Manuel Rivas: “O Fiouco é un exemplo do poder que teñen os expertos e os gurús”

Entrevista de Santiago Jaureguízar a Manuel Rivas en El Progreso:
“(…) – El Progreso (EP): O libro [Zona a Defender] fala sobre “extralimitación ecolóxica”. Critica o paso da autovía polo Fiouco.
– Manuel Rivas (MR): Este libro é unha obra literaria con máis peso do pensamento que do emocional. A ironía define a modernidade, é ese humor amoratado que deixa un hematoma. O Fiouco é ilustrativo do que pasa no mundo, onde hai un exceso de poder dos expertos e dos gurús. No eido político levan a batuta e non escoitan á parte de cando hai eleccións. O cidadán é un cliente ao que se lle pide que compre un produto cada catro anos. Nos partidos políticos hai moi pouco espazo de participación cidadá. O exemplo é O Fiouco como poden selo o porto exterior da Coruña ou a Cidade da Cultura. (…)
– EP: Fáleme de Aníbal Otero.
– MR: Fai unha colleita de palabras para o seu Atlas lingüístico peninsular como parte do movemento de persoas ilustradas como Giner de los Ríos que concentrou os odios do fascismo español. Nese ambiente fai unha aposta por intelectual por colleitar e estudar o pluralismo lingüístico que hai. O seu traballo nos anos 30 é unha obra heroica polos medios que tiña para andar por ese camiños. Nos prolegómenos do ano 36 é detido en Tui ao ser sospeitoso de ser ‘filólogo’. É detido en Portugal e entregado porque pensan que é espía por unhas anotacións fonéticas. É absurdo. Destrozáronlle a vida.
– EP: Di que o director Oliver Laxe filma seres fráxiles. Compárao co pintor de Os comedores de patacas, Van Gogh.
– MR: Para referirme ao cinema de Oliver Laxe uso a palabra ‘fraxilidade’. No seu traballo está moi presente a fraxilidade dos seres. A vida que reflicte nas películas vai unida á idea de sutileza, á procura do matiz. O mundo é tantas veces tan bruto que esa procura da zona de sombra do ser humano soamente xermola ou se filtra se es quen de sentir esa fraxilidade e esa sutileza. Van Gogh era fráxil. Pintou desde os adentros.
– EP: Oliver Laxe é un home soamente.
– MR: Non é unicamente Oliver. Temos un movemento extraordinario de poetas en Galicia. Rosalía é unha nai fundadora, Galicia ten unha nai fundadora; non como outros países, onde os fundadores son guerreiros, heroes ou machos. Rosalía é unha célula nai, que sería o ecofeminismo do seu tempo. Escoitar á terra e as voces baixas da sociedade é unha tradición fértil. Galicia ten un horizonte enfermo ás veces, dicía Manuel Antonio; pero o noso rescate é a ollada que atravesa a historia da vangarda perenne da muller que se expresa na soidade solidaria, na soidade de comprender mellor aos outros e a propia terra. (…)”

Ourense: Feira Virtual do Libro 2020, actividades do 9 e 10 de outubro

“Um livro reivindica a oratória de Carvalho”

Artigo de Irene Pin en Nós Diario:
“O Parlamento da Galiza une-se aos atos de homenagem a Ricardo Carvalho Calero com a publicação de Ricardo Carvalho Calero, orador. Discursos e leccións. A obra foi apresentada o 1 de outubro na sede da instituição, que acolhe também uma exposição da obra bibliográfica do autor, cuja biblioteca e legado foi depositado nessa entidade.
A filha do autor, María Victoria Carvalho-Calero Ramos, declarou que desde que o presidente da câmara, Miguel Santalices, lhe propôs a edição teve claro quem devia ser a pessoa encarregada da antologia: María Pilar García Negro. Foi ela, em qualidade de investigadora e coordenadora da exposição, a primeira em tomar a palavra no ato de apresentação. A representante da família, para além da escolma, agradeceu-lhe a contextualização da introdução e as notas a rodapé, “tão esclarecedoras como imprescindíveis”.
A professora explicou que Ricardo Carvalho Calero, orador. Discursos e leccións trata-se dum livro “singular” que “nasceu no inverno passado e invernou na primavera”. Assim, chega já no outono para reivindicar o “ora et labora incessante” que define a trajetória do ferrolão, num afão constante de outorgar-lhe significado à nossa língua e literatura.
Segundo explicava García Negro, era a dimensão “que o perfilava como orador” a que melhor acaía a esta achega. Do mesmo modo, insistiu Valentín García, secretário geral de Política Linguística, no rol central da palavra vencelhado ao labor que desenvolve a câmara, ideia que resumiu também Carvalho-Calero Ramos: “Se o Parlamento deve ser a casa da palavra, é lógico que se saliente esta faceta dum autor especialmente douto no eido”, resumiu.
García Negro debulhou também os critérios para a seleção dos contidos. Em primeiro lugar, desde um ponto de vista cronológico, vai de 1930 a 1988, “toda uma vida”, destacou. Desde uma perspetiva temática, o livro inclui a abordagem de figuras como Rosalía de Castro, Ramón Cabanillas ou Otero Pedrayo, a quem o catedrático dedicou ampla parte dos seus estudos. No estilístico, Negro salientou desde o carácter mais cuidado dos discursos a aqueles mais improvisados, ambos os dous como representação do domínio da oratória.
É esta antologia uma obra de “interesse histórico salferido de notas autobiográficas” que levaram a pessoa leitora a acompanhar Carvalho de Ribadávia a Londres, de Compostela a Cambados, ao longo das 16 peças que a compõem. Trata-se duma parte “muito pequena em número e muito grande em qualidade”, proclamou Negro.
Vítor Freixanes, presidente da Real Academia Galega, reconheceu que o livro está “muito bem editado, com a pulcritude que os contidos merecem” e celebrou a escolha duma fotografia que racha com a seriedade associada ao mestre, em favor dum “dom Ricardo pícaro, cheio de cumplicidade”, comentou. Igualmente, resumiu a enorme relevância dos discursos nas suas “achegas à crónica do século XX, uma viagem pelo galeguismo da época” que vai desde o entusiasmo à resistência em tempos escuros, por mor do devir histórico.
Contou García Negro que também um 1 de outubro, mas de 1930, no paraninfo da Universidade de Santiago, o próprio Carvalho inaugurava o curso proclamando com valentia: “Galiza existe”. Desde o anedótico lembrava o inegável compromisso ao longo duma brilhante carreira que se via truncada pelo estalido da Guerra Civil espanhola.
Com um repasso vital que se ergue na gabança das diversas façanhas de Calero numa biografia entregada à causa da Galiza, a investigadora chamou a não esquecermos o valor artístico da obra do homenageado, ainda em grande parte por estudar desde o mesmo rigor que el dedicou às achegas literárias de outras e outros. García Negro fez igualmente finca-pé no seu fundo labor em colaboração com o associacionismo, em múltiplas entidades como a Asociación Socio-Pedagóxica Galega (AS-PG), a Associaçom Galega da Língua (AGAL), a Aula Castelao ou a Mesa pola Normalización Lingüística, por tirar alguns exemplos. A antóloga concluiu com o presente de dous adjetivos bem escolhidos, ainda que semelhem em aparência contraditórios: “amor pelo sujeito estudado e objetividade no seu tratamento”.
Freixanes mencionou na sua intervenção que a RAG era ciente de estar a “abrir um debate” com a escolha de Carvalho Calero como homenageado em 2020, que pode continuar mesmo se o seu ano remata simbolicamente o 31 de dezembro. Parecia assim reconhecer que as próximas Letras Galegas se dedicarão a outra pessoa, em resposta ao comunicado feito pela Federación de Asociacións Culturais Galiza Cultura a passada quarta feira, que interpelava direitamente a RAG a alongar o reconhecimento durante 2021, dadas as especiais circunstâncias que marcaram este ano. “Mas as reflexões e o diálogo seguem abertos”, concluiu Freixanes.
Carvalho-Calero Ramos também fez especial lembrança do trabalho do seu pai a prol da presença do galego na “matriz do português”, que transformou a sua figura em bandeira pela sua constante insistência na aspiração de que “a fortuna histórica do galego mudasse ou fosse restaurada”.”