Homenaxe O Escritor na súa Terra 2020: Resposta á laudatio, por Vítor Vaqueiro

A resposta á laudatio pode ser descargada aquí, ou ben ser lida a continuación:

“Depois das generosas (e exageradas) palavras de Xabier Paz fica-me, penso eu, pouco por dizer. Portanto, dedicarei este breve tempo à lembrança de algumas circunstâncias que deitarom como resultado final nos acharmos hoje neste lugar à beira do Sarela, onde há cinquenta anos eu passeava pola Corredoura do Espinho, chamada daquela, se a memória não me atraiçoa, Corredera del Espino, ao pé do meu exagerado louvador, que ao longo de mais de meio século me acompanhou na política, na literatura, no cristão paganismo —por dizê-lo com palavras de Bouza Brey—, no amor polo cinema ou na confidência pessoal e a quem tenho a obriga de agradecer publicamente ter-me resgatado para a poesia, que eu começara a exercitar aos quinze anos, com um soneto amoroso, tão afervoado como abominável, e que abandonara por circunstâncias familiares que não é preciso espalhar.

Afirma Xabier que eu tenho pendor a aquilatar, contar, medir. Se calhar esta tendência quantitativa, real, foi uma das causas, entre outras, da nossa amizade. Um dia do século passado, Xabier, que caminhava ao pé de mim numa de tantas marchas reivindicativas, ao passarmos diante da galeria de Sargadelos desta mesma cidade, laiava-se de não termos levado conta de todas e cada uma das manifestações às que assistíramos mediante a redação duma breve ficha, na que concretizarmos data, motivo da convocatória, condições climáticas, número aproximado de assistentes, intervenção policial, se for o caso, incidências variadas e outras circunstâncias que converteriam esse bloco documental num magnífico registro duma parte das nossas existências. Quero dizer com isso que à hora de quantificar há para todo o mundo.

Alguém poderá perguntar-me —e, com efeito, alguma já o tem feito—porque foi este lugar o escolhido por mim para esteato e não os que apareceriam mais previsíveis na minha conjuntura vital, Salceda de Caselas —a minha pátria da infância, também linguística, convertida em Ferreira do Condado— ou Vigo —onde nasci e vivo—. Para além de circunstâncias que não conviriam aos meus interesses serem conhecidas, direi que na velha Compostela de Gelmírez, Miguel Solís e o mitim das arengas, produziu-se, como já tenho dito, a minha grande inflexão vital. Efetivamente, foi nesta cidade onde olhei de perto aspetos que haveriam mudar aminha vida: a admiração pola pedra sem limites do convento de São Paio de Antealtares, a descoberta das grandes figuras literárias ou políticas, a amizade desinteressada e solidária, o amor, e também o abandono, a presença da morte no antigo cemitério de Bonaval, o terror em noites intermináveis do franquismo, a desmesura etílica, a detenção pola B.P.S., vulgarmente “a social”, a brutalidade dos métodos da ditadura, cujos executores, infelizmente, seguem a passear, desavergonhados, polas nossas cidades, insultando-nos a diário com a sua presença. E, por riba de tudo, os feitos de 1968, um Acontecimento ao que um dia prometi fidelidade e cujos princípios, penso, segui a respeitar até o dia de hoje, porque os acho de justiça e porque não me perdoariam o seu esquecimento Henrique Caruncho Bergantinhos, o meu tio avó brutalmente assassinado polo Horror franquista, e Vítor Foxo, o meu avó, cuja vida, desde que um dia de julho de 1936 na sala de oficiais da Base Naval de Ríos pronunciou a frase “o general Franco é um rebelde” até a sua morte em 1969, a sua vida, dizia, ficou marcada pola angústia e por uma dignidade que o converteu num referente ético para mim. Alguns dos princípios que acabo de sinalar estão analisados literariamente no livro 1968, publicado quando se cumpriam cinquenta anos desta data e do que se recolhem umas breves frases no monólito que há à nossa beira.

Esta cidade ensinou-me igualmente a existência dum país infinito cujo conhecimento principiou aqui, na rua de Pitelos, em Rapa da Folha, na Carreira do Conde, com pequenas excursões iniciais ao Pico Sacro, às torres de Altamira, a Íria Flávia, para se ir alastrando ao barroco de Oseira ou às augas infindas de Fisterra. Aqui nasceu em mim a consciência de que só se ama aquilo que se conhece e, com isso, o desejo de percorrer as terras que vão da Devesa de Rogueira e os tesos cumes do Courel que louvou Novoneyra à marinha sutil de Caldebarcos, onde, assegura-se, moravam homes com luzes no seu peito; da raia seca, na que sobranceia a anta das Maus de Salas, até o estarrecente pre-románico de São Martinho de Mondonhedo. Com o percurso dos anos só precisei aprofundar nesse costume até percorrer e fotografar os (agora) 313 concelhos do país, sem esquecer jamais que foi em Compostela onde iniciei essa imensa viagem à minha terra, que hoje continua porque como dissera Risco, a Galiza é um mundo. Esse mundo, impossível de abranger, doou-se-me com generosidade e às suas paisagens, às suas criações, às suas gentes devo-lhe tudo o que hoje sou. No entanto, eu só lhe di ao país alguns versos, uns poucos relatos, umas fotografias, se quadra certas reflexões sobre a história da sua fotografia. Por isso penso, desde a mais profunda sinceridade, que é o país quem deveria receber esta homenagem, não eu.

Finalizo. Ao longo de décadas, são incontáveis as pessoas que me tenhem emprestado o seu apoio, doado a sua amizade, agasalhado com a sua solidariedade isenta de egoísmo. Algumas delas estão aqui presentes; a outras foi-lhes impossível assistir; outras, desgraçadamente, já não se acham entre nós. Não vou dizer os seus nomes, porque cada uma elas sabe o lugar que ocupa nos meus sentimentos e porque o equívoco e o mal-entendido ficam à espreita sempre, como uma alimária peçonhenta. Mas há um nome que devo sinalar, Merce Caeiro, que, nos últimos trinta e seis anos, precedidos doutros oito de escrupulosa amizade, converteu-se na principal razão da minha vida. Ela, junto com a nação que ambos partilhamos, que constitui um esteio central nas nossas vidas.

Vítor Vaqueiro
Parque de Galeras
Santiago de Compostela, 19 de Setembro de 2020

Compostela: presentación de Poesie della chiara certezza, de Uxío Novoneyra

Uxío Novoneyra (fillo): “O meu pai era labrego, por iso ten ese pouso de autenticidade”

Entrevista a Uxío Novoneyra (fillo) en O Salto Galiza:
“Cumpriuse neste mes de xaneiro o noventa aniversario do nacemento de Uxío Novoneyra. É un dos persoeiros máis relevantes das nosas letras. Todas as que lemos a súa poesía anhelamos unha pequena conversa con el para descubrir o que hai detrás. A súa figura está nitidamente reflectida na súa casa dos montes de Folgoso do Courel e lembrada polo seu fillo, quen se autodefine como “o cancerbeiro do poeta”. (…)
– O Salto Galiza (OSG): Como comezou o proceso de converter a casa natal de Uxío en museo e sede da Fundación? Cal é a importancia de estar ubicada no Courel?
– Uxío Novoneyra fillo (UNF): O meu pai quería deixar a súa casa coa súa biblioteca e o seu legado arquivístico ao pobo, alí, na súa aldea. Fixeramos o teito grazas ao gañado cos dereitos de autor. Din no Courel “un teito eficaz, unha casa gardada”. O museo fíxose na parte de arriba, onde ía a xente cando viña ver o meu pai.
Non é unha casa de poetas, porque iso non existe como tal. Agora, case é un antimuseo dende o punto de vista liberal. É un neomuseo. Henri Rivière decía que os museos tal e como estaban considerados, eran institucións do despotismo ilustrado. Con moita axuda e con xente moi especial, dende a Fundación conseguimos manter viva a casa. (…)
– OSG: Durante a longa noite de pedra, que supuña escribir en galego?
– UNF: Fixeron moi bo no uso de recursos como a metáfora (risas). Ao ter unha lingua que pertence a un país sen Estado e dentro dun Estado fascista, pois tivo que publicar obras no estranxeiro antes que aquí. O meu pai sufriu a censura moitas veces ao longo da súa vida. Era considerado un home perigoso, tanto que estaba na lista de homes a fusilar de cando o golpe de Tejero. Un vivo retrato desta época foi que membros da censura, como Camilo José Cela, lle pedían poemas para as súas revistas. Pero que non tocara o tema importante.
– OSG: E el mandáballes os poemas?
– UNF: Si. Pero eran os mesmos que lle censuraban. Foi sempre moi crítico, o que lle custou ser acosado e marxinado polo poder. Por outra banda, tamén foi respectado pola dominación contra a que loitaba, a diferenza doutros. Respectado e incluso temido, pola súa capacidade de ser digno tendo só a propia voz e o exemplo. (…)”

“Novoneyra en Estados Unidos: ecopoetry”

Artigo de Daniel Salgado en Nós Diario:
Uxío Novoneyra (O Courel, 1930-Compostela, 1999) cantou o mundo onde este se chama O Courel. A súa poesía é unha intensificación máxima da atención á materia, e no Courel dos tesos cumes a materia é o mundo. Os Eidos, cuxa primeira edición data de 1955 pero que foi evoluíndo, arrequecendo, despregándose en sucesivas variantes, condensa a súa ollada. É ademais a base The Uplands: Book of the Courel and other poems, o volume traducido pola canadiana Erín Moure que leva Novoneyra ao ámbito anglosaxón. Publica a editorial estadounidense, de Texas, Veliz Books.
“Para min a poesía de Novoneyra é unha poesía con moita resonancia a esta beira do Atlántico, onde nos últimos anos falamos de ecopoetry”, explica Moure a Nós Diario vía correo electrónico, “e tamén da conexión coa terra dos pobos autóctonos”. A etiqueta ecopoesía está a adquirir fortuna crítica e editorial, en paralelo ás mobilizacións globais de alerta contra a mudanza climática. Aí encaixa Novoneyra, segundo a tradutora, aínda que nunha perspectiva máis ampla e politicamente radical: “Eses pobos autóctonos sufriron a colonización europea e seguen a reivindicar o seu dereito de vivir e de custodiar a terra, gobernarse a si mesmos fronte á destrución industrial da sociedade capitalista”.
“Moito que dicirnos”
Esta lectura exterior sobre Novoneyra abre portas críticas que exceden certos lugares comúns. “É un poeta que ten moito que dicirnos”, di Moure, “aquí tamén hai montes, tradicións e cultura popular rural. Hai traballos e hai historias. O seu minimalismo, a súa atención á palabra exacta, ofrecen riqueza ás poetas de América do Norte”. Pero fíxoo nunha lingua propia sintetizada a partir do galego do país courelao.
“Foi un reto tremendo e un pracer ao mesmo tempo crear unha voz para Novoneyra”, expón, “que leva sotaque canadiano dentro do gran mundo inglés. É unha pequena lingua, mais, como a de Novoneyra, é grande”. A invención de palabras foi unha das tácticas usada por Moure en The Uplands, “algo que non é tan difícil dado o substrato xermánico do idioma inglés”. Así foi pasando o “sentido marabilloso do ritmo, a súa música” do poeta ao universo saxón. (…)”

Monforte: actos destacados da Feira do Libro 2018 para o 24 de agosto

O 24 de agosto continúa a Feira do Libro de Monforte (na Rúa do Cardeal), organizada pola Federación de Librarías de Galicia, con horarios de 12:00 a 14:00 h. e de 18:00 a 22:00 h., cos seguintes actos literarios destacados dentro do seu programa para este día:

12:30 h. Presentación de Os Eidos, de Uxío Novoneyra, na colección Biblioteca de Mesopotamia, de Chan da Pólvora. Participa Pilar García Porto.
18:30 h. Manuel Miragaia presenta Galeguia.
20:00 h. Teresa Moure presenta Não tenho culpa de viver, de Ana Brouwer, publicada por Chan da Pólvora.
21:00 h. Presentación de Corpo, de Antón Lopo, publicado por Xerais.

A Coruña: actividades destacadas na Feira do Libro 2018 para o 3 de agosto

O 3 de agosto continúa a Feira do Libro da Coruña (nos Xardíns de Méndez Núñez, s/n.), con horarios de 11:00 a 14:00 h. e de 18:00 a 22:00 h., cos seguintes actos literarios destacados dentro do seu programa para este día:

18:00 h. Presentación de Home invisíbel, de Xavier Queipo, e Labirinto ou memoria, de Marta Dacosta, publicados por Caldeirón.
18:00 h. Contacontos sobre Xandra, a landra que quería voar, con Mercedes Queixas, libro publicado por Urco Editora.
18:00 h. Lucía Cobo asina Coas miñas mans, na caseta de AENEA.
19:00 h. José Manuel Ledo Santiso presenta o seu libro de relatos Camiño, publicado por Ir Indo.
19:00 h. Ánxela Gracián e Antonio Seijas asinan Doce cartas a María Victoria Moreno, na caseta de Hércules Edicións.
19:00 h. Siro López asina Falemos de caricatura, na caseta de Lume.
19:00 h. Presentación de O ladrón de soños, de Sabela Fernández e contacontos a cargo de Tamara Lema e Yago Espasandín, xunto ao músico Eloi Mato.
19:30 h. Alberte Momán Noval asina Tripas, na caseta da Libraría Cartabón.
19:30 h. Manuel Vilariño asina Animal insomne na caseta de Cascanueces.
20:00 h. Estíbaliz Espinosa asina na Libraría Azeta.
20:30 h. Presentación de A través do espello e o que Alicia encontrou alí, de Lewis Carroll, en tradución de Xavier Queipo, con ilustracións de Fausto Isorna, publicado por El Patito Editorial. Participa Valentín García.
21:15 h. Presentación de Os Eidos, de Uxío Novoneyra, na colección Biblioteca de Mesopotamia, de Chan da Pólvora.

Vigo: actos destacados na Feira do Libro 2018 para o 29 de xuño

A sexta feira 29 de xuño continúa a Feira do Libro de Vigo (na Porta do Sol, con horario de 11:00 a 14:00 horas e de 17:30 a 22:00 h.), organizada pola Federación de Librarías de Galicia, cos seguintes actos literarios destacados para este día:

18:30 h. Presentación de Camiños, de Magín Blanco, publicado por Fol Música.
19:45 h. Presentación de Bonus track, de Rosalía Fernández Rial, publicado por Galaxia. Acompañando á autora estará a editora Malores Villanueva.
20:00 h. Beto Luaces asina exemplares de Vicus. Un lugar do común na caseta da Libraría Cartabón.
20:30 h. Presentación de Os Eidos, de Uxío Novoneyra, na colección Biblioteca de Mesopotamia, de Chan da Pólvora.
21:15 h. Presentación da edición homenaxe Día do Orgullo Galego, dedicada aos Seis poemas galegos de García Lorca, de Chan da Pólvora.

Compostela: presentación de Os Eidos, de Uxío Novoneyra, e a Biblioteca de Mesopotamia

O 22 de xuño, ás 20:00 horas, no Museo do Pobo Galego, Chan da Pólvora Editora cumpre dous anos e celébrao coa presentación en Compostela do selo Biblioteca de Mesopotamia e do seu segundo título, Os eidos de Uxío Novoneyra.

Cuestionario Proust: Lupe Gómez

Desde o blogue de Ramón Nicolás, Caderno da crítica, este Cuestionario Proust a Lupe Gómez:

“1.– Principal trazo do seu carácter?
– Son moi constante. Teño gran capacidade de concentración. Nunca abandono as palabras. As palabras nunca me abandonan a min. Busco sempre o Silencio, os lugares apracibles. Sempre estou inspirada. A inspiración dorme todas as noites no tellado da miña casa.
2.– Que calidade aprecia máis nas persoas?
– A lealdade. Aprecio moito que as persaos sexa de lei, verdadeiras como o pan feito no forno da casa. Sen máscaras nin trampas. Auga clara correndo polos regatos. Creo que así é máis fácil entendernos uns cos outros, e crear vínculos duradoiros.
3.– Que agarda das súas amizades?
– Que sexan fieis e que me comprendan aínda que eu ás veces desapareza ou non teña gana de rir, bailar, facer vida social. Gústame enviar os meus escritos aos amigos-as, e que eles-as me lean con esa paixón compartida, ese impulso e esa euforia que sempre nos mantén unidos e nos fai voar, escapar…
4.– A súa principal eiva?
– Recoñezo que son bastante vulnerable, esixente comigo mesmo, coa escrita, e tamén coas persoas que me rodean e me queren. A miña familia, os meus amigos xa o saben, e non mo teñen en conta. Tento ser máis flexible, comprender todas as imperfeccións, aceptar a vida tal como é, quererme a min mesma e deixar que o vento se exprese á súa maneira, coa liberdade oculta da condición humana.
5.– A súa ocupación favorita?
– Escribir cartas con todo o sentimento do mundo. Pousar os meus segredos poéticos nun papel branco ou de cores infinitas. Envolver esa carta en papel de agasallo. Escribir enderezos en sobres. Pegar os selos coma se fosen bicos de mel. Ir a Correos na miña bicicleta azul, viaxar así polo mundo, como unha ave chea de sorpresas.
6.– O seu ideal de felicidade?
– Escribir, e recibir moitas cartas. Recuperar ese costume tan grandioso, tan excelso, tan bonito. O xénero epistolar é o meu preferido. Teño moitas ganas de publicar o meu novo epistolario na editorial Alvarellos. Normalmente saen publicados os epistolarios das persoas mortas, pero eu aínda estou viva e teño sangue, tinta, emocións abertas para compartir…
7.– Cal sería a súa maior desgraza?
Non poder viaxar no coche de liña á miña aldea Fisteus. Ter que pechar para sempre a nosa casa familiar, o noso niño de música. Non poder visitar aos meus pais mortos nos seus panteóns. Non poder regalarlle palabras fermosas a ese mundo que tanta electricidade me transmite e que me fai ser tal como son.
8.– Que lle gustaría ser?
– Cando estudaba o Bacharelato na cidade da Coruña, no instituto Zalaeta lía, case ás escondidas, o libro Un millón de vacas de Manuel Rivas. Soñaba, e sigo soñando, con chegar a ser escritora e periodista. Quería chegar a formar parte dese “mundo” no que consideraba a Rivas como mestre. Agora el é mestre e tamén moi amigo meu. Sigo tendo quince anos e con ganas de aprender…
9.– En que país desexaría vivir?
– Levo case vinte anos vivindo na Rúa Basquiños de Santiago. Toda unha vida. Nese tempo escribín uns vinte libros. Eu quero seguir vivindo aquí outros vinte anos, pois formo parte deste mapa e teño unha casa con horta, na que me sinto profundamente arraigada.
10.– A súa cor favorita?
– A cor azul. Para min os días, todos os días, son de cor azul.
11.– A flor que máis lle gusta?
– A camelia, porque é guerrilleira e ao mesmo tempo moi delicada. Teño un camelio na miña horta, e as camelias están comigo desde o mes de decembro ata o seguinte mes de marzo. Elas non o saben pero forman parte das miñas pinturas, das miñas caligrafías.
12.– O paxaro que prefire?
– Gústanme os merlos. Adoro os carrizos, os paxaros pequenos. Canto máis pequeniños son, máis me gustan. Sempre debuxo paxaros. Resúltame fácil falar con eles, entender o seu idioma. Desde pequena, escoitei o cuco ao lonxe, e iso fíxome soñar, imaxinar, pois é un paxaro furtivo, misterioso. Sempre escondido e camuflado. Nunca cheguei a velo. Gustaríame xogar con el…
13.– A súa devoción na prosa?
– Estou fascinada coa lectura da Biblia, coa súa literatura tan limpa, nítida, terrible, fantasiosa, brillante. O Antigo Testamento é apaixonante. Sinto especial devoción polas Cartas de San Pablo, polo libro da Xénese, pola Apocalipse… Son lectora litúrxica da Catedral de Santiago. Disfruto moitísimo dándolle, coa miña voz, un toque moi poético ás Escrituras Sagradas. É como entrar “noutra dimensión”. Para min é un grande privilexio, unha aventura.
14.– E na poesía?
– Hai dous libros que son como pedras contundentes nun río de alegría, paciencia e compromiso. Do Courel a Compostela de Uxío Novoneyra e Cantares gallegos de Rosalía. Por algunha razón misteriosa, viaxan xuntos comigo. Van entrelazados e inauguran sempre un combate, unha beleza estraña, un lazo moi íntimo.
15.– Un libro?
Dos soños teimosos de Novoneyra, no que el responde ás preguntas lúcidas de Emilio Araúxo. Esas conversas son como un manifesto poético que teño sempre moi presente na miña vida e no meu pensamento. Sei ese libro todo de memoria. Lino moitas veces e téñoo moi interiorizado.
16.– Un heroe de ficción?
– Na miña memoria creativa, o meu avó Antonio cando morreu, pasou a outra vida de ficción e converteuse no meu heroe. Un modelo que nunca olvidarei. El desapareceu cando eu tiña 11 anos. Eramos moi amigos e ás agachadas dabame cervexa pra beber. Chamáballe “padriño”. Xuntos, coidabamos vacas nas chousas.
17.– Unha heroína?
– Heidi. Era simplemente un debuxo animado co que eu me sentía fortemente identificada cando era nena da montaña, e sempre me facía rir e chorar. Vela na televisión era como comer terra mollada.
18.– A súa música favorita?
– Desde hai uns catro ou cinco anos, toda a miña obra literaria nace, resoa e pace na música do meu queridísimo amigo Amancio Prada. Para min é un grandísimo amor, un encantamento de auga verde, fresca, nova. Escoito os seus cantares todas as noites e déixome levar… Agora teño entre mans un novo poemario, titulado No encanto do aire. Foi escrito todo el na catedral, inspirándome no concerto que alí celebrou Amancio Prada o pasado mes de outubro.
19.– Na pintura?
– Gústame moito a pintura de Antón Lamazares. Puiden coñecelo e gozar da súa fala labrega, da súa elegancia, do seu estado salvaxe e da súa poesía. Gústanme Chagall, Luís Seoane, Velázquez, e moitos outros-as. Para min a caligrafía é unha forma de pintura, moi básica, moi rudimentaria, moi simple pero tamén un grandísimo luxo ao alcance das nosas mans, un acto físico de amor insubornable.
20.– Un heroe ou heroína na vida real?
– A miña tía Lucita. Está en cadeira de rodas desde os 18 anos. Ten agora 8o anos e segue saboreando a vida como se fose unha canción de rosas. Nunca dimite. Sempre ten sorrisos e leccións de vida. Escribiu agora as súas impresionantes Memorias. Un libro titulado Nubes Bordadas. É unha muller moi intelixente. Foi a mestra das miñas primeiras letras. Sabia costureira de afectos moi fondos.
21.– O seu nome favorito?
– Loaira. Era un nome que formaba parte da poesía de Novoneyra. Sempre me gustou a súa sonoridade. Paréceme un nome moi soñador, moi feminino, moi elegante.
22.– Que hábito alleo non soporta?
– Son unha persoa de poucas falas, poucas palabras. Exprésome máis con silencios, xestos. Por iso, non soporto a charlatanería, a palabrería, o falar por falar, a verborrea. Creo que a xente, os políticos, os curas, os periodistas, as mulleres, os youtubers, todo o mundo fala demasiado. É como se as palabras se precipitasen moitísimo e perdesen o seu significado orixinal, o seu peso, a súa importancia, o seu valor.
23.– O que máis odia?
– O grandísimo ruído da sociedade na que vivimos. Ás veces resulta totalmente imposible parar e reflexionar. Molesta nos oídos e fai dano no corazón.
24.– A figura histórica que máis despreza?
– Non desprezo a ninguén. Imaxino que todas as figuras históricas son necesarias, pois asi é como se vai formando, pouquiño a pouco, o puzzle incompleto da inxustiza, dos desencontros, das guerras. Desprezo aos que asoballan, aos que se corrompen, aos que rouban, aos que fan que este mundo non sexa unha limpa guitarra.
25.– Un feito militar que admire?
– Non teño eu moita cultura “militar”. Non sabería dicirche. Admiro a arte, os inventos, a cultura popular, pero os feitos militares non forman parte do meu imaxinario. Admiro as mulleres galegas que desde sempre, traballaron arreo para que a Historia non fose un barco morto na praia.
26.– Que don natural lle gustaría ter?
– O don da risa. A retranca. A inocencia infantil. A capacidade para ver e sentir todos os fios absurdos que moven a vida. A subversión da linguaxe.
27.– De que maneira lle gustaría morrer?
–Tranquiliña. Caladiña. Escribindo poesía surrealista para comprender e abrazar, abarcar a miña propia morte.
28.– Cal é o seu estado de ánimo máis habitual?
– Síntome sempre moi chea de vida, con moita enerxía, e en boa forma física. Cando camiño, síntome animada, contenta. Olvido todas as penas, as desgrazas, os sustos dramáticos dos telexornais.
29.– Que defectos lle inspiran máis indulxencia?
– Creo que son moi indulxente, moi comprensiva. A compaixón é unha tenrura que eu aprendín desde sempre mirándome nos ollos das vacas. Eses animais son como as miñas deusas, as miñas mestras budistas.
30.– Un lema na súa vida?
– Sempre hai versos para escribir. O novo día sempre nos vai traer palabras novas.”