Fontán, Galaxia.
3º-. Xosé Neira Vilas, Memorias dun neno labrego, Galaxia.
4º-. Antón Riveiro Coello, Os elefantes de Sokúrov, Galaxia.
5º-. Pedro Feijoo, Morena, perigosa e románica, Xerais.
6º-. Xabier Quiroga, Izan o da saca, Xerais.
7º-. Manuel Portas, Lourenço, xograr, Galaxia.
8º-. Susana Sánchez Arins, Seique, Através.
9º-. Fran P. Lorenzo, Cabalos e lobos, Xerais.
10º-. Domingo Villar, A praia dos afogados, Galaxia.
11º-. Teresa Moure, Ostrácia, Através.
12º-. Pablo Rubén Eyré, A verdade nos espellos, Sotelo Blanco.
POESÍA
1º-. Manuel María, Terra chá, Casa-Museo Manuel María.
2º-. Gonzalo Hermo, Celebración, Apiario.
3º-. Manuel María, Os soños na gaiola, Xerais.
4º-. María do Cebreiro, O deserto, Apiario.
5º-. VV.AA., Dez anos na Porta, A porta verde do sétimo andar.
6º-. VV.AA., 6 poemas 6. Homenaxe a Federico García Lorca, Biblos.
7º-. Ramón Neto, Zonas de tránsito, Sotelo Blanco.
ENSAIO-TEATRO
1º-. Montse Fajardo, Un cesto de mazás, autoedición.
2º-. VV.AA., Poesía hexágono, Apiario.
3º-. J. A. Gurriarán, As mulleres do monte, Galaxia.
4º-. Grupo Fiadeiras, Machismos: de micro nada, Embora.
5º-. VV.AA., José Suárez, Xunta de Galicia.
XUVENIL
1º-. Andrea Maceiras, Europa Express, Xerais.
2º-. Pere Tobaruela, Formig4s. Misión Barcelona, Xerais.
3º-. Carlos Meixide, Ons, autoedición.
4º-. Manuel Rivas, Madonna e outros contos de inverno, Xerais.
5º-. Agustín Fernández Paz, A neve interminable, Xerais.
6º-. Francisco Castro, Tes ata as 10, Galaxia.
INFANTIL
1º-. Ledicia Costas – Víctor Rivas, Escarlatina, a cociñeira defunta, Xerais.
2º-. Estíbaliz Espinosa, Caer de cu polo universo, Apiario.
3º-. Érica Esmorís, Nena e o mar, Xerais.
4º-. María Solar, Teño uns pés perfectos, Kalandraka.
5º-. Miguel Ángel Alonso Diz – Luz Beloso, O valente coello que quixo soñar, Nova Galicia Edicións.
6º-. Marisa Núñez, Cocorico, OQO.
LIBROS CD-DVD
1º-. Uxía, Uxía canta a Manuel María, Casa-Museo Manuel María.C
2º-. Troula Animación, Uxía Lambona e a Banda Molona.
3º-. Uxía e Magín Blanco, Canta o cuco, Galaxia.
4º-. Carmen Gil/Mamá Cabra, A bruxa Discordia, Galaxia.
5º-. As Maimiñas, Unha viaxe polo mundo, Galaxia.
BANDA DESEÑADA
1º-. René Goscinny, Albert Uderzo, Jean-Yves Ferri e Didier Conrad, (trad. de Xavier Senín e Isabel Soto), O papiro do César, Xerais.
2º-. Luís Davila, O bichero V, Edición do autor.
3º-. Castelao, Cousas da vida. Nenos, Galaxia.
4º-. María e Miguel Gallardo, María e mais eu, El Patito Editorial.”
O decálogo Hexágono, por Susana Sánchez Arins
Artigo de
Susana Sánchez Arins para A Sega:
“O livro da diagnose. As mestras que não acabais de saber que é a poesia ou como trabalhá-la, ou se tem utilidade na escola ou cumpre os estándares de avaliação e os níveis competenciais, encontrareis na Poesía Hexágono uma doutora dessas que cantam as verdades do barqueiro, e que vos dirá aquilo que não fazeis bem: que poesia vai aprender outrem quem nunca lê poesia… E como boa doutora prescreverá como tratamento umas pílulas de pensamento poético maravilhosas: se não queres ser como elas, lê.
O livro das cartografias. Não sabes onde é que está a poesia. Ignoras os seus hábitos alimentícios ou os covis em que hiberna. Este é o teu livro: contém um cento de taxonômicas descrições e concretas categorizações, todas elas contraditórias, daquilo que é o feito poético. Para que escolhas a que prefiras (ou todas) e podas descobrir a poesia que habita na tua volta, no teu corpo, na tua janela. Em todos os mapas.
O livro das receitas. Para as mestras que sempre acabais com um sim sim, tudo mui bom, mas diz-me algo exato e particular que eu poda aplicar na sala de aulas. Sim, se és dessas mestras fartas de discursos riquinhos sem propostas concretas, desses brindes ao sol que não valem para dias anuviados, neste livrinho encontrarás receitas singelas, das que precisam de poucos ingredientes e nada exóticos, para fazer chegar a poesia e a reflexão poética ao alunado (e às mestras também). Como essa de Carlos Negro com um paráguas preto e um outro de cores. Passeia os corredores do centro com eles e pensa a diferença. Queres receitas? Tem receitas! (…)
O livro que não é para mestras. Porque nos serve a todas. Às que imos pola vida de peotas, as que não ledes poesia mas quereis, às que fazeis cinema e música e grafittis, às que quereis escrever mas onde, como, às que tendes que estudar poetas e para que, as que não conseguis curar-vos a curiosidade, as que acreditais sentir-vos no mundo errado. E às mestras. Copulativamente.”
Pontevedra: presentación de seique, de Susana Sánchez Arins
Caldas de Reis: presentación de seique, de Susana Sánchez Arins
Compostela: Implícate 2016
Tabela dos Libros de xaneiro de 2016, por Armando Requeixo
Desde o blogue Criticalia, de Armando Requeixo:
“Principia o ano e bota a andar tamén unha nova xeira da Tabela dos Libros, desta volta cunha novidade importante: ao equipo habitual conformado por Inmaculada Otero Varela, Francisco Martínez Bouzas, Montse Pena Presas e un servidor únese un outro compañeiro, Mario Regueira, a quen damos a benvida.
Que este 2016 vos traia felicidade e lecturas venturosas!”
Susana Sánchez Arins: “seique achega a justiça poética de fazer conhecidos os maldosos anónimos da repressão”
Entrevista
a Susana Sánchez Arins no Portal Galego da Língua:
“(…) – Portal Galego da Língua (PGL): seique é o novo livro da susana. que vão encontrar as e os leitores em seique?
– Susana Sánchez Arins (SA): as leitoras vão dar, de entrada, com uma estória de família, de um tio manuel que foi de meu pai e foi mui mau, seique; para de aí dar, passo a passo, com a história mais terrível do país: parto das maldades familiares para tratar do horror da repressão franquista. de passagem, encontrarão uma reflexão sobre a importância da memória e da dignidade na derrota. [sei que não é muito padrão o termo estória, mas se mia couto pode, eu sinto-me autorizada para o utilizar também, e ademais neste caso quadra estupendamente] (…)
– PGL: seique é uma historia poderosíssima. como está sendo recebida?
– SA: acho que mui bem, muito melhor do que eu contava.
eu estou orgulhosa do resultado final do livro, não vou exercer aqui a falsa modéstia. estou orgulhosa porque é desses estranhos casos em que o produto final saiu mais rico e formoso que o produto planificado por mim no início. adoita acontecer ao invés [quando menos a mim]: aquilo que sai publicado não é tão bom como tu sonhaste, sempre escreves pior na realidade que nos teus pensamentos. porém neste caso não foi assim: no processo de escrita dei com uma multidão de ideias e recursos com que não contava, que melhoraram o produto final.
mas também sou realista. sei como se move o campo literário. sei que escrever com nh pecha portas e janelas, que resta visibilidade às obras. e ver o seique entre os dez mais vendidos no mês de outubro para mim foi um shock, pois não contava com tal cousa.
em todo o caso, o mais agradável estão a ser os comentários das leitoras: gostam da forma e o fundo, seique ficam seduzidas pola narrativa e ando a roubar-lhes horas de sono. e, sobretodo, seique está a despertar conversas nas cozinhas, a eliminar silêncios familiares noutras casas, e esse era o objetivo final da escrita. (…)
– PGL: seique é um livro memorialístico. que achega ao campo da memória histórica?
– SA: para mim achega a justiça poética de fazer conhecidos os maldosos anónimos da repressão. a destruição do silêncio cúmplice. após a grande preocupação dos últimos anos por recuperar os nomes das vítimas e devolver-lhes a dignidade arrebatada, creio que é tempo de dizer bem alto, também, os nomes dos vitimários. em 2016 farão-se os 80 anos desde o golpe de estado fascista, a vaga de terror que o seguiu e a repressão da ditadura. 80 anos são avondos.
e reclamo a atenção às estórias frente à história. na atualidade é complicado fazer história daqueles tempos. a história exige fontes documentais contrastadas e, com grande sucesso, o fascismo preocupou-se mui muito de apagar qualquer pegada documental das suas muitas feitorias. e tanto protagonistas como testemunhas diretas estão, quase todas, mortas. porém a tradição oral, as memórias familiares, guardam muita informação do que em verdade sabemos que (sei que) aconteceu. eu animei-me a contar as memórias familiares dessa repressão. e animo outras netas, outros netos, a fazerem o mesmo.”




