“Poemas sobre cando puido reinar unha orde nova”

Artigo de Daniel Salgado en Sermos Galiza:
“A poesía é tamén un exercicio sobre a propia memoria. Así parece enfocala Vítor Vaqueiro (Vigo, 1948) no seu último libro, 1968 (Laiovento, 2018). Mais nestes poemas, a memoria individual crúzase coa memoria colectiva e os múltiples rostros da rebelión constitúen a súa materia. “O 68 aínda é un ano tan significativo para a miña xeración…”, di, “puntualizo: para os que fan parte da miña xeración e non desertaron”.
Hai 50 medio século abriuse a talvez última oportunidade global para instaurar unha orde nova. As revoltas sucedíanse por todo o planeta. O poeta Vaqueiro deita unha ollada lírica sobre feitos que marcaron o mundo. Tamén Galiza. Tamén a el propio, que os viviu en primeira persoa.
“Galiza insírese daquela na corrente internacional”, sinala, e menciona tres significados acontecementos vertebrais no seu libro: o 68 de Compostela, unha potente revolta universitaria que se inicia en xaneiro; a resposta popular contra o encoro de Castrelo de Miño, “cando adquire forma por primeira vez o nacionalismo”; e a faixa que, na alameda de Santiago, saúda o Día da Patria de 1968 cun Viva Galiza ceibe e socialista.
“Daquela o Viva Galiza ceibe e socialista non era xa unha pintada infrecuente en Compostela”, relata. Á pancarta dedica a prosa poética 25 de julho, descritiva e cun aquel de Peter Weiss -devoción de Vaqueiro: “[…] nas suas pólas, pendurada uma faixa e na faixa, branquíssima, cinco palavras mínimas, de significação, não obstante, infinita, viva Galiza ceive e socialista, tudo petrificado para sempre na história”.
1968 organízase por textos datados nos axitados días dese histórico ano. O escritor Vaqueiro bota man dunha ampla cantidade de recursos estilísticos para levar adiante un proxecto en que traballou máis de catro anos. Do poema en prosa ao verso medido -fundamentalmente heptasílabos, endecasílabos e alexandrinos- ou ao versículo de inspiración beat. “En realidade, beben dos cantos de Ezra Pound”, corrixe, “con todas as distancias, porque xa me gustaría a min”. (…)”

A Coruña: Libros a monte III

A Coruña: recital de Xiana Arias e Víctor Rodríguez Núñez no Ciclo Poetas Di(n)versos

A segunda feira 26 de novembro, ás 20:30 horas, no Auditorio do Centro Ágora (Rúa Ágora, s/n) da Coruña, terá lugar unha nova edición do Ciclo Poetas Di(n)versos, coordinado por Yolanda Castaño e promovido pola Concellaría de Culturas da Coruña, cun recital de obra propia nun man a man de Xiana Arias e o poeta cubano Víctor Rodríguez Núñez. Máis información aquí: Folleto Poetas Di(n)versos novembro 2018.

Susana Sánchez Arins: “Há muitas histórias pequenas que ficam fora das grandes histórias mas que revelam mais, talvez, a realidade”

Entrevista de Montse Dopico a Susana Sánchez Arins en Praza:
“(…) – Praza (P): [Tu contas e eu conto] É um livro de contos e poemas. A relação entre ambos pode ir tornando-se mais evidente ao avançar o livro…
– Susana Sánchez Arins (SA): Há alguns contos e poemas que têm uma relação muito directa porque têm a mesma espita criativa. Por exemplo, Através do espelho -com Política assistencial-, o conto da sinha Mercedes, que tem demência. Nesse caso, nasceu primeiro o poema e depois o conto. Noutros casos, os versos contrastam um pouco com a voz narradora. Por exemplo, em Parto.
Neste primeiro texto do livro quis focar mais a atenção no tema das drogas e a dependência, que no conto não aparece, mas sim no poema. Jogando com isso, fui-lhe colocando um poema a cada conto, bem para contrastar alguns elementos, bem para reforçá-los ou só para acompanhar. E entendo o que dizes: pode haver relações mais transparentes do que outras.
– P: Não é um romance, mas há relação entre os contos, também, através de personagens que se repetem.
– SA: Isso é parte do jogo, em realidade. Em alguns casos são, sim, os mesmos protagonistas num conto e no outro. Também se pode interpretar, em alguns contos, que são eu, que a narradora da história é a autora do livro, porque se chama Susana. Ao fazer a relectura do escrito decidi relacionar uns protagonistas com os outros. Por isso sim se repetem nomes, -há poucos nomes no livro, aliás-, reaparecem personagens.. E isso é intencionado, porque o livro joga com a ideia do que é real ou não, do que pode ser autobiográfico ou não… Há um jogo com a escrita autorreferente.
– P: Não é que seja demasiado importante se é autobiográfico, mas eu sim lembro ter-te escutado contar a história das senhoras que se rebelaram contra o cura. A do conto Respect.
– SA: É que há muitos contos que bebem, sim, de vivências reais que transformo ou modifico. Em alguns contos pode ser mais evidente a referência à realidade: em que inchadinha branca vela! estão umas actividades de homenagem a Rosalía que se produziram realmente na data na que as situo. Isso pode-se comprovar. Mas ao lado de contos coma este há outros que são totalmente ficção. E essa ideia de misturar personagens, de fazer-lhes duvidar às leitoras, é parte também do jogo do limite entre realidade e ficção.
– P: Eu conto e tu contas. a intimidade, diz a contracapa do livro. É uma boa maneira de explicar que têm em comum os contos: a intimidade, o quotidiano.
– SA: A ideia é um pouco contar as histórias que não se contam. Há muitas histórias que ficam fora das grandes histórias mas que revelam mais, talvez, a realidade. Um exemplo pode ser o do conto do que acabamos de falar. Contou-se muito, porque está narrado na imprensa, o que passou com as pessoas mortas e feridas no acidente do Alvia.
Mas não se contou o que supôs para as pessoas alheias ao acidente, o impacto que produziu nelas, que diz também muito sobre a brutalidade do acidente. E falar dessas pequenas histórias é uma maneira de complementar as outras, de apresentar outras perspectivas para ajudar a perceber. Depois há também muitos contos que narram situações que ao contá-las fazem-se públicas, saem do privado. Como as histórias sobre agressões sexuais, que são coisas que nos dá até vergonha contar.. No livro há muito disso, de contar espaços habitualmente não narrados, intimidades que normalmente não são contadas. (…)”